PERMITIR-SE SER MÃE



Acredito que uns dos maiores choques na vida de uma mulher no pós-parto seja a percepção de que "aquilo tudo" é maior do que ela pensava. O que está em jogo não é somente a questão prática e material, ou seja o trabalho físico que um recém-nascido dá. Estar 24 horas por dia disponível para outra criatura que precisamos aprender a decifrar é um desafio grande, mas a raíz da dificuldade está em algo mais profundo que nem sempre vem à tona: a autorização a ser mãe.





Não vou dizer o que é ser mãe. O que quer que isso seja, certamente é algo grande, intenso e profundo. A questão está em permitir que essa "coisa" que se chama "maternidade" penetre e remodele nossa vida. Se trata de aceitar o que der e vier, dizer sim à uma nova vida, completamente desconhecida: a vida do bebê que chegou em nossa casa e a nossa vida com ele que irá mudar completamente e para sempre. Em função de descobrir o que é a maternidade, toda mulher precisa fazer isso: deixar-se levar, entregar-se, consentir a ter sua vida transfigurada. A autorização consiste em duas etapas:


1) Autorizar-se a mergulhar na experiência, porque somente assim poderá ser vivida por inteiro; realizá-la com sucesso e ser uma mãe responsável e feliz. Só podemos ser responsáveis e felizes quando abraçamos a experiência não quando resistimos a ela. 2) Autorizar-se a pedir (e até mesmo a exigir) ajuda. Uma mulher com um recém-nascido necessita de ajuda, e ela precisa saber que tem o direito de pedi-la. Por isso é preciso acionar maridos, familiares, amigos. Maternidade não é ou não deveria ser uma experiência de isolamento. Hoje em dia isso acontece por conta do tipo de sociedade na qual vivemos. Tornar-se mãe é mudar o foco e as prioridades. Há mulheres que não se acham no direito de dedicar o tempo e as energias necessárias a viver em plenitude a experiência da maternidade. Há outras que se sentem eternamente em culpa por "incomodar" os outros e não conseguem pedir ajuda. Há também aquelas que se sentem cobradas pela sociedade e pela sua própria mentalidade antiga (pré-gestação) a manter atividades profissionais e sociais no mesmo rítmo de antes. Enfim, há aquelas mulheres que não se sentem à altura de serem responsáveis pelo filho e acham que não vão dar conta.




Para todas elas a resposta é a uma só e a mesma: sem ser atingida em cheio pela maternidade você não vai dar certo de verdade. Não tem como aprender a nadar quando permanecemos agarradas à primeira rocha ou tronco do rio. Vale a pena se jogar no rio e descobrir como é o mar. Vale a pena porque é o único jeito de sair do impasse e desenvolver seu jeito de ser mãe, dentro de suas condições que inclui renda mensal mas também coração.





Maternidade é um projeto, não uma condição pronta. Nós crescemos junto a nossos filhos. Sabemos que o desenvolvimento não pode ser parado, não o da criança nem o dos pais. Desenvolvilmento que é físico mas sobretudo cognitivo, emocional, espiritual e efim: existencial. O resultado desse engajamento será sempre positivo, recompensador e duradouro para o bem seu e das gerações a seguir. Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

#Maternidadeativa

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