MITO OU REALIDADE? SEXO NO PÓS-PARTO

January 26, 2017

 

 

1) Só pode ter sexo depois da visita pós-parto ou após o fim do resguarde.


Estão ainda ensinado que é melhor esperar seis semanas para voltar a ter relações sexuais com o parceiro(a). Tem fundamento científico? Esta é uma asserção baseada em comportamentos sociais e provavelmente em antigos rituais para evitar outra gravidez. Deve-se notar que em muitas sociedades tradicionais os casais dormem com o bebê mamando.

 

As secreções já estão totalmente terminadas ou quase e os órgãos pélvicos voltaram  mais ou menos no lugar. As pesquisas mostram que muitos casais tiveram relações por volta das semanas 2-3 quando as secreções diminuíram e os riscos de trauma do colo uterino, assim como os de infecção são pequenos. Basta recomendar cuidados mínimos de higiene, lubrificante ou preservativos se desejados e se a mulher não estiver praticando o LAM (CONTRACEPÇÃO com amamentação), assim como exercícios Kegels (aliás estes deveria ser recomendações já no pré-natal).


2) A mulher tem medo de ter sexo depois do parto (dói). A mulher não tem desejo, uma vez o bebê nascido acabou-se o que era doce....


Para não ter dor tem que ter desejo... parece bem simples, mas não é.


Fatores que influeciam o desejo:

 

- Episiotomia! (lembro que uma episiotomia demora mais para cicatrizar do que uma laceração mesmo de 2 grau, especialmente se mal costurada.

- Incisão de cesariana! Que une-se à mobilidade diminuída.

- Quadro cultural da nova mãe e do casal.

- Grau de intimidade com o parceiro(a), sentir pressão para satisfazer o parceiro(a) antes de se sentir pronta para voltar ao sexo.

- Depressão e/ou identificação com o novo papel de mãe (incluindo falta de apoio familiar, cansaço, falta de sono, outras crianças mais velhas que pedem atenção, etc.).

- Medo de ficar grávida novamente.

- Imagem corporal negativa devido às pressões da mídia, da família e etc..(ex., “eu sou gorda”).

- Amamentação. A amamentação a tempo integral simula um estado gravídico onde a produção de estrogênio esta reduzida. Isto deixa a mucosa vaginal e vulvar seca e mas frágil, menos receptiva à estimulação sexual. O remédio para isso são os lubrificantes vaginais.


Alguns profissionais estão teorizando que a amamentação, sendo um estado de profunda fusão do binômio mãe-bebê, e incluindo estimulação sexual intensa (algumas mães reportam até orgasmo durante a mamada), faz com que a mulher não precise tanto da aproximação do parceiro(a).


Todos esses fatores, e muitos mais, não levam propriamente a uma falta de desejo, mas a um retorno variável em tempo e em intensidade deste desejo. É importante realçar para a nova mãe a normalidade desses variações e que ela pode também explorar novas formas de relacionamento dentro da relação.

 

 

 

Regine Marton MS CNM
Cerfified Aquanatal Instructor
Watsu Provider Certification in progress
http://ocean-birth-weaver.com/

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