UMA REFLEXÃO SOBRE A ABORDAGEM OBSTÉTRICA ATUAL

Introdução

“Para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer”

Michel Odent

Atualmente tem-se apresentado evidente os aspectos relacionados ao atendimento desumanizado nas instituições de saúde. Reflexões sobre o nascimento estão sendo cada vez mais discutidas a partir das conseqüências atribuídas ao abuso da autoridade representada pelos profissionais de saúde, transparecendo absurda deficiência na capacitação dos mesmos.

A humanização do atendimento e dos profissionais da área da saúde está ligada a revisão do olhar diante do ser humano e resignificação do relacionamento inter-pessoal proposto até então pela medicina ocidental.

A origem da palavra cuidar vem do latim cour – traduzido como amor; amizade (que também deu origem à coeur e cuore – coração em francês e italiano respectivamente). O sentido primordial da palavra cuidar oferece-nos os conceitos necessários para a reflexão sobre o cuidado exercido atualmente e aquele que precisa ser resgatado: de acolhimento, respeito, troca, diante de uma relação de reciprocidade, complementaridade a partir de uma convivência amorosa. (GOLÇALVES, 2011)

Visto a necessidade de resgate do reconhecimento do potencial da mulher durante a gestação, trabalho de parto e parto para este seja um processo saudável, a humanização do atendimento por parte da equipe responsável pelo auxílio à parturiente torna-se fator fundamental.

A Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde reconhecem a importância da humanização do atendimento nas instituições de saúde visando autonomia da gestante diante seu direito de informação, escolha e participação em todos os processos e procedimentos avaliados como necessário. Porém, atualmente, o pleno exercício dessa autonomia é dificultado uma vez que valores e ideologias são impostos através de práticas rotineiras desatualizadas e intervenções desnecessárias que insistem em imperar nas instituições de saúde, juntamente com a desinformação por parte das gestantes que, por ignorância das leis e do próprio processo biológico pelo qual estão passando, não conseguem exercer seu direito à autonomia.

A falta de encorajamento à participação ativa da mulher nos processos apropriados pela medicina, desestimula o pensamento crítico-reflexivo, este que ressoaria na iniciativa de reinvidicação, que por sua vez ressoaria no poder do individuo perante a sociedade. (BENTO, 2005)

A mulher apenas exerceria domínio sobre seu corpo e mente e atuaria de maneira ativa em todos os processos e intervenções as quais nela fossem executadas, a partir do momento em que sua cidadania fosse devidamente resgatada. Para tanto se faz necessário que a voz da mulher seja ouvida, entendida e considerada diante de sua individualidade; que sejam garantidas as condições mínimas de atendimento à saúde, considerando os aspectos sociais, econômicos e culturais de cada indivíduo, além da devida capacitação por parte da equipe profissional a partir de uma relação sujeito-sujeito que se apresenta como aspecto fundamental rumo à humanização nas instituições de saúde.

Essa relação que caracteriza as sociedades matriarcais apresenta-se como uma visão mais saudável e apropriada a ser resgatada, sobreposta à relação que se destaca atualmente, a qual propõe uma interação separativista de sujeito-objeto para análise e domínio, típica de uma sociedade patriarcal.

Apresenta-se indispensável que as mulheres, gestantes, seus recém-nascidos e família tenham seus direitos mínimos considerados e respeitados.

E é pautado nessa reflexão que a presente monografia propõe discorrer sobre os fatores históricos, cenário atual e possibilidades relacionadas ao processo de gestação, trabalho de parto, parto e puerpério.

Histórico

Historicamente o ciclo referente à gravidez, parto e puerpério esteve sempre circundado por muito mistério e reverência, sendo considerado parte da vida feminina e de domínio exclusivo das mulheres (RESENDE, 2002).

A parturiente dispunha de outras mulheres como auxiliares durante a gestação, trabalho de parto e parto. Estas eram reconhecidas como parteiras, comadres, religiosas, mulheres experientes de confiança da gestante ou reconhecida pela comunidade (BRÜGGEMANN, 2001). Nesse contexto era reconhecida a sabedoria inata feminina em relação ao processo de gerar e parir uma criança, atuante tanto na parturiente como nas mulheres que ofereciam o suporte, representantes da indispensável relação maternal (ODENT, 2011). O conhecimento era transmitido por linguagem verbal e não-verbal, perante uma relação maternal.

