DESCOBRI QUE SOU FORTE

November 16, 2016

A responsabilidade e a superação das dificuldades de ser mãe me fizeram mais dona da minha vida, o prazer de estar com os filhos e acompanhar a sua evolução, ter a sensação de continuidade da vida.


 

Nome: Liliana Silveira Santos Silva

Idade: 32 anos

Profissão: Bióloga

Quantos filhos: 2

Ano de nascimento dos filhos: 2000 e 2006

Cidade: Salvador

Estado: Bahia

E-mail de contato: liliana@amigasdoparto.org.br

Autoriza a publicação: Sim

Data de preenchimento do questionário: 05/01/07

 

1. Que “tipo” de parto você teve?

Cesáreo.

 

2. O que você achou do seu parto?

Frustrante. Foram duas cesarianas, a primeira me fez refletir e buscar respostas à insatisfação que deixou; a segunda, ainda hoje me faz sentir a perda de um momento importante na minha vida, que não volta mais. Além, disso, sei também que a possibilidade de um parto natural para mim, numa gravidez futura, é quase impossível dada a realidade obstétrica da minha cidade.

 

3. Quando pensa em seu parto o que lhe vem à mente?

Angústia, frustração e a felicidade de ter as minhas filhas comigo.

 

4. Amamentou seu/sua bebê?

Sim.

 

5. Até quantos meses?

A primeira filha, hoje com seis anos, até os dois anos e meio. A mais nova, está com onze meses, continua mamando e continuará assim enquanto for bom para nós duas.

 

6. Encontrou dificuldades em amamentar? Quais?

Sim. Rachaduras nos mamilos na primeira semana de aleitamento, das duas filhas. Depois, com a primeira filha, muita insegurança me fez pensar que estava com “pouco leite”, quando ela estava com dois meses e na volta ao trabalho, quando ela tinha cinco meses, tive medo de que o leite secasse e eu não conseguisse dar continuidade ao aleitamento. Busquei ajuda, fora da minha família, através do Grupo de Mães Amigas do Peito.

 

7. Sua visão da maternidade mudou após o parto?

Totalmente. Senti o peso da responsabilidade que tinha sobre aquela vidinha que começava através de mim, e que era para sempre. Ser mãe é uma das várias faces da mulher. A vida continua depois que os filhos nascem, e a gente tem que seguir em frente.

 

8. Como você se via como mãe nos primeiros meses de vida de seu/sua filho/a?

Me via como uma aprendiz, uma desbravadora. Nada do que havia vivenciado antes, ajudando eventualmente nos cuidados dos meus primos menores e da minha irmã, me preparou para desempenhar o papel de mãe. Diria que aquelas experiências me ajudaram a ter alguma desenvoltura com a troca de fraldas e banhos do bebê. Na primeira gravidez não imaginava a sensação de solidão e desamparo que sentiria nas primeiras semanas.

 

9. O que você pensava sobre a maternidade durante a gestação e depois do parto?

Durante a primeira gestação sentia um pouco de medo, de como seria cuidar do meu filho (ou filha), mas, que no fim das contas, me sairia bem, sem grandes dificuldades. Da segunda vez, já sabendo mais ou menos quais seriam as dificuldades a serem enfrentadas, fiquei mais tranqüila.

 

10. Mudou de visão nos meses a seguir?

Totalmente! Antes de ser mãe eu pensava que o amor de mãe era algo instantâneo, que veria o bebê pela primeira vez, e me apaixonaria perdidamente por ele, que o amor de uma vida inteira me arrebataria em segundos. Que tudo seria lindo e perfeito. Mas o primeiro amor que senti pelas minhas filhas, foi um amor de proteção, de oferecer as condições para que elas sobrevivessem. Era um sentimento muito forte, às vezes angustiante, que me tirava o sono, a fome, me fazia tomar banho com a porta do banheiro aberta, de olhar várias vezes se o bebê estava respirando... Na primeira vez foi mais intenso, afinal era algo muito estranho para mim. Na segunda vez, eu já imaginava que seria assim, daí, foi mais tranqüilo. Depois vem aquele amor da intimidade, de conhecer, ouvir o choro, olhar nos olhos, sentir o cheiro... É o amor que vai crescendo com o passar dos dias. E penso que é assim que se constrói uma mãe.

