NÃO DEIXE SEU BEBÊ CHORANDO - CHORAR NÃO É MANHA

October 12, 2016

 

Por que os bebês choram? Eles choram quando têm um malestar: sono, medo, fome, frio, calor… Não só: choram também pela falta de contato físico com sua mãe ou outras pessoas do seu entorno afetivo.

 

O choro é o único mecanismo que os lactentes têm para comunicar seu. Nas suas expectativas – filogenéticas, ou seja no seu DNA - não está previsto que este choro seja desconsiderado. E isso pela simples razão que não há outro meio de avisar sobre o malestar que sentem e são pequenos demais para resolvê-lo por conta própria.

 

O corpo do recém nascido está desenhado para ter o seio materno tanto quanto necessita, para sobreviver e para sentir-se bem: alimento, calor, apego. O bebê criado no corpo a corpo com a mãe desconhece a sensação de necessidade, de fome, de frio, de solidão, e não chora “normalmente”. Como afirma Jean Liedloff, na sua obra The Continuum Concept, o lugar do bebê não é no berço, na cama, e nem no bebê-conforto, senão no colo materno.

 

A verdade é óbvia, simples e evidente.

 

Quando chora e não é atendido, o bebê chora com mais e mais desespero porque está sofrendo. Há psicólogos que asseguram que quando se deixa de atender o choro de um bebê depois de três minutos, algo profundo se quebra na integridade dele, assim como na confiança em seu entorno. Infelizmente, há pais e que acreditam que “é normal que os bebês chorem”, e que “há que deixá-los chorar para que se acostumem”. A verdade é estão insensibilizados para que seu pranto não nos afete. Mas, se ficarmos perto deles e sentirmos se;u desespero seremos incapazes de consentir com a sua dor. Não estamos de todo deshumanizados.

 

Vários pesquisadores americanos e canadenses realizaram diferentes investigações de grande importância em relação a etapa primal da vida humana e demonstraram que o contato pele a pele produz moduladores químicos necessários para a formação de neurônios e do sistema imunológico. Isso significa que a carência de afeto corporal transtorna o desenvolvimento normal das criaturas humanas.

 

No Ocidente se criou, nos últimos 50 anos, uma cultura (impulsionada pelas multinacionais) que deshumaniza o cuidado: ao substituir a pele pelo plástico e o leite materno por um leite artificial se separa mais e mais a criatura de sua mãe. Simultaneamente, se medicaliza cada vez mais a maternidade: as mulheres adormecem a sensibilidade e o contato com seus corpos, e se perde uma parte de sua sexualidade: o prazer da gestação, do parto e da extero-gestação – o colo e a amamentação. Paralelamente, as mulheres decidiram pelo mundo do trabalho feito pelos homens e para os homens, e que, portanto, exclui a maternidade.

 

A curto prazo, parece que o modelo de criação robotizado não é daninho, que as crianças sobreviverão. Porém, pesquisadores como Dr. Michel Odent (primal-health.org) têm demonstrado a relação direta entre diferentes aspectos desta robotização e doenças na idade adulta. Por outro lado, a violência crescente em todos os âmbitos, tanto públicos como privados (ver Alice Miller (1980) e James W. Prescott (1975)) também procede do mau trato e da falta de prazer corporal na primeira etapa da vida humana. Há estudos que demonstram a correlação entre dependência das drogas e transtornos mentais com agressões e abandonos sofridos na etapa primal.

 

Deveríamos sentir um profundo respeito e reconhecimento pelo choro dos bebês, e pensar humildemente que não choram porque são “manhosos”. Ao contrário, eles estão nos ensinando a seremos melhores mães e pais.

 

Quando um recém nascido aprende em um berçario que é inútil gritar, está sofrendo sua primeira experiência de submissão e abandono. (Michel Odent)

 

Texto inspirado no artigo de Josie Zecchinelli e do site Aleitamento.com

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