Todavia, em decorrência da sociedade patriarcal, foram atribuídos sentimentos de culpa, medo e vergonha relacionados à vivência da sexualidade, contribuindo para o fortalecimento de mitos e histórias, invalidando os saberes femininos inatos. (CARDOSO, 2002)

A partir do século XVIII, na Europa, a medicina voltou-se cada vez mais ao organismo feminino. Assim, a nova especialidade cirúrgica se apresenta, dando inicio à ginecologia e obstetrícia e ao desenvolvimento de práticas de intervenção, com a criação de novos instrumentos obstétricos e aprimoramento dos métodos de diagnóstico. (MARTINS, 2005)

Os tratados de obstetrícia feitos na época apresentavam a “revelação” do então desconhecido, entretanto não se desprendem dos valores sociais e conservadores a respeito da feminilidade. Acabavam por fundamentar as diferenças entre homens e mulheres, subordinando o organismo feminino ao papel exclusivo de reprodução (parir, nutrir e cuidar), limitado à atividade doméstica e ao papel de submissão diante dos homens. (MARTINS, 2005).

A partir do século XIX foram utilizadas estratégias para que os médicos conquistassem espaço e confiança diante da sociedade para a ampliação desse novo campo profissional. Até então haviam obstáculos de ordem moral entre os médicos e as mulheres, mas aos poucos eles foram entrando no meio familiar, colocando-se como aliados das mulheres em assuntos específicos ao gênero, como gravidez, parto, puerpério e queixas ginecológicas. (MARTINS, 2005)

Com a conquista dessa nova relação, as mulheres agora já colaboravam mais com os estudos e práticas desenvolvidas até então e o médico passa a ser reconhecido como uma autoridade. Possibilita-se então uma reestruturações do ensino da medicina, fundamentado na experiência clínica e numa relação de domínio do objeto de estudo: o corpo humano. (MARTINS, 2005)

Houve resistência entre os próprios médicos quanto à necessidade de uma especialidade médica voltada especialmente para o período gestacional e parto, entretanto muitos países europeus acolheram a reforma curricular das faculdades de medicina, fomentando o estudo aprofundado e detalhado do organismo feminino, estudo de técnicas de exame, diagnóstico, intervenções e novas ferramentas obstétricas. O apoderamento desse processo pela medicina levou-o ao ambiente hospitalar e posteriormente às maternidades, a partir de uma ótica objetiva, palpável e projetiva, considerando apenas o corpo da mulher, agora acessível, mapeado e inteligível. (MARTINS, 2005)

Com a medicalização desse evento ocorreu uma redefinição dos processos de gestação e parto, influenciando drasticamente a visão da sociedade sobre este evento, inclusive o trabalho de muitas parteiras, que ao incorporar a idéia de ser possível o controle do nascimento, passaram a ter atitudes intervencionistas, atuando com manobras, ruptura de bolsa, entre outras.

De acordo com Odent (2002), a história da obstetrícia é a história da exclusão da mãe do seu papel central no processo do nascimento. A palavra “obstetra” é derivada do latim ob-stare, que significa: estar de pé, em frente a. Para maior visibilidade e possibilidade de controle e intervenções por parte do obstetra, a mulher deve estar deitada, colocando-se então numa situação de submissão, vulnerabilidade e impotência diante dessa situação.

A sociedade da mesma maneira que foi compelida a aceitar o poder da ciência sobre todo o conhecimento, foi convencida de que o médico sabe tudo, aceitando e acomodando-se na relação de paciente diante dele. Com a institucionalização do parto, a mulher é submetida à posição passiva justamente naquele que deveria ser o seu principal momento de atuação e domínio da situação.

Diante da submissão às rotinas e procedimentos hospitalares e o fato de assumir uma posição passiva no momento do parto, a mulher foi se distanciando do seu saber intuitivo e natural, perdendo o (re)conhecimento do potencial funcional do seu corpo para viver o processo parturitivo (CARDOSO,2007), além de abrir mão de sua privacidade e autonomia, ao ser separada da família e submetida à normas institucionais, rotinas hospitalares e práticas intervencionistas sem o devido esclarecimento e consentimento.

Tudo isso soma-se ao desenvolvimento tecnológico e o uso crescente de aparelhos cada vez mais sofisticados, que acabam legitimando a robotização da assistência durante o período de gestação. Tem-se como conseqüência a exploração de diagnóstico que se baseia no processo de patologização do normal (diante das variantes naturais no período gestacional), gerando preocupações muitas vezes desnecessárias às mães e familiares, além de um direcionamento excessivo da atenção para o bem-estar do feto, deixando a atenção com a mãe, suas sensações e sentimentos, em segundo plano.

Atualidade

O desenvolvimento científico acabou por estabelecer cada vez mais uma visão reducionista e especialista, fragmentando o homem em corpo, mente e espírito. Esse modelo ressoa na sociedade de uma maneira geral, apresentando latente a necessidade de redefinição dos valores e posturas.