 

11. O que pensa da maternidade?

Que é maravilhoso ser mãe, mas que é dolorido, difícil. A sociedade coloca a maternidade, e eventualmente, a mãe, num pedestal. Mas não valoriza a mulher que é mãe, não lhe favorece o cotidiano, para que possa conciliar a maternidade e outros aspectos da vida sem prejuízos a si mesma e a seus filhos. Ignora a importância social da maternidade na formação dos cidadãos, na construção de uma sociedade melhor.

 

12. Quais as descobertas mais importantes que você (ou uma mulher) faz ao tornar-se mãe?

A responsabilidade e a superação das dificuldades de ser mãe me fizeram mais dona da minha vida, o prazer de estar com os filhos e acompanhar a sua evolução, ter a sensação de continuidade da vida.

 

13. Como você definiria a maternidade?

Como um aspecto maravilhoso da vida da mulher, porém, extremamente conflitante, e que não deve ser encarada como um evento obrigatório.  Acredito que uma mulher não é mais mulher por ter se tornado mãe.

 

14. Tem vontade de ter outros filhos?

Sim.

 

15. O ser mãe de hoje é algo que você aprendeu ou veio espontâneo?

Em parte, foi espontâneo. Aquele cuidado dos primeiros meses, para mim veio espontaneamente é o cuidado da fêmea parida com a sua prole. Mas tudo o que vem depois vai sendo aprendido e acumulado.

 

16. O que seu/sua filho/a exige mais de você?

As duas exigem muito a minha presença, atenção e contato físico.

 

17. Há alguma descoberta a respeito de você mesma que a maternidade lhe trouxe?

Sim. Que sou forte.

 

18. Acredita que uma mulher precisa experimentar a maternidade para desenvolver-se como mulher? Por quê?

Não. Porque a maternidade deve ser desejada. E, se uma mulher não deseja ter filhos, isso não significa que ela seja menos feminina que uma mulher que é mãe, e que não seja capaz de amar, cuidar e se dedicar a outras pessoas.

 

19. O que diria a você mesma antes do parto?

Se informe e esteja aberta às possibilidades. Não tenha vergonha de pedir ajuda e de pedir desconto ou facilidades para pagar ao profissional com o qual se identifique para acompanhar a sua gestação e o seu parto. No meu caso, aquele que acredita e pratica o parto natural.

 

20. Sua relação com o pai de seu/sua filho/a mudou em consequência da maternidade? Como e por quê?

Sim, e de forma positiva. A gestação traz muitas mudanças, físicas e  emocionais. O companheiro às vezes fica de lado, eu já não estava tão disponível. Depois que o bebê nasce, acontece a tensão dos primeiros dias, com a atenção voltada para o bebê e a mãe que precisa de cuidados também. O pai acaba ficando um pouco esquecido. Mas, do nosso jeito, acabamos resolvendo razoavelmente essa parte. Perdemos também um pouco da privacidade, é comum as meninas virem para a nossa cama de madrugada, porém, essa situação não nos desagrada, acabamos nos adaptando a ela, e o nosso relacionamento até melhorou. Valorizamos mais os momentos que temos somente para nós. Desde o nascimento da nossa segunda filha descobri mais companheirismo da parte dele.

 

21. Qual conselho daria às mães de primeira viagem?

Conversem com outras mulheres que já são mães, compartilhem experiências. Muitas vezes uma conversa com outra mulher pode ser mais proveitosa do que os conselhos de um especialista. 

 

 

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