GESTAR-SE, Hestia e Perséfone

October 14, 2016

 

Muitas Deusas despertam dentro nós nessa faze em que o nosso ventre se expande e gera uma vida!

Nem sempre sabemos como reconhecer esse despertar, já sabemos que a preocupação com o corpo é super importante, exercícios físicos, conhecer a fisiologia da gestação e entender como ela vai se desenvolver até o parto e puerpério é tão importante quanto reconhecer o desenvolvimento da nossa mente nessa época tão linda.

É fundamental estar conectada consigo em com seus desejos para que esse momento transcorra da forma mais saudável possível.

Num primeiro momento gestacional nos deparamos com a introspecção. Voltar-se para dentro é uma atitude típica e necessária, o casal vai se transformar em família e a casa vai se transformar num lar...é preciso prestar atenção nas emoções para que o “ninho” possa ser arrumado...quando falo em “ninho”não me refiro só ao espaço físico, quartinho e ajustes físicos da casa, mas também ao que é preciso ser ajustado dentro da mulher que está gestando para assim, poder florescer a chama que aquece a família que está sendo gerada...acreditem, essa chama somos nós! Nós somos o centro da família!

Emoções e inquietações precisam ser questionadas, é fundamental olhar pra dentro de si e confrontar-se com a realidade dos sentimentos para que a mãe possa ser gestada também! Aproveitemos esse momento de maior sensibilidade para, lidar com nossos medos e através dessa atitude corajosa deixar o “poder” feminino nos guiar nessa difícil jornada que é criar os filhos. Esse “poder” necessariamente vai passar por nossa intuição e sabedoria de fêmeas, mamíferas, temos o dom de gerar, parir, nutrir o corpo e a alma dos nossos filhos, para tanto, é necessária abertura para o amadurecimento e sacrifício que a maternidade exige.

Desta forma aprenderemos também! Abrindo espaço para a roda do aprendizado girar numa cadeia de troca que só a maternidade é capaz de proporcionar!

Gestando Inteligência - Demeter e Afrodite

É chegada a hora de racionalizar. A gestante que olhou pra dentro de si de forma madura e reconheceu o poder da criação dentro do seu ventre agora, precisa planejar uma forma de colocar em prática tudo o que sente.

A sensibilidade que foi experimentada até o presente momento precisa servir de ponte para uma nova construção, uma nova montanha pra escalar...dentre tantas que a jornada materna irá impor.

Ela se dá conta de que praticar a maternidade conforme os moldes da sua autonomia vai ser uma tarefa também racional. Questões sobre a gestação, parto, puerpério, amamentação e maternidade vão surgir de forma clara, levando a procura de informação de qualidade, ou seja, que realmente contribua para concretizar os desejos reconhecidos anteriormente.

Ao se dar conta de suas escolhas, a gestante vai perceber que nem sempre encontrará respostas ou amparo e que neste cenário, terá que lutar de forma inteligente, é o preço a se pagar por ter opinião.

Será indispensável ler bons livros, fazer cursos de gestantes, frequentar espaços abertos à discussão do assunto para poder embasar suas escolhas com firmeza, já que não há interesse em desgaste e o conflito vai ser usado apenas em momentos decisivos.

A relação com obstetra e/ou parteira deve ser avaliada e colocada na balança. Estou contente? Estou sendo atendida nas minhas necessidades? Qual caminho vou seguir para conseguir executar o que almejo?

É chegada a hora de olhar para os próprios medos e tomar atitudes a fim de resolvê-los dando espaço ao resgate da fêmea no sentido literal da palavra. Aquela que é cíclica, que é capaz de gerar, parir, nutrir e que se renova para que o ciclo recomece.

Reconhecer-se no poder da natureza é fundamental para acessar as reais necessidades da gestação e assim, conquistar o lugar que ela realmente deve ter na vida de quem a está vivenciando.

Isso significa que serão necessários momentos de solidão e de repensar. Repensar as relações tidas até o presente momento e admitir quando há algo errado. A relação com o esposo precisa ser questionada a fim de refletir se existe uma parceria de fato.

Todas essas reflexões complexas são necessárias e serão capazes de atuar como um trampolim na odisséia “gestar”.

Gestando o amor - Atena e Hera

Depois de parar, olhar pro ninho externo e interno que o bebê será recebido...bom, e agora?

O que, eu, como gestante e futura mãe posso fazer para que eu também possa nascer junto com a minha cria!

Questionamento difícil, mas nada é impossível pra uma mulher que se olha, se encara, que tem fé e acredita na divindade de gerar, parir, nutrir!

