MATERNIDADE PARA MIM É SINÔNIMO DE DOAÇÃO

November 16, 2016

 

Eu achava que o amor materno era algo automático que eu sentiria assim que minha filha nascesse, e não foi o que aconteceu. Para eu me apaixonar mesmo por ela, demorou cerca de um mês, depois que o babyblues foi embora.

 

 

Nome: Tricia Cavalcante Lima Pacheco

Idade: 27 anos

Profissão: publicitária

Quantos filhos: 01

Ano de nascimento dos filhos: 2004

Cidade: Fortaleza

Estado: CE

E-mail de contato: titacp@gmail.com

Autoriza a publicação: sim

Data de preenchimento do questionário: 08/jan/2007

 

Que “tipo” de parto você teve?

Cesarea.

 

O que você achou do seu parto?

Foi uma experiência traumática para mim e para minha filha, no entanto, de alguma maneira, serviu como um aprendizado.

 

Quando pensa em seu parto o que lhe vem à mente?

Pressão da familia, rapidez dos acontecimentos, minha passividade, e a dor física.

 

Amamentou seu/sua bebê?

Sim.

 

Até quantos meses?

Ela ainda mama (está com 26 meses).

 

Encontrou dificuldades em amamentar? Quais?

Sim, mas apenas algumas rachaduras nos mamilos. Graças à minha determinação eu consegui superar tudo.

 

Sua visão da maternidade mudou após o parto?

Sim, não que eu pense que é uma obrigação, mas percebi que muitas pessoas que sempre me ajudaram em tudo, não se envolveram com o bebê. Ou seja, aprendi na marra o ditado “Quem pariu Matheus que balance...” E tive que cuidar dela sozinha. Isso mexeu muito com minha visão do mundo, do tempo das coisas. Aprendi a ter muita paciência e a diminuir a velocidade de todos os processos, como alimentação, rotina, etc.

 

Como você se via como mãe nos primeiros meses de vida de seu/sua filho/a?

Devido ao parto inesperado que tive, me senti uma fracassada como mulher. A partir do momento em que tive a oportunidade de vivenciar a maternidade, abracei aquele papel com todas as minhas forças e mergulhei fundo na responsabilidade de nutrir minha cria. Como mãe me sentia a mais perfeita e poderosa do planeta. No entanto, como mulher, ainda me incomodava um buraco no peito, uma falta de alguma coisa que não conseguia explicar.

 

O que você pensava sobre a maternidade durante a gestação?

Eu achava que o amor materno era algo automático que eu sentiria assim que minha filha nascesse, e não foi o que aconteceu. Para eu me apaixonar mesmo por ela, demorou cerca de um mês, depois que o babyblues foi embora.

 

Mudou de visão nos meses a seguir?

Acredito que não =)

 

O que pensa da maternidade?

Maternidade pra mim é sinônimo de doação. Entrega de tudo ao outro, ao filho, aos filhos. Você se esquece de comer, vestir, dormir, de tudo. Somente depois que as necessidades do filho estão de acordo, é que a mãe consegue relaxar e pensar em outras coisas. Quem não está pronta para abrir mão de tudo, não deveria cuidar de um bebê.

 

Quais são as coisas mais importantes que uma mulher encontra ao se tornar mãe?

Maturidade, para enxergar o mundo com uma visão muito mais ampla.

Humildade, para conseguir dar conta de tudo e aceitar ajuda de outras pessoas.

Feminilidade, ao saber que tem capacidade de gerar a vida.

Fé e confiança, ao saber que não tem controle sobre tudo e acreditar na sabedoria da natureza.

 

Como você definiria a maternidade?

Maternidade pra mim é sinônimo de doação.

 

Tem vontade de ter outros filhos?

Sim, muitos! Apesar de saber o trabalho que dá cuidar de uma criança, eu continuei tendo vontade de “encher a casa de crianças”.

 

O ser mãe de hoje é algo que você aprendeu ou veio espontâneo?

As duas coisas. Para deixar o instinto materno agir a mulher tem que aprender a confiar em si mesma e na natureza. Isso é muito difícil atualmente com as mulheres tão fragilizadas / ocupadas / estressadas por um mundo cruel e masculino.

 

O que seu/sua filho/a exige mais de você?

Atenção: seja através da amamentação, do carinho, das obrigações. É difícil dar atenção a tantas coisas ao mesmo tempo (casa, trabalho, filhos).

 

Há alguma descoberta a respeito de você mesma que a maternidade lhe trouxe?

Força e determinação.

 

Acredita que é uma mulher precisa experimentar a maternidade para desenvolver-se como mulher? Por que?

Sim, porque é através da maternidade que ela adquire a consciência de que faz parte de um mundo maravilhoso e que a natureza é sabia e perfeita. Se a mulher não tem essa relação consigo mesma, com seu corpo e com o mundo, fica sempre com uma visão unilateral sobre tudo.

 

Se pudesse, o que você diria à você mesma de antes do parto?

“Levanta daí abestada, vai simbora pra casa! Você não percebe que estão te pressionando? Não percebe que teu corpo não vai parir essa menina no meio dessa multidão?”

 

Sua relação com o pai de seu/sua filho/a mudou em conseqüência da maternidade? Como e por que?

Sim, nossa relação hoje é mais madura pois desenvolvemos uma cumplicidade muito grande. Muitas coisas em comum, muitas metas.

 

Qual conselho daria às mães de primeira viagem?

Relaxa e deixa a natureza agir. Parir não é perigoso, interferir nesse processo é que é. Nem tudo que um médico diz é verdade, não tenha medo de dizer não a ninguém.

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