PREPARAR-SE AO PARTO MUDANDO A PERSPECTIVA


Fico, à vezes, perplexa diante do desconhecimento e da confusão a respeito do parto alastrada entre mulheres e médicos. O outro dia, recebi a seguinte mensagem: “Olá, estou com 40 semanas e 4 dias e nem sinal da minha bebê. Estou fazendo acompanhamento dia sim, dia não na maternidade (exame de toque e cardiotocografia) e eles vão aguardar até 41 semanas e 3 dias. A única coisa que tenho ouvido do médico é que tenho 1.5 cm de dilatação, útero alto e espesso. Posso desistir do parto normal ou ainda posso manter a esperança? Existe algo que eu possa fazer para ajudar no parto? Obrigada.”

A pergunta nasce da intuição certa, de que é preciso esperar pela natureza, mas está tão enfraquecida pelas contexto que a mulher justamente duvida, e lança um último desesperado apelo: há esperança? O que está errado aqui não é o desejo dela, o qual, mesmo que débil e tímido, ainda existe. O problema está na abordagem geral ao que ocorre, o trágico aloca-se na forma de enxergar as coisas e, portanto, de lidar com elas. Eis a minha resposta:

“Para um parto seguro você pode esperar até as 42 semanas. O toque e a tocografia dia sim e dia, às quais está sendo submetida, não só estão aumentando seu nível de estresse e de insegurança, como não se sustentam se sua gravidez é de baixo risco (evidente pelo fato de que está ainda com seu filho no ventre). Sabia que não existe conhecimento certeiro sobre o que é que desencadea o parto? Isto porque não se trata de algo DE FORA, de cálculos e exames. Surge de dentro. Ao invés de recorrer a artifícios e malabarismos tecnológicos: 1) concentra-se em si mesma 2) faça longas caminhadas 3) medide, solte o pensamento 4) solte seus sentimentos e averigue se há algo que a bloquea 5) converse com seu bebê 6) confira se tem confiança nele e em você mesma 7) abra sua alma, sua mente, seu coração 8) diga adeus ao passado 9) reze, ore, crie um canto íntimo só para você 10) afaste TUDO e TODOS que possam atrapalhar o momento sagrado do nascimento Assim, entregue-se. Mergulhe no processo. Entre nele de corpo e alma. Este é o momento. Não acontecerá mais em sua vida. É uma oportunidade única para você se conectar, sentir, vivenciar algo profundo em si mesma. É uma prova, um teste, uma passagem. Momento de renovação, inspiração e espiração, reciclando a vida. Renascendo. É dessa experiência que você precisa, não de toques, tocografias, e blábláblá obstétricos. É hora da borboleta sair do casulo.” Espero que a borboleta tenha nascido usando seus superpoderes. Empoderamento é isto: acreditar em si mesmos, entregar-se ao processo, à vida, às passagens da vida.

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

#Partopreparação

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