DEPRESSÃO PÓS-PARTO: CONTEXTUALIZANDO E USANDO O BOM SENSO

"O pós-parto é um período de risco psiquiátrico aumentado no ciclo de vida da mulher. A depressão pós-parto, também conhecida como postpartum blues, pode se manifestar com intensidade variável, tornando-se um fator que dificulta o estabelecimento de um vínculo afetivo seguro entre mãe e filho, podendo interferir nas futuras relações interpessoais estabelecidas pela criança. ...

Apesar das controvérsias, vários fatores podem ser mencionados como possível causa da depressão pós-parto, entre eles:

Fatores biológicos

São os resultantes da grande variação nos níveis de hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) circulantes e de uma alteração no metabolismo das catecolaminas causando alteração no humor, podendo contribuir para a instalação do quadro depressivo.

Fatores psicológicos

São os originados de sentimentos conflituosos da mulher em relação:

- a si mesma, como mãe

- ao bebê

- ao companheiro

- a si mesma, como filha de sua própria mãe

Outros fatores, relacionados às condições do parto, à situação social e familiar da mulher gerando sobrecarga, também podem desencadear esses distúrbios."

Este texto extraído do site ABC da Saúde serve como alerta mas deve ser lido com senso crítico.

A psiquiatria, como a obstetrícia, tende a enxergar o síntoma sem ver o contexto. Assim como o médico obstetra tradicional não sabe lidar com a individualidade da mulher, o psiquiatra tradicional não insere os sintomas dentro de um contexto significativo.

No caso do parto, precisamos pensar e nos perguntar:

1) A gestação foi escolhida?

2) A mulher tem condições econômicas, sociais e profissionais satisfatórias?

3) Como é a relação com a mãe e a família de origem?

4) Como é a relação de casal?

5) Quais são os projetos profissionais da mulher e como pensa em administrá-los após o nascimento do bebê?

6) Ela tem amigas e suporte emocional?

7) O marido ajuda?

Cada problema está inserido numa situação mais ampla. É como aquelas bonecas russas, uma dentro da outra. Não adianta tratar a pequenina quando ela se encontra dentro de várias outras que estão contaminadas. O resultado que obteremos é uma mulher que se considera doente, cuja postura perante a vida vai mudar para pior. É importar pensar que toda as vezes que damos ou nos damos um diagnóstico estamos nos encerrando numa caixa. Estando formadas desta maneira, o mundo terá que moldar-se também e assim acontecerá com nossas relações, inclusive a com o bebê.

Uma "caixa" pesada como a que se chama "depressão" implica num mundo escuro, pequeno e limitado, do qual pode ser muito mais difícil sair do que entrar. Ao inves de fecharmo-nos numa caixa como esta, se reconhecermos um a um os vários elementos que concorrem ao nosso mal estar, podemos ir modificando uma coisa aqui outra ali, sendo desta forma ativas e indo em frente. Como qualquer um pode ver, as perguntas acima não recebem resposta positiva na grande maioria dos casos. Sobretudo hoje, sobretudo num mundo complicado e em rápida e confusa mudança como o atual. O que esperamos das mulheres?

Toda grande mudança existencial é difícil. Há pessoas que não se sentem capazes de enfrentá-la, mas se bem orientadas darão os passinhos que aos poucos as levará para fora do momento crítico.

É preciso muito bom senso e sensibilidade humana.

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

#Depressãopósparto

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