A prática obstétrica moderna, transformou o parto num acontecimento médico, freqüentemente cirúrgico e com o uso indiscriminado da tecnologia e de intervenções, muitas vezes isentas de evidencia de sua eficácia. (BRÜGGEMANN, 2001)

Diante desse quadro, novas perspectivas emergem de “novos” valores sociais, morais e éticos e a compreensão multidimencional do ser torna-se fundamental de forma a reconhecer que tudo é interdependente.

A primeira tentativas de busca da humanização na assistência obstétrica foi a introdução de cursos de profilaxia para o parto, que trazem como proposta auxiliar a gestante e o casal grávido à vivenciarem de forma tranqüila e ativa o processo do nascimento. (BRUGGEMANN, 2001)

Tal iniciativa propõe uma atenção diferenciada, compreendendo o nascimento não apenas como um evento biológico, mas contextualizando-o culturalmente e individualmente.

O sistema de saúde brasileiro, que restringia a mulher em sua especificidade biológica, teve então seu modelo reformulado. A partir de então manuais e atividades educativas destinadas à gestantes e/ou casais grávidos foram publicados “a fim de promover orientações gerais sobre os cuidados na gestação, alterações fisiológicas e emocionais, cuidados com o recém-nascido, amamentação e planejamento familiar, assim como envolver o pai, respeitando a cultura e o saber popular para facilitar a participação ativa no parto”(MS, 2002).

Iniciativas e propostas de mudança no atendimento tem se apresentado, entretanto a mudança paradigmática necessária ainda se mostra como um desafio em uma sociedade moldada a pensar e agir a partir do modelo biomédico tecnocrático, seguindo critérios interessantes para as autoridades.

Em pesquisa acerca das civilizações na história da humanidade que desapareceram, Diamond traz dois aspectos comuns ao “fracasso” de todas elas: danos ambientais e a resposta da sociedade aos danos ambientais, o que indica o determinismo de como nos relacionamos com o ambiente em que vivemos. Diante desses dados, Ricardo Jones (2011) relaciona a análise a um preocupante dano ambiental praticado pela sociedade contemporânea: o de destruir a capacidade feminina de parir naturalmente e a separação precoce do bebê recém-nascido de sua mãe.

Esparta é um exemplo de civilização antiga na qual era comum a separação das crianças de suas mães para rituais de iniciação de guerreiros, o agogê. Nesta separação a mãe está relacionada ao amor, carinho e afeto e, sem essa referencia, a criança estará preparando-se para a vida violenta e brutal dos cenários de guerra. (JONES, 2011)

Pesquisas apontam a violência associada a complicações de parto e a separação precoce da mãe, assim como o vício por drogas associado à analgesia durante o trabalho de parto (JONES, 2011)

Isso nos leva a reconhecer a prática do ciclo vicioso no qual uma sociedade violenta produz partos violentos e partos violentos irão produzir uma sociedade violenta. Para tornar esse ciclo um círculo virtuoso o movimento sugere à humanização, a qual visa o protagonismo da mulher e uma visão integrativa do nascimento, embasados em evidencias científicas buscando segurança de forma ecologicamente determinada. (JONES, 2011)

Odent em A Cientificação do Amor (2000), relaciona o ato amoroso como elemento fundamental para o equilibrio do ser humano, sendo o período desde a concepção até o primeiro ano de vida, alicerce da saúde humana, ressoando diretamente na sociabilidade de cada ser humano.

Educação Perinatal

O acompanhamento pré-natal humanizado se apresenta como ferramenta indispensável quando se busca a vivencia desse processo de gestação, parto e pós-parto de uma forma mais integra e participativa.

São pontuados aspectos importantes indissociáveis da saúde integral principalmente da mãe e do bebê, mas também da família que acompanha e interage de maneira importante durante todo o processo.

Sabiamente o corpo feminino concebe cerca de dez ciclos lunares (as aproximadas 42 semanas de gestação) como uma oportunidade para que se possa assimilar o processo gestacional e o novo bebê que está por vir e retomar a atenção ao íntimo interior, buscando a harmonia nos aspectos físico, mental, emocional e espiritual, para vivenciar o momento da melhor maneira possível.

Durante o acompanhamento pré-natal faz-se de extrema importância a associação do processo de nascimento ao seu contexto emocional, considerando o potencial de transformação desse momento. Quando o suporte necessário à mulher se faz presente, existe a possibilidade para que ela se sinta mais confiante, podendo vivenciar o processo de forma positiva e mais fisiológica, a partir da lógica de que todos os processos fisiológicos humanos podem e são alterados pelos processos psicológicos. (TANESE NOGUEIRA, 2011)

Zahn (2005) coloca a importância da gestante se conscientizar sobre a sensibilidade do embrião aos sentimentos vividos por ela, através de estímulos hormonais relacionados a cada um deles ou até mesmo em âmbito mais sutil.

