Vejo mulheres...

March 6, 2017

 

“Vejo mulheres parirem
A seus filhos e a si mesmas
Cantando canções em linguagens que o mundo já não conhece
porque se cantam em silêncio
Entre os espaços do invisível
Vejo a alma destas mulheres

De todas estas mulheres
Transpirando da sua pele em suor perfumado como a chuva transpira das nuvens plenas
Vejo os seus corações
Suas lágrimas escondidas por entre véus de maquilhagem
Seus corações calados implorando voz
Seus medos secretos espreitando por trás do corpo como sombras esquecidas porém omnipresentes
Vejo estas mulheres sem idade
Tentando não ter a idade que têm
Esta idade que a torna sabias
Tão únicas e belas como os caminhos que atravessam a terra
Cheios de historia, experiência, riqueza
únicas e não valorizadas
Porque o amor que buscam no ouro, nos outros
É o amor que não dão a si mesmas
Vejo estas mulheres
Todas estas mulheres
Na mulher que sou
Vejo os seus templos sagrados onde diamantes brilham cobertos
Por véus que pesam toneladas
Densas trevas de ilusão
Com que tantas vezes se auto-flagelam,
Que não lhes permitem reconhecer que são feitas de luz
Como o mais belo dos astros
Que todas são uma centelha divina
Que são elas as Mães, as Amantes desta terra
Que são elas os ventres fecundos, os corações férteis que geram a vida
Que amam, cuidam, curam, constroem
Que suas mãos tem tanto carinho como os oceanos tem água,
Estas mulheres sem as as quais
Nada seria possível
E que tantas vezes se negam o direito de existir
Sobrevivendo como maquinas por entre ocupações e papeis que não honram o seu talento,
Envolvendo-se e permanecendo em relações onde são desamadas,
onde não são tratadas como merecem e desejariam,
porque, no seu intimo, acreditam não merecer mais ou melhor
não se dando conta do quão mais merecem de facto!
acreditando na critica destrutiva dos outros para si e de si para si mesmas,
sabotando a sua força, a força do seu sonho, da sua vontade profunda,
do seu desejo intimo, do seu ímpeto selvagem e intrínseco, autentico
calando a voz interior por medo de não ter um lugar no mundo, de não ser o que esperam de si, de não ser amada ou compreendida,
quando ousar viver a sua verdade lhe permitira ser querida por tudo aquilo que verdadeiramente é e representa no seu melhor
Mulheres que não se dão conta que a solidão pode ser venerada e preciosa em vez de assustadora
e que estar na companhia de quem nos faz mal é uma morte lenta e um desrespeito por nos mesma e pela vida
e outras mulheres que tem o profundo medo de deixar alguém novo entrar no seu coração e que se fecham
privando a vida do seu brilho profundo
Todas elas sabotando
O seu infinito manancial humano de criatividade e Amor
Queridas Mulheres,
Cada uma feita de mil mulheres diferentes, facetas de um imenso diamante
brilhando, vivendo, respirando
Brotando como flores selvagens
Nos desertos e vales férteis da alma
Mulheres que não ousam ser delicadas, ou não assumem a sua sensibilidade
Por receio de que seja uma fraqueza
Quando esta sensibilidade é a sua maior força
Eu vejo os nossos corpos que dançam e cada momento
Cada gesto me é de gratidão por terem cruzado o meu caminho
Por serem balsamo preciosos de cura e descoberta da mulher que eu sou
E vejo também aquelas que ousam a cada dia
trilhar caminhos incertos e tortuosos
porque sabem que há vida, que há sempre vida
e que mesmo a morte faz parte do nascer
E esta é a verdadeira dança, a de cada instante!
Mulheres que pegaram na argila das suas vidas e destruíram para reconstruir
inspirando com o exemplo da sua busca,
transformando lutas, dificuldades e feridas na celebração de viver cada dia
Mulheres que ousaram recusar
Dizer NÃO!
Mulheres que ousaram aceitar, receber
Dizer SIM!
Mulheres que gritam de dor quando choram,
e que fazem ecoar o seu riso quando estão felizes
aquelas que assumem a cólera como uma força transformadora e dão o bom grito no momento certo
e aquelas que sabem esperar pacientemente pelo momento de recolher os frutos sem que a sua calma se altere
Mulheres que têm a força, a resistência a tenacidade da àguia e da montanha,
mas que também precisam de saber descansar
Todas, das mais assustadas às mais destemidas
trilham as mesmas estradas, em momentos diferentes
Todas estas mulheres, são cada uma de nos
e todas estas Mulheres me fazem também perceber
que além de mulher sou também homem
Sou humana
Sou preciosa
Não sou mais, não sou menos
Sou única com humildade, com tanto amor
mas consciente, por fim(porque demorou tanto tanto)
Do meu valor, do que posso dar, e da minha vulnerabilidade
comprometendo-me a viver no eu melhor, a não ser indulgente com comportamentos clara ou subtilmente auto-destrutivos
a cuidar de mim para assim cuidar melhor de todos os que me envolvem
Mulheres obrigada por serem
Por existirem
Por brilharem
Mesmo que secretamente
por abrirem os braços para receber as vossas diferenças
deixando cair rivalidades e receios,
recebendo a partilha de dançar juntas
Que os espelhos onde nos olhamos possam mostrar-nos não o rosto
Mas o coração
Que os espelhos onde nos reflectimos não nos escravizem em ideias de corpos que não são os nossos
Valorizando qualidades que não nos são essenciais nem orgânicas
Que não honram a nossa natureza, nem a natureza como um todo
A dança Oriental, é a dança do sol nascente
Este Sol que nascemos e que tantas vezes não ousamos descobrir que somos
Que possamos brilhar, irradiar a luz sagrada que faz brotar as flores, crescer as arvores, cantar os pássaros
Que todas sejamos os sois luminosos que nascemos para ser
Com muito Amor por nos mesmas e assim por todos os que nos rodeiam
De coração aberto, transbordante de Amor, carinho e gratidão
Sempre vossa”

 


Iris posted by Aiga

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