DESMISTIFICANDO A CONTROVÉRSIA A RESPEITO DE HUMANIZAÇÃO E PARTO NATURAL

November 1, 2016

 

“A pricipio discutindo a questão se ser ético ou não o tipo de parto que uma mulher escolher deve-se elaborar um planos de estudos aprofundados sobre a questão sendo feita uma analize de reflexão pela a nossa sociedade. Por ser uma questão polêmica deve ser discutida e abordada de varias formas. Durante muitos anos observei mulheres que passaram por parto normal e cesária, e não encontrei diferença muito acêntuadas entre ambas, sendo que pessoas que tiveram parto normal tiveram muito mais problemas como

bexinga baixa e inflamção do perinêo e deformação da estrutua da genitália, complicações a nível psicologico e emocinal. Quando uma mulher digamos!!! deseja colocar algns miligramas de silicone, não se torna algo polêmico como a cesária, Orá isso é uma controvérsia, porque operar para colocar silicone pode, cesária não, no minímo um tanto conturbado ainda a situação da mulher na atual conjuntura. Não vejo mal nenhum uma mulher escolher um tipo de parto, estando bem esclarecida por pofissionais da aréa de saúde, sendo auxiliada na sua escolha. quanto as menos favorecidas que tem seus filhos em hospitais públicos, devo concorda com alguns especialistas, devem ter o mesmo direito das mais favorecidas sem serem coagidas por profissionais que querem a todo custo elevar os indices de parto normal. A mascara da hipocricia deve cair, a mulher mudou nos ultimos tempos, e a sociedade deve se adequar a este fato.

 

Simone”

 

Olá Simone,

 

Demorei em responder à sua mensagem porque devo confessar me senti casada só de ler. Mas como sua voz é parte de um coro de maiores proporções, considero minha obrigação retornar-lhe.

 

Não sei qual é seu trabalho, suspeito que seja médica obstetra mas você não o diz, deixando na sombra o pano de fundo que lhe permite tirar conclusões e fazer observações “ao longo de muitos anos”. Já isso me deixa desconfiada, você se esconde ao mesmo tempo em que acusa de hipocrisia. Quem? Supostamente os promotores so parto humanizado.

 

Vou responder-lhe item por item, será mais fácil para mim. Reproduzo abaixo sua mensagem com meus comentários.

 

S: A pricipio discutindo a questão se ser ético ou não o tipo de parto que uma mulher escolher


A: A questão da ética não diz respeito à escolha da mulher e sim à escolha do médico! Um profissional que abre a barriga alheia submetendo sua paciente à infecção hospitalar, além de outros riscos e desconfortos oriuntos de uma cirurgia de grande porte, estaria agindo eticamente? Um médico que manipula as informações sobre as condições obstétricas de sua paciente para levá-la a aceitar uma cesárea estaria agindo eticamente? Que condições tem uma mulher para efetivamente fazer uma escolha se não possui informações objetivas à sua disposição?

 

S: deve-se elaborar um planos de estudos aprofundados sobre a questão sendo feita uma analize de reflexão pela a nossa sociedade.

A: Não sei ao que se refere com “planos de estudos aprofundados”, mas existem há décadas estudos científicos reconhecidos no mundo inteiro a respeito de parto, tanto é que a Organização Mundial de Saúde lançou 25 anos atrás suas recomendações, ainda não seguidas por grande parte dos obstetras brasileiros. Então, se há uma reflexão que falta é por parte dos profissionais. No que diz respeito à sociedade, o processo é lento como para todas as mudanças, mas ganha força pela ação individual, como a sua de escrever-me e a minha de responder-lhe.

 

S: Por ser uma questão polêmica deve ser discutida e abordada de varias formas.

A: que de fato foi e está sendo feito. Basta se informar.

 

S: Durante muitos anos observei mulheres que passaram por parto normal e cesária, e não encontrei diferença muito acêntuadas entre ambas,

A: Você sabia que enxergamos somente o que temos conceitos para decifrar? Vemos só o que nossas mentes conseguem perceber? O que vale também para as mulheres. Para ter uma visão objetiva é preciso levar em consideração diversos fatores. Não sei quais você considerou portanto esta fica uma sua opinião subjetiva.