Além dessa abertura para serem trabalhadas as questões emocionais iniciais que ajudam na aceitação da mulher ao novo momento, é indispensável a consideração pela adaptação do pai, ao pensarmos em uma gravidez cuja figura masculina esteja presente e disposta a “engravidar” junto, considerando e respeitando sempre o espaço de atuação e a necessidade do empoderamento, confiança e autonomia por parte da gestante durante este ciclo.

A atenção aos hábitos alimentares é também fundamental e é trazida por Odent (2003) de uma maneira pontual, considerando a relação entre a saúde fetal e maternal e a agricultura orgânica e o zelo pelo momento de nos alimentarmos. Além da importância da freqüência e qualidade nutricional administrada durante toda a gravidez que também deve ser abordada no acompanhamento pré-natal.

O conhecimento do funcionamento fisiológico da gestação e parto apresentam-se como indispensáveis aliados para o processo de empoderamento da gestante para uma atuação ativa neste período. Além da prática de atividades físicas voltadas ao período gestacional muito indicada para preparo do parto e para “assimilação” das mudanças do corpo que se transforma muito rapidamente.

Tendo-se como objetivo conscientizar, educar e promover a autonomia da gestante faz-se indispensável informá-la a respeito dos procedimentos e rotinas hospitalares que envolvem o trabalho de parto hospitalar, assim como seus direitos de informação, participação e escolha acerca dos encaminhamentos feitos pela equipe profissional e demais especificidades de acordo com a legislação.

Considerações finais

Apesar do próprio Ministério da Saúde reconhecer a necessidade de conscientização e os benefícios de uma participação ativa por parte da gestante, esse modelo pelo qual o sistema médico se baseia é oposto, não permitindo a efetivação dos conceitos pelo interesse comercial que a enorme freqüência de partos hospitalizados gera e pela falta de capacitação dos profissionais para a efetivação de um atendimento mais humanizado.

A partir do momento em que é a esse sistema que recorremos na gestação, somos limitados na relação proposta atualmente de médico-paciente, que nos coloca em uma situação passiva diante das imposições e interesses.

A atuação de educadores perinatais, apresenta-se então como um importante aliado ao processo de humanização do atendimento à saúde.

Diante da diversidade profissional, a Naturologia se apresenta como um modelo ao atuar a partir da proposta de um novo paradigma para os cuidados em saúde. O naturólogo se coloca como “terapeuta-educador”,que intervém na vida do “paciente”, na naturologia chamado interagente, com o objetivo de empoderá-lo para que tenha a consciência da sua co-responsabilidade pela própria saúde. Pretendendo, diante dessa visão, desenvolver e ampliar a auto-reflexão, o auto-conhecimento e o auto-cuidado do interagente. Sempre visando o exercício da autonomia pelo indivíduo.

A iniciativa de redefinição do termo se faz evidente e indispensável: “Ao invés de ‘paciente’ (que remete a passividade) e ‘cliente’ (utilizado no âmbito comercial), o termo interagente (aquele que interage) é designado à pessoa cuidada. Assim sendo essa deixa de ser passiva e passa a fazer parte fundamental de seu próprio tratamento, invés de depositar sobre o terapeuta a total responsabilidade pela sua saúde”. (PAGANI, 1999; BELL, 2007). Essa revisão também se faz necessária na relação terapeuta-paciente pela necessidade de reconhecimento da “influência mútua que ocorre no processo terapêutico” (HELLMAN; MARTINS, 2008).

Assim, diante do reconhecimento da complexidade que permeia a gestação, desde o pré-natal ao pós-parto, torna-se clara a necessidade de uma abordagem que busca a transdiciplinaridade e propõe a valorização e o resgate da visão multidimencional e integrativa do ser humano, compreendendo o indivíduo em sua totalidade nos aspectos físicos, fisiológicos, energéticos e psicológicos, seus hábitos, crenças e costumes, além de suas relações com o ambiente e com a sociedade (RODRIGUES, in:MARTINS; HAGEN, 2007).

