PAI, PARTO E MACHISMO

February 8, 2017

 

 

“Olá!

 

O movimento pela presença do pai não nasceu apenas de cabeças e corações sensíveis, ele vem ao encontro de um movimento da sociedades a respeito dos novos papeis de mulheres e homens, junto a uma critica do machismo, que tão perverso e que fragiliza não só as mulheres mas também os homens.

 

Esse movimento ainda é bastante tímido especialmete porque os homens ainda nao o assumiram para si. Parir continua uma questão feminina e acho que sempre será, mas ser pai faz parte do masculino.


A presença do homem nos partos é um momento importante que pode ajudá-lo na elaboração dessa paternidade até hoje tão negada e negligenciada, tanto por homens como pelas mulheres, as quais acabam assumindo TUDO para si.


Conheço muitos relatos de homens que queriam participar do parto de suas companheiras mas formam barrados pela maternidade, as quais despejam todos os tipos de justificativas para dificultar a sua entrada. O pior é que eles aceitam essas justificativas, e penso que esse entendimento pode estar baseado, justamente no modelo médico que também é machista. Então, como ir contra alguma coisa com as quais eles também são coniventes?


Sempre converso com os casais no sentido de que, se ambos querem que o pai entre no parto, ele deve tomar a frente na "briga" com a maternidade. A mulher que está em trabalho de parto deve cuidar de seu parto e não brigar com a maternidade para que seu marido a acompanhe. Muitos têm garantido desta forma sua entrada.


Outra questão é diferenciar o que é o pai visita e o que é pai acompanhante. Os homens precisam sair da posicão de visitantes e tomarem a posição de também protagonistas do parto de seus filhos.

        

         Beijo

         Maria Rita Cassia Almeida

         Enfermeira Obstetra

         Aluna do curso de Humanização 2009"

 

 

Maria Rita!

 

Você falou bem. Está clara a interrelação entre pai no parto, machismo, passividade dos pais e modelo médico machista.

 

O parto é ainda visto como das mulheres – coisas que É, de fato, mas não no sentido de que o pai estaria excluido. É da mulher porque é ela que o FAZ, é dela, é o corpo dela, é a vida dela.

 

Quando queremos a participação do pai entendemos, na verdade, um modelo completamente diverso de paternidade. Um homem que se disponibiliza para uma vivência profunda e que batalha por ela.

 

E aqui vemos como o machismo da sociedade faz tanto mal aos homens (conforme bem falam os autores do livro “Rei Guerreiro Mago Amante”, os psicólogos junguianos Robert Moore e Douglas Gillette). O patriarcado assim como rebaixa as mulheres, coloca os homens numa hierarquia rígida. Os que estão abaixo das regras são tão passivos quanto as mulheres. Não questionam o status quo, deixam-se privar de experiências importantes em nome de autoridades vazias de sentido. Mas como essas autoridades são “machas” eles sentem-se traidores ao questioná-las, e pior, sentem-se traindo sua própria “macheza”... É um círculo vicioso que está destinado a quebrar-se. Já estamos a caminho disso.

 

O fato que é nessas horas que precisa mostrar o que é “ser macho”, a virilidade suadável (feminina e masculina) de quem firma o pé e não se deixa dobrar pelo autoritarismo, abuso de poder e preconceito.

 

É evidente com tudo isso, como a humanização carrega os genes de uma humanidade mais íntegra e matura.

 

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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