AO PARTO: MODELO DE CARTA PARA APRESENTAR ÀS MATERNIDADES

February 12, 2017

 

 

Esta carta constitui um modelo do que pode ser enviado aos centros de parto (hospitais, maternidades, casas de parto) por enfermeiras obstetras e qualquer outro profissional objetivando promover um serviço atualizado com os padroes da OMS, das evidências científicas e dos direitos das mulheres. Por um parto e nascimento humanizados e respeitados. O texto abaixo pode ser alterado conforme as necessidades e situaçoes particulares.

 

Imo. Sr.
Diretor Geral da Maternidade ... 

Carta aberta a todos os funcionários

NESTA
 

Objeto: Humanizacao do atendimento ao parto e nascimento


Prezado Diretor Geral,
 

Durante meu período de estágio extra-curricular na Maternidade ... de ..., efetivado no ano de ..., tive a oportunidade de conhecer bem todos os aspectos dos trabalhos e serviços prestados por esta reconhecida Maternidade.

 

A oportunidade desta experiência foi decisiva para a definição de meu Trabalho de Conclusão do Curso ..., que versou sobre ... . Cumpre ressaltar, que continuo a me especializar no tema, ... (desta vez através de um curso a distância (trilíngue), sobre capacitação de profissionais para atendimento domiciliar à mulher no pré-parto, parto e pós parto, promovido pela ONG Amigas do Parto.)

 

Através dos contatos do referido curso, me surpreendi com os relatos de colegas do mundo afora sobre o tema PARTO, inclusive negativamente, pois constatei que o nosso país é o campeão mundial de cesáreas, ao contrário da Holanda, onde esse índice não chega a 10%, e 1/3 (um terço) dos partos são domiciliares, sendo que, os partos de baixo risco são atendidos por parteiras, portanto, dentro do indicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que estipula no máximo 10 a 15% de cesáreas.

 

Na Maternidade ..., temos o inverso, pois dados estatísticos fornecidos pela própria maternidade, do mês de março/2008, indicam o percentual de 40% de cesáreas. Serve de questionamento: o que está acontecendo para esses índices estarem tão elevados?

 

Acredito na capacidade dos profissionais que aí trabalham. Mas creio que muitas coisas podem e devem melhorar. Durante esse tempo estudando e conhecendo a realidade de diversos lugares, assisti e ouvi relatos de partos que me deixaram muito otimista, a mudança já está se operando, pois diversas mulheres começam a encarar o parto como algo natural, estando mais confiantes em si, e assim optam por métodos não farmacológicos para alívio da dor e procuram por atendimento mais individualizado.

 

No meu ponto de vista, a Maternidade ... carece de uma estrutura física adequada para o trabalho de parto, visto que as parturientes não têm privacidade, bem como seus acompanhantes. Muitas vezes, os gritos de uma mulher influenciam no trabalho de parto da outra e não raras vezes causam medo e angústia.

 

A própria OMS enfatiza deambular durante o trabalho de parto, porém a MCD não oferece estrutura para isso, pois quem entra no centro obstétrico não pode ficar andando pelos corredores, onde, ao mesmo tempo, o número de parturientes pode chegar a sete, e só há dois banheiros (parturientes + acompanhantes), portanto, não há como ficar à vontade no chuveiro.

 

Então, a estrutura física deveria ser realmente modificada.

 

Há diversas literaturas mostrando que o contato da mãe e bebê (pele a pele) no nascimento é de grande importância para ambos e que o berço aquecido, assim como a avaliação imediata do pediatra é na grande maioria das vezes desnecessária, ou seja, basta apenas olhar e perceber que está tudo bem.

 

Da mesma forma, o cordão umbilical não precisa ser cortado no momento do nascimento, mas assim que para de pulsar, pois o bebê já não precisa mais do sangue materno para sobreviver a partir deste momento e acredito que não devamos ter pressa para ver o bebê chorar ou gemer, pois talvez ele não queira fazer isso e atentar para este momento é respeitar o desejo do recém nascido.

 

O mais importante e necessário, segundo a literatura e os debates que vem ocorrendo em minha especialização, é o contato da mãe com o bebê, é o calor que os aproxima, ambos estão ansiosos para se tocarem, se enxergarem pela primeira vez, mas esse direito parece ser negado na MCD.

 

Com relação aos profissionais da MCD, muitos desconhecem sua verdadeira importância dentro da maternidade, que vai muito além de puncionar as veias, limpar e arrumar sala de parto, verificar os batimentos cardíacos fetais, que são importantes, mas não mais que o apoio psicológico, o encorajamento, a massagem, o estar ao lado da mulher são fundamentais, por isso, acredito que deva haver capacitações obrigatórias e constantes a todos os funcionários para que estejam atualizados e motivados para realizar seu trabalho.

 

Outra questão que merece ser trabalhada é a posição do parto. Vejo que na Carmela Dutra a posição que as mulheres parem é semi-sentada, ou quase deitadas, no entanto, através de muitas leituras e pela própria experiência, vejo que a posição mais interessante e mais fundamentada para parir é a posição de cócoras, visto que nesta posição o bebê está a favor da gravidade.

 

Tal posição é a que as índias costumam parir, e ressalte-se, traz muitos benefícios para mãe e bebê, com muita literatura a comprovar este argumento, neste sentido. Sugiro a aquisição de uma cadeira para parto de cócoras, como também, existem outras possibilidades, e a mulher deve ser encorajada a parir seu filho como se sinta melhor, seja na posição genupeitoral, de cócoras, de quatro e outras mais.

 

Acredito que esta pequena colaboração possa ajudar a tornar os trabalhos da MCD mais humanizados e quero dizer de minha disponibilidade em ajudar para que essas melhorias aconteçam, pois acredito no potencial desta maternidade, que funciona há 53 anos e já proporcionou a milhares de mães darem a luz aos seus filhos.
 

Cordialmente
 

Assine, date e deixe seu contato


(Patrícia Sulsbach
E mail: patrícia.sulsbach@hotmail.com)

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