EMPODERANDO O PAI

February 8, 2017

 

 

Está se tornando sempre mais comum o pai querer acompanhar o parto de seu filho e esbarrar na proibição do hospital e/ou do médico. Ou, então, ser cobrado pela instituição para poder entrar na sala de parto. Perplexo e dividido entre o que o médico e/ou a maternidade dizem e o que ele deseja, o pai não sabe o que fazer e não tem, geralmente,  suficiente informação para contrapor às justificativas do profissional.


Percebemos que há certa confusão a esse respeito.


Muitas vezes, a cesárea – supostamente “necessária” – é a razão usada pelos médicos para afastar o pai; outras, é porque o hospital “não permite estranhos”. O pai, de uma maneira ou de outra, é excluído, colocado de lado e calado.


Apesar da lei nacional lei n.º 11.108/2005 (Lei do Acompanhante) ser de conhecimento público, ela não é aplicada e, pior, não existem sanções para sua violação. Criou-se uma lei, mas não as punições para seu descumprimento, o que resulta numa piada de mau gosto contra os usuários.


Pais e mães encontram-se assim à mercê da boa vontade de profissionais e hospitais. A situação sugere uma única médida a ser tomada: o auto-empoderamento do pai e sua ação firme e cidadã. É evidente que não irá receber de bandeja o que quer, é preciso fazer acontecer.


Seguem algumas orientações:


1) Em primeiro lugar, precisamos ter sempre em mente que partos não se agendam. A menos que haja comprovado perigo de vida para mãe e bebê. Nesse caso, também, não se agendam: acontecem na emergência.


2) Em segundo lugar, cesáreas se revelam como necessárias SOMENTE APÓS o INÍCIO do trabalho de parto, e já com trabalho de parto ADIANTADO. Antes disso é abusivo, prejudicial e anti-ético retirar uma criança saudável do útero materno. Mesmo o bebê estando sentado e mesmo a mulher querendo uma cesárea, é preciso ter um mínimo de respeito pelo próprio filho e esperar pelo término natural da gestação, cujo sinal será dado pelo início do trabalho de parto.


3) Saiba mais sobre a lei, se informe. Leia o artigo do advogado Rafael Felício Jr., que escreveu a respeito da realidade da Lei do Acompanhante.


4) Lembre-se que todos os direitos da história humana só chegaram a ser garantidos e aplicados porque alguém os exigiu. Exigia o seu. Insista, seja determinado, mostre que está a par da realidade e que não irá desistir facilmente.


5) Confira se é o hospital que não quer sua presença, ou se é o médico que está usando essa desculpa porque não o quer na sala parto. Confira o testemunho de um pai que passou por isso.


6) Se é um DIREITO estar presente ao nascimento de seu filho, cobrar-lhe uma taxa para você exercer um direito garantido por lei deveria ser illegal. Neste caso, deveríamos ser cobrados todas as vezes que vamos votar!


Humanização é também resgatar o pai e a paternidade do descaso e atraso no qual muitas vezes estão abandonados. O pai pode ser o melhor amigo e acompanhante de parto. Certamente participar do nascimento de seu filho irá promover relações mais íntimas e profundas e uma paternidade mais responsável e plena.


Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, autora, educadora perinatal e fundadora da ONG Amigas do Parto

www.adrianatanesenogueira.org

 

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