Bibliografia

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  • www.wikipedia.org

Trabalho final de conclusão do curso online de formação de Educadora Perinatal da ONG Amigas do Parto, realizado no segundo semestre de 2011. Email: elizamak@gmail.com Eliza Lins Menucci MakrayIntrodução “Para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer” Michel OdentAtualmente tem-se apresentado evidente os aspectos relacionados ao atendimento desumanizado nas instituições de saúde. Reflexões sobre o nascimento estão sendo cada vez mais discutidas a partir das conseqüências atribuídas ao abuso da autoridade representada pelos profissionais de saúde, transparecendo absurda deficiência na capacitação dos mesmos. A humanização do atendimento e dos profissionais da área da saúde está ligada a revisão do olhar diante do ser humano e resignificação do relacionamento inter-pessoal proposto até então pela medicina ocidental. A origem da palavra cuidar vem do latim cour – traduzido como amor; amizade (que também deu origem à coeur e cuore – coração em francês e italiano respectivamente). O sentido primordial da palavra cuidar oferece-nos os conceitos necessários para a reflexão sobre o cuidado exercido atualmente e aquele que precisa ser resgatado: de acolhimento, respeito, troca, diante de uma relação de reciprocidade, complementaridade a partir de uma convivência amorosa. (GOLÇALVES, 2011)Visto a necessidade de resgate do reconhecimento do potencial da mulher durante a gestação, trabalho de parto e parto para este seja um processo saudável, a humanização do atendimento por parte da equipe responsável pelo auxílio à parturiente torna-se fator fundamental.A Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde reconhecem a importância da humanização do atendimento nas instituições de saúde visando autonomia da gestante diante seu direito de informação, escolha e participação em todos os processos e procedimentos avaliados como necessário. Porém, atualmente, o pleno exercício dessa autonomia é dificultado uma vez que valores e ideologias são impostos através de práticas rotineiras desatualizadas e intervenções desnecessárias que insistem em imperar nas instituições de saúde, juntamente com a desinformação por parte das gestantes que, por ignorância das leis e do próprio processo biológico pelo qual estão passando, não conseguem exercer seu direito à autonomia.A falta de encorajamento à participação ativa da mulher nos processos apropriados pela medicina, desestimula o pensamento crítico-reflexivo, este que ressoaria na iniciativa de reinvidicação, que por sua vez ressoaria no poder do individuo perante a sociedade. (BENTO, 2005) A mulher apenas exerceria domínio sobre seu corpo e mente e atuaria de maneira ativa em todos os processos e intervenções as quais nela fossem executadas, a partir do momento em que sua cidadania fosse devidamente resgatada. Para tanto se faz necessário que a voz da mulher seja ouvida, entendida e considerada diante de sua individualidade; que sejam garantidas as condições mínimas de atendimento à saúde, considerando os aspectos sociais, econômicos e culturais de cada indivíduo, além da devida capacitação por parte da equipe profissional a partir de uma relação sujeito-sujeito que se apresenta como aspecto fundamental rumo à humanização nas instituições de saúde. Essa relação que caracteriza as sociedades matriarcais apresenta-se como uma visão mais saudável e apropriada a ser resgatada, sobreposta à relação que se destaca atualmente, a qual propõe uma interação separativista de sujeito-objeto para análise e domínio, típica de uma sociedade patriarcal.Apresenta-se indispensável que as mulheres, gestantes, seus recém-nascidos e família tenham seus direitos mínimos considerados e respeitados.E é pautado nessa reflexão que a presente monografia propõe discorrer sobre os fatores históricos, cenário atual e possibilidades relacionadas ao processo de gestação, trabalho de parto, parto e puerpério.HistóricoHistoricamente o ciclo referente à gravidez, parto e puerpério esteve sempre circundado por muito mistério e reverência, sendo considerado parte da vida feminina e de domínio exclusivo das mulheres (RESENDE, 2002).A parturiente dispunha de outras mulheres como auxiliares durante a gestação, trabalho de parto e parto. Estas eram reconhecidas como parteiras, comadres, religiosas, mulheres experientes de confiança da gestante ou reconhecida pela comunidade (BRÜGGEMANN, 2001). Nesse contexto era reconhecida a sabedoria inata feminina em relação ao processo de gerar e parir uma criança, atuante tanto na parturiente como nas mulheres que ofereciam o suporte, representantes da indispensável relação maternal (ODENT, 2011). O conhecimento era transmitido por linguagem verbal e não-verbal, perante uma relação maternal.Todavia, em decorrência da sociedade patriarcal, foram atribuídos sentimentos de culpa, medo e vergonha relacionados à vivência da sexualidade, contribuindo para o fortalecimento de mitos e histórias, invalidando os saberes femininos inatos. (CARDOSO, 2002)A partir