 

S: sendo que pessoas que tiveram parto normal tiveram muito mais problemas como bexinga baixa e inflamção do perinêo e deformação da estrutua da genitália, complicações a nível psicologico e emocinal.

A: Bom, Simone, não sei quem e quantas mulheres você observou. Mas basta você dar uma volta pelos sites de parto humanizado para ler depoimentos extasiados de mulheres que passaram por partos naturais e nada disso que você fala lhes aconteceu. Não só, seus comentários repetem fantasmas tradicionais, velhos medos. Um deles, a da bexiga que despenca, é um mero preconceito baseado na falta de informação. A bexiga cai não por causa do parto e sim por causa da barriga. É o peso do bebê que comprime a bexiga, não o esforço do parto. Para terminar, é preciso conhecer as condições nas quais os tais partos “normais” que você tem em mente aconteceram. Se for um parto normal traditional no SUS vou ter que concordar contigo pelo menos em parte: aquilo deve ser uma experiência péssima. Mas não é isso que queremos, nada tem a ver isso com humanização.

 

S: Quando uma mulher digamos!!! deseja colocar algns miligramas de silicone, não se torna algo polêmico como a cesária.

A: Concordo totalmente. Mas o que isso tem a ver com parto? Estética e parto são assuntos totalmente diferentes. A questão não é a cirurgia em si mas os riscos físico e psíquicos para mãe e bebê que a cesárea implica.

 

S: Orá isso é uma controvérsia, porque operar para colocar silicone pode, cesária não, no minímo um tanto conturbado ainda a situação da mulher na atual conjuntura.

A: O parto é um rito de iniciação poderoso para a mulher, incomparável com o silicone no seio. Como cada pessoa administra sua vida é parte das contradições nas quais vivemos mergulhados todos enquanto sociedade. Se uma mulher prefere o silicone ao parto iniciático e natural, problema dela. Eu quero ter direito ao parto de verdade e não me importo com o silicone. É por isso que estamos lutando!

 

S: Não vejo mal nenhum uma mulher escolher um tipo de parto, estando bem esclarecida por pofissionais da aréa de saúde, sendo auxiliada na sua escolha.

A: Concordo, tanto é que eu e as pessoas que colaboram comigo não forçamos nada, justamante porque consideramos o assunto parto de maneira muito mais profunda do que sua fisiologia e os riscos para mãe e bebê, os quais existem, mas assim como não se pode obligar alguém a parar de beber ou fumar não adiante forçar uma mulher a fazer o que supostamente é melhor para ela. Não somos animais, somos seres humanos. As decisões devem passar pela consciência e maturidade, o que certamente torna tudo muito mais difícil, mas a alternativa é a ditadura. Agora, há mais uma questão: quantas vezes uma mulher recebe DE FATO informações corretas pelos profissionais de saúde?

 

S: Quanto as menos favorecidas que tem seus filhos em hospitais públicos, devo concorda com alguns especialistas, devem ter o mesmo direito das mais favorecidas sem serem coagidas por profissionais que querem a todo custo elevar os indices de parto normal.

A: Com certeza.

 

S: A mascara da hipocricia deve cair, a mulher mudou nos ultimos tempos, e a sociedade deve se adequar a este fato.

A: Se é para fazer cair máscaras de hipocrisa pode contar comigo. Só não entendo de qual hipocrisia está falando e de qual mudança das mulheres está falando. Esse assunto é complexo. Você deve estar tendo em mente alguma coisa que eu desconheço, por isso não posso acompanhá-la nesse ultimo trecho.


A hipocrisia que eu vejo está:

 

- nos médicos que evitam questionar-se como o diabo foge da cruz.

- nas mulheres que mascaram seus problemas com a gestação e utilizam do poder médico para abrir mão de suas responsibilidades.

- na humanização que cria anjos e demônio num processo infantil e primário punindo com a desconsideração as mulheres que não seguem seus mandamentos.

- na humanização quando atua somente para quem pode pagar.

- nas instituições médicas com suas múltiplas estratégias para manter o poder a despeito de qualquer argumento, incluindo saúde.

 

A mulher mudou? Sim, está mudando. E isso se reflete no fato que entre erros e acertos ela está reagindo e agindo contra o modelo médico e não médico autoritário. Está é A Mudança.

 


Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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