TRATEMOS OS BEBÊS COM DELICADEZA

October 10, 2016

 

Bebês merecem respeito. O que é respeitar um bebê? É tratá-lo levando em consideração suas condições. Bebês são sensíveis, muito mais do que um adulto. São sensíveis a barulhos fortes, gritos, confusão, tensão, agitação e movimentos bruscos. Bebês sacudidos, jogados pro altos, sujeitos a chacoalhões podem sofrer da chamada síndrome do bebê sacudido, que pode ter consequências muito sérias, para a saúde dele inclusive. Segundo Christian Muller, neuropediatra do Hospital Santa Lúcia e coordenador de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria do DF, a síndrome é caracterizada por sangramentos cerebrais, consequência de movimentos bruscos em particular da cabeça sacudida para frente e para trás. Em casos extremos, pode haver hemorragias muito graves que ocorrem tanto quando o bebê é vítima de maus-tratos como por consequência de pais que sacodem as crianças na tentativa de fazê-las parar de chorar.

 

Não só, brincadeiras bruscas, como jogar a criança para o alto achando que ela vai se divertir deveriam estar fora de cogitação. Fazer isso é estar completamente desconectados do bebê e de sua realidade. Até os 2 anos, o cérebro infantil não está totalmente formado e é muito sensível a lesões, que desencadearão quadros futuros de irritabilidade, alteração de memória e convulsões.

 

Mas a síndrome do bebê sacudido não se resume a ser sacudido, ela ocorre também quando a criança é sustentada pelas extremidades ou pelos ombros, podendo alterar a coluna com traumas na região cervical e causar sangramentos – tanto hemorragias retinianas (nos olhos), quanto cerebrais.

 

Em geral, a síndrome do bebê sacudido pode ocorrer em crianças até os dois anos, mas mesmo até os cinco anos podemos observar o distúrbio. Portanto, cuidado com a forma como se pega uma criança e mais cuidado ainda com as nossas reações quando perdemos as estribeiras.

 

Bebês dão trabalho, exigem adultos em condições de tomar conta delas, isto quer dizer que possam ter o equilíbrio psicológico necessário para entender o que  eles precisam, acudi-los e cuidá-los.

Chacoalhar uma criança para ela parar de chorar e, finalmente, dormir (e nos deixar em paz) pode aparentemente obter o efeito desejado mas também outros efeitos colaterais como o terror na criança que se sente assim à mercê de burtos, de alguém não confiável, que a ameaça e diante do qual precisa se calar porque não há outra escolha. Isso tudo, lá na frente (ou no presente se houver hemorrargia interna) dará seus frutos – amargos.

 

Segundo o perito criminal do Instituto Médico Legal de Santa Catarina e dermatologista Marcelo Francisco dos Santos, “Estima-se que de 100 mortos por violência, 13% sejam pela síndrome.”

 

Então, pais, aprendamos a nos controlar e a nos antenar antes de lidar com uma criança pequena. O choro infantil aponta para um problema que a criança está sentindo, nenhuma criança chora à tôa. Mas é importante se dar conta que a criança pode estar sentindo um problema geral da casa, ou melhor da relação com seus pais, e, em particular, a mãe. Sabe-se que crianças com bom vínculo choram menos.

 

Crianças choram porque: têm fome, sede, fraldas encharcadas, sono, medo. O medo não precisa ser concreto (por ex., medo de um animal), ela sentem o medo no ar, o farejam por assim dizer (como qualquer animal! Somos mamíferos, lembram?). Podem estar sentindo o medo da mãe, a insegurança dos adultos, o estresse, a raiva, a rejeição. Sentem na carne viva e reagem. Percebem-se ameaçadas, pois se o ambiente e seus cuidadores não estiverem em harmonia e a quererem (!), ela estará em perigo. E o que uma criança pequena pode fazer? Fugir de casa? Ir para um spa relaxar? Só lhe resta chorar.

 

Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

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