do século XVIII, na Europa, a medicina voltou-se cada vez mais ao organismo feminino. Assim, a nova especialidade cirúrgica se apresenta, dando inicio à ginecologia e obstetrícia e ao desenvolvimento de práticas de intervenção, com a criação de novos instrumentos obstétricos e aprimoramento dos métodos de diagnóstico. (MARTINS, 2005)Os tratados de obstetrícia feitos na época apresentavam a “revelação” do então desconhecido, entretanto não se desprendem dos valores sociais e conservadores a respeito da feminilidade. Acabavam por fundamentar as diferenças entre homens e mulheres, subordinando o organismo feminino ao papel exclusivo de reprodução (parir, nutrir e cuidar), limitado à atividade doméstica e ao papel de submissão diante dos homens. (MARTINS, 2005).A partir do século XIX foram utilizadas estratégias para que os médicos conquistassem espaço e confiança diante da sociedade para a ampliação desse novo campo profissional. Até então haviam obstáculos de ordem moral entre os médicos e as mulheres, mas aos poucos eles foram entrando no meio familiar, colocando-se como aliados das mulheres em assuntos específicos ao gênero, como gravidez, parto, puerpério e queixas ginecológicas. (MARTINS, 2005)Com a conquista dessa nova relação, as mulheres agora já colaboravam mais com os estudos e práticas desenvolvidas até então e o médico passa a ser reconhecido como uma autoridade. Possibilita-se então uma reestruturações do ensino da medicina, fundamentado na experiência clínica e numa relação de domínio do objeto de estudo: o corpo humano. (MARTINS, 2005)Houve resistência entre os próprios médicos quanto à necessidade de uma especialidade médica voltada especialmente para o período gestacional e parto, entretanto muitos países europeus acolheram a reforma curricular das faculdades de medicina, fomentando o estudo aprofundado e detalhado do organismo feminino, estudo de técnicas de exame, diagnóstico, intervenções e novas ferramentas obstétricas. O apoderamento desse processo pela medicina levou-o ao ambiente hospitalar e posteriormente às maternidades, a partir de uma ótica objetiva, palpável e projetiva, considerando apenas o corpo da mulher, agora acessível, mapeado e inteligível. (MARTINS, 2005)Com a medicalização desse evento ocorreu uma redefinição dos processos de gestação e parto, influenciando drasticamente a visão da sociedade sobre este evento, inclusive o trabalho de muitas parteiras, que ao incorporar a idéia de ser possível o controle do nascimento, passaram a ter atitudes intervencionistas, atuando com manobras, ruptura de bolsa, entre outras.De acordo com Odent (2002), a história da obstetrícia é a história da exclusão da mãe do seu papel central no processo do nascimento. A palavra “obstetra” é derivada do latim ob-stare, que significa: estar de pé, em frente a. Para maior visibilidade e possibilidade de controle e intervenções por parte do obstetra, a mulher deve estar deitada, colocando-se então numa situação de submissão, vulnerabilidade e impotência diante dessa situação.A sociedade da mesma maneira que foi compelida a aceitar o poder da ciência sobre todo o conhecimento, foi convencida de que o médico sabe tudo, aceitando e acomodando-se na relação de paciente diante dele. Com a institucionalização do parto, a mulher é submetida à posição passiva justamente naquele que deveria ser o seu principal momento de atuação e domínio da situação.Diante da submissão às rotinas e procedimentos hospitalares e o fato de assumir uma posição passiva no momento do parto, a mulher foi se distanciando do seu saber intuitivo e natural, perdendo o (re)conhecimento do potencial funcional do seu corpo para viver o processo parturitivo (CARDOSO,2007), além de abrir mão de sua privacidade e autonomia, ao ser separada da família e submetida à normas institucionais, rotinas hospitalares e práticas intervencionistas sem o devido esclarecimento e consentimento. Tudo isso soma-se ao desenvolvimento tecnológico e o uso crescente de aparelhos cada vez mais sofisticados, que acabam legitimando a robotização da assistência durante o período de gestação. Tem-se como conseqüência a exploração de diagnóstico que se baseia no processo de patologização do normal (diante das variantes naturais no período gestacional), gerando preocupações muitas vezes desnecessárias às mães e familiares, além de um direcionamento excessivo da atenção para o bem-estar do feto, deixando a atenção com a mãe, suas sensações e sentimentos, em segundo plano.AtualidadeO desenvolvimento científico acabou por estabelecer cada vez mais uma visão reducionista e especialista, fragmentando o homem em corpo, mente e espírito. Esse modelo ressoa na sociedade de uma maneira geral, apresentando latente a necessidade de redefinição dos valores e posturas.A prática obstétrica moderna, transformou o parto num acontecimento médico, freqüentemente cirúrgico e com o uso indiscriminado da tecnologia e de intervenções, muitas vezes isentas de evidencia de sua eficácia. (BRÜGGEMANN, 2001)Diante desse quadro, novas perspectivas emergem de “novos” valores sociais, morais e éticos e a compreensão multidimencional do ser torna-se fundamental de forma a reconhecer que tudo é interdependente.A primeira tentativas de busca da humanização na assistência obstétrica foi a introdução de cursos de profilaxia para o parto, que trazem como proposta auxiliar a gestante e o casal grávido à vivenciarem de forma tranqüila e ativa o processo do nascimento. (BRUGGEMANN, 2001)Tal iniciativa propõe uma atenção diferenciada, compreendendo o nascimento não apenas como um evento biológico, mas contextualizando-o culturalmente e individualmente.O sistema de saúde brasileiro, que restringia a mulher em sua especificidade biológica, teve então seu modelo reformulado. A partir de então manuais e atividades educativas destinadas à gestantes e/ou casais grávidos foram publicados “a fim de promover orientações gerais sobre os cuidados na gestação, alterações fisiológicas e emocionais, cuidados com o recém-nascido, amamentação e planejamento familiar, assim como envolver o pai, respeitando a cultura e o saber popular para facilitar a participação ativa no parto”(MS, 2002).Iniciativas e propostas de mudança no atendimento tem se apresentado, entretanto a mudança paradigmática necessária ainda se mostra como um desafio em uma sociedade moldada a pensar e agir a partir do modelo biomédico tecnocrático, seguindo critérios interessantes para as autoridades.Em pesquisa acerca das civilizações na história da humanidade que desapareceram, Diamond traz dois aspectos comuns ao “fracasso” de todas elas: danos ambientais e a resposta da sociedade aos danos ambientais, o que indica o determinismo de como nos relacionamos com o ambiente em que vivemos. Diante desses dados, Ricardo Jones (2011) relaciona a análise a um preocupante dano ambiental praticado pela sociedade contemporânea: o de destruir a capacidade feminina de parir naturalmente e a separação precoce do bebê recém-nascido de sua mãe.Esparta é um exemplo de civilização antiga na qual era comum a separação das crianças de suas mães para rituais de iniciação de guerreiros, o agogê. Nesta separação a mãe está relacionada ao amor, carinho e afeto e, sem essa referencia, a criança estará preparando-se para a vida violenta e brutal dos cenários de guerra. (JONES, 2011)Pesquisas apontam a violência associada a complicações de parto e a separação precoce da mãe, assim como o vício por drogas associado à analgesia durante o trabalho de parto (JONES, 2011)Isso nos leva a reconhecer a prática do ciclo vicioso no qual uma sociedade violenta produz partos violentos e partos violentos irão produzir uma sociedade violenta. Para tornar esse ciclo um círculo virtuoso o movimento sugere à humanização, a qual visa o protagonismo da mulher e uma visão integrativa do nascimento, embasados em evidencias científicas buscando segurança de forma ecologicamente determinada. (JONES, 2011)Odent em A Cientificação do Amor (2000), relaciona o ato amoroso como elemento fundamental para o equilibrio do ser humano, sendo o período desde a concepção até o primeiro ano de vida, alicerce da saúde humana, ressoando diretamente na sociabilidade de cada ser humano.Educação PerinatalO acompanhamento pré-natal humanizado se apresenta como ferramenta indispensável quando se busca a vivencia desse processo de gestação, parto e pós-parto de uma forma mais integra e participativa.São pontuados aspectos importantes indissociáveis da saúde integral principalmente da mãe e do bebê, mas também da família que acompanha e interage de maneira importante durante todo o processo.Sabiamente o corpo feminino concebe cerca de dez ciclos lunares (as aproximadas 42 semanas de gestação) como uma oportunidade para que se possa assimilar o processo gestacional e o novo bebê que está por vir e retomar a atenção ao íntimo interior, buscando a harmonia nos aspectos físico, mental, emocional e espiritual, para vivenciar o momento da melhor maneira possível.Durante o acompanhamento pré-natal faz-se de extrema importância a associação do processo de nascimento ao seu contexto emocional, considerando o potencial de transformação desse momento. Quando o suporte necessário à mulher se faz presente, existe a possibilidade para que ela se sinta mais confiante, podendo vivenciar o processo de forma positiva e mais fisiológica, a partir da lógica de que todos os processos fisiológicos humanos podem e são alterados pelos processos psicológicos. (TANESE NOGUEIRA, 2011)Zahn (2005) coloca a importância da gestante se conscientizar sobre a sensibilidade do embrião aos sentimentos vividos por ela, através de estímulos hormonais relacionados a cada um deles ou até mesmo em âmbito mais sutil.Além dessa abertura para serem trabalhadas as questões emocionais iniciais que ajudam na aceitação da mulher ao novo momento, é indispensável a consideração pela adaptação do pai, ao pensarmos em uma gravidez cuja figura masculina esteja presente e disposta a “engravidar” junto, considerando e respeitando sempre o espaço de atuação e a necessidade do empoderamento, confiança e autonomia por