PROPOSTA DE PROTOCOLO PARA O ATENDIMENTO AO RECÉM-NASCIDO NO BERÇÁRIO

January 26, 2017

 

1. Informação
Este protocolo deve ser afixado no berçário em local bem visível e toda mãe e todo pai que são internados na maternidade para o parto deverão receber uma cópia.
2. Os nomes do bebê, de sua mãe e de seu pai

Todos os profissionais desse ambiente devem conhecer os nomes do bebê e de seus pais e chamá-los assim. Pulseiras com os nomes gravados, feitas em material macio e tamanho adequado, podem também ser usadas, desde que não incomodem bebês e mães. Pode-se também colocar na cabeceira da cama/berço uma plaquinha com os nomes do bebê e de seus pais. O objetivo é evitar especificamenteo uso de termos como "mãezinha" (ou para "pai", "paizinho"), que não agradam às mulheres. 
3. Livre acesso dos pais

O ambiente deve permitir o livre acesso dos pais e os profissionais devem estar aptos a ajudá-los nos cuidados com os bebês. Para tanto, os profissionais devem reservar cadeiras no berçário em número suficiente para dois visitantes (no caso, os pais) por bebê, e deixar o espaço livre para circulação. Os pais devem, também, ter a opção de levar o bebê para seu quarto, quando possível e desejado.

4. Respeito
Os profissionais devem adotar uma postura de respeito para com as crenças, religiões e cultura dos familiares dos bebês. Com vistas a isso, podem ser realizadas reuniões mensais em equipe para tratar temas como acolhimento, cidadania, crenças, ritos e religiões.

5. Método Mãe Canguru
O Método Mãe Canguru deve ser implantado sempre que necessário. Os profissionais devem ser instruídos sobre a importância do Método e sua viabilidade, assim como ser capazes de orientar os pais durante sua aplicação. Cursos de capacitação e reciclagem anuais são  ferramentas indispensáveis.

6. Amamentação
A presença dos pais e a amamentação devem ser sempre estimuladas, inclusive quando se aplica o Método Mãe Canguru. Neste sentido, os profissionais devem ser sensibilizados sobre a importância do vínculo precoce mãe-filho, pais-bebê.

7. Barulhos e sons externos
Sons não relativos aos bebês devem ser evitados ao máximo, como, por exemplo, conversas paralelas, bips de aparelhos e etc. Para tanto é importante usar bom senso e apelar para o princípio do respeito conforme o ponto 2. Os sons de alerta dos monitores devem ser suavizados. É indicado que a enfermagem crie uma escala de profissionais técnicos para monitorar cada aparelho durante períodos de tempo, evitando com isso que os alarmes disparem constantemente. As conversas paralelas, quando realmente necessárias, devem acontecer em voz baixa. A presença em alguns momentos de som ambiente (sons da natureza, por exemplo) pode contribuir para o bem-estar psico-emocional dos bebês. Entretanto, os profissionais devem usá-lo com bom senso e observando as reações dos bebês.
8. Individualidade de cada bebê

Os momentos e ritmos de cada bebê devem ser respeitados, evitando-se a manipulação constante. Para tanto, os profissionais cuidadores devem construir os prontuários e prescrições juntos, obtendo assim uma escala de horários para a administração de medicamentos (quando necessários) mais flexível e, de preferência, em horários que possam respeitar o sono dos pais. Além disso, os profissionais devem estar disponíveis para acalentar o choro ou conversar com aqueles bebês que solicitam mais, sejam eles os "chorões" ou os que não recebem visita. Não há horário específico para o banho, devendo este depender dos momentos e ritmos de cada bebê. 
9. Aconchego

O bebê deve ser mantido sempre bem aconchegado. Seu berço deve ser semelhante a um ninho e aquecido. Uma forma de fazê-lo é enrolar um cobertor felpudo em forma de spaguetti, unir as pontas e dispô-lo em torno do berço, criando um ninho. O bebê deve ter a sensação da segurança e do aconchego materno.

10. Ambiente
O berçário deve ser mantido calmo, com iluminação suave. Os odores fortes devem ser evitados, uma vez que o bebê usa também o olfato para reconhecer sua mãe. Uma decoração acolhedora, que lembre o  ambiente familiar e amenize a "cara de hospital" do lugar, é necessária tanto para os pais e bebês, que tenderão a estranhar menos o ambiente, quanto  para que os profissionais se motivem a um atendimento humanizado.

11. Massagem
Os profissionais do berçário devem ter alguma noção de massagens e toques sutis em bebês como forma de aliviar tensões e desconfortos. Cursos de massoterapia, shantala e toques sutis devem fazer parte da capacitação e reciclagem dos profissionais.

12. Auditoria
Auditorias trimestrais devem ser realizadas para verificar se as condições propostas estão sendo colocadas em prática e mantidas. A auditoria deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar organizada por uma entidade externa ao hospital - possivelmente uma organização não governamental que lida com saúde da mulher.



UMA PROPOSTA ONG AMIGAS DO PARTO
Este Protocolo foi elaborado durante o módulo Recém-Nascido do Curso Humanização da Gestação, Parto, Recém-Nascido, Pós-Parto, Paternidade, Nova Família e Maternidade. Ele é o resultado da reflexão conjunta de um grupo de mulheres e tem caráter multidisciplinar.

Em breve: os Protocolos para o Atendimento ao Recém-Nascido durante seu Nascimento no Parto Domiciliar.


Elaborado durante o Curso Humanização da Gestação, Parto, Recém-Nascido, Pós-Parto, Paternidade, Nova Família e Maternidade 2007, Módulo Recém-Nascido.


Autoras: Adriana Tanese Nogueira, Angela Mattos, Cristina Toledano, Lisandra Pinheiro, María Vergara, Maru Drexler e Tanila Glaeser.
Coordenação: Adriana Tanese Nogueira
Revisor: Mauricio Ayer

www.institutossc.com

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