O divino dom de ser mulher permite essa percepção, a sensibilidade de adentrar em sentimentos, bons ou ruins e a partir deste ato maduro, reconhecer-se como capaz de receber uma vida e prover o que é necessário ao seu desenvolvimento.

Para tanto, é necessário repensar as relações matriarcais, não apenas a que está por vir, a que está se formando entre mãe e bebê, mas aquela que temos com a nossa própria mãe e que inevitavelmente influenciará a relação que será construída.

Como se deu a sua própria gestação, parto, amamentação vão fazer parte da construção, o projeto “tornar-se mãe” é exigente, a zona de conforto passa longe...eu diria que entramos em zona de confronto! Constantemente nos deparamos com situações que nos obrigam a olhar o que existe dentro de nós, uma espécie de malha fina precisar entrar em ação, é o momento de definir o que fica e o que vai embora. É preciso, empoderar-se!

Muitos não entenderão, mas a mãe que está sendo gestada sabe o que é importante, aquela que consegue se soltar de certas amarras para adquirir autoconfiança em sua própria maternagem vai descobrir um mundo de possibilidades nunca antes vivido.

O desconhecido está sempre por perto e o medo desses novos sentimentos vai aparecer, mas não podemos esquecer que o divino está conosco nos dando o poder que inicia a vida, está tudo dentro de nós.

A mulher que antes convivia num sistema de regras determinadas por terceiros, agora quer ditar suas próprias regras, ela mudou, a vida mudou, muitas coisas vão ter que mudar de lugar, sumir, não serão mais prioridade ou nem mesmo necessárias...ela não se submete mais!

É segura! Toma decisões importantes! Assume as conseqüências de seus atos com a segurança do amor que sente pela cria!

Ela usa a sensibilidade para respaldar todas essas decisões, reconhecendo-a, acolhendo-a e dando o valor que lhe é devido, pois a fé no amor de gerar lhe sustenta e torna esse momento uma entrega ao melhor da nossa feminilidade.

Gestando a Libertação – ARTEMIS

Nada mais importa! A bagagem adquirida até esse momento da gestação serviu e muito, mas as escolha já foram feitas. Força e coragem para reconhecer os movimentos do inesperado, do desconhecido.

As argumentações, os por quês...isso tudo já foi debatido internamente, o reconhecimento da capacidade de parir já fez a sua via sacra. Agora a divindade vai alcançar o seu momento principal.

A sabedoria das escolhas certas e da libertação está sendo requisitada com força total, não há espaço para raciocínios e discussões, nada mais importa!

É chegado o momento de dar voz ao que não se explica, o que não se discute, o que é, por que é! Nada pode impedir essa força, ela ganha volume a cada dia que passa e aos poucos vai tomando proporções avassaladoras.

Os instintos são o guia, o corpo, as questões práticas já foram delineadas e todo o conhecimento adquirido precisa dar lugar à natureza feminina, ela é responsável por parir, essa é a essência que virá de avalanche e nada mais pode ser feito, a não ser confiar...confiança nesse poder que vem firmado no amor e na coragem.

Autoconhecimento e autoconfiança já foram trabalhados anteriormente. É chegado o momento de deixar fluir, deixar acontecer, se abrir, expandir os limites sem amarras, o mergulho está começando e ninguém sabe o que virá à tona, é preciso estar disposta a deparar-se com o inesperado.

Humildade e fé vão servir de base para essa expansão que levará a uma transição libertadora e transcendental, que por sua vez, leva a um patamar de satisfação e alegria de si própria jamais sentida antes. Ela sabe da oportunidade que está tendo e agarra com todas as suas forças.

Muitas coisas estão em jogo e precisam estar sincronizadas para a passagem de filha que se torna mãe, mas nada é impossível para aquela que acredita no seu poder feminino. Ela quer experimentar esse poder, tem conhecimento que está dentro dela e o quer com toda força e coragem, pois sabe que essa será a sua única oportunidade de vivenciá-lo de forma plena.

A liberdade de suas escolhas vai ser fundamental para encaminhar-se ao parto, por isso, todas as amarras são desatadas, afinal, o momento é precioso de mais e interferências externas nem sempre serão bem vindas.

E o final da gestação se aproxima com uma incrível certeza de estar escolhendo o caminho certo, o melhor ambiente, na presença daqueles que são capazes de amparar as dificuldades que possam surgir permitindo assim, a fluidez necessária para que o respeito possa viabilizar o protagonismo da Deusa.

Bom parto!

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