parte da gestante durante este ciclo.A atenção aos hábitos alimentares é também fundamental e é trazida por Odent (2003) de uma maneira pontual, considerando a relação entre a saúde fetal e maternal e a agricultura orgânica e o zelo pelo momento de nos alimentarmos. Além da importância da freqüência e qualidade nutricional administrada durante toda a gravidez que também deve ser abordada no acompanhamento pré-natal.O conhecimento do funcionamento fisiológico da gestação e parto apresentam-se como indispensáveis aliados para o processo de empoderamento da gestante para uma atuação ativa neste período. Além da prática de atividades físicas voltadas ao período gestacional muito indicada para preparo do parto e para “assimilação” das mudanças do corpo que se transforma muito rapidamente.Tendo-se como objetivo conscientizar, educar e promover a autonomia da gestante faz-se indispensável informá-la a respeito dos procedimentos e rotinas hospitalares que envolvem o trabalho de parto hospitalar, assim como seus direitos de informação, participação e escolha acerca dos encaminhamentos feitos pela equipe profissional e demais especificidades de acordo com a legislação.Considerações finaisApesar do próprio Ministério da Saúde reconhecer a necessidade de conscientização e os benefícios de uma participação ativa por parte da gestante, esse modelo pelo qual o sistema médico se baseia é oposto, não permitindo a efetivação dos conceitos pelo interesse comercial que a enorme freqüência de partos hospitalizados gera e pela falta de capacitação dos profissionais para a efetivação de um atendimento mais humanizado. A partir do momento em que é a esse sistema que recorremos na gestação, somos limitados na relação proposta atualmente de médico-paciente, que nos coloca em uma situação passiva diante das imposições e interesses.A atuação de educadores perinatais, apresenta-se então como um importante aliado ao processo de humanização do atendimento à saúde. Diante da diversidade profissional, a Naturologia se apresenta como um modelo ao atuar a partir da proposta de um novo paradigma para os cuidados em saúde. O naturólogo se coloca como “terapeuta-educador”,que intervém na vida do “paciente”, na naturologia chamado interagente, com o objetivo de empoderá-lo para que tenha a consciência da sua co-responsabilidade pela própria saúde. Pretendendo, diante dessa visão, desenvolver e ampliar a auto-reflexão, o auto-conhecimento e o auto-cuidado do interagente. Sempre visando o exercício da autonomia pelo indivíduo.A iniciativa de redefinição do termo se faz evidente e indispensável: “Ao invés de ‘paciente’ (que remete a passividade) e ‘cliente’ (utilizado no âmbito comercial), o termo interagente (aquele que interage) é designado à pessoa cuidada. Assim sendo essa deixa de ser passiva e passa a fazer parte fundamental de seu próprio tratamento, invés de depositar sobre o terapeuta a total responsabilidade pela sua saúde”. (PAGANI, 1999; BELL, 2007). Essa revisão também se faz necessária na relação terapeuta-paciente pela necessidade de reconhecimento da “influência mútua que ocorre no processo terapêutico” (HELLMAN; MARTINS, 2008). Assim, diante do reconhecimento da complexidade que permeia a gestação, desde o pré-natal ao pós-parto, torna-se clara a necessidade de uma abordagem que busca a transdiciplinaridade e propõe a valorização e o resgate da visão multidimencional e integrativa do ser humano, compreendendo o indivíduo em sua totalidade nos aspectos físicos, fisiológicos, energéticos e psicológicos, seus hábitos, crenças e costumes, além de suas relações com o ambiente e com a sociedade (RODRIGUES, in:MARTINS; HAGEN, 2007).Bibliografia BALASKAS, Janet. Parto Ativo: guia prático para o parto natural. São Paulo: Gound, 2008. BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra. Petrópolis: Vozes, 1999. BENTO, Paulo Alexandre de Souza São. A enfermagem e a assistência à mulher no parto normal: a voz de mulheres submetidas à episiotomia. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005. CARDOSO, Ângela Maria R.; SANTOS, Silvéria Maria dos; MENDES, Vanja B. 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JONES, Ricardo Herbert. Palestra – SESC Cacupé. Florianópolis, 17/12/2011. HELLMANN, Fernando; WEDEKIN, Luana M. O livro das interagências: estudo dos casos em naturologia. Tubarão: Unisul, 2008. HELLMANN, Fernando; WEDEKIN, Luana M.; DELLAGIUSTINA, Marilene. Naturologia aplicada: reflexões sobre saúde integral. Tubarão: Unisul, 2008. LEBOYER, Frédérick. Se me contassem o parto. São Paulo: Ground, 1998. MARTINS, Ana Paula Vosne. A ciência dos partos: visões do corpo feminino na constituição da obstetrícia científica no século XIX. Florianópolis: Revista Estudos Feministas, 2005. - Artigo disponível como bibliografia do curso de Educação Perinatal – Ong. Amigas do Parto, 2011. MARTINS, Ana Paula Vosne. História da Maternidade no Brasil: Arquivos, Fontes e Possibilidades de Análise. Departamento de História daUniversidade Federal do Paraná. 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