Vejo mulheres...


“Vejo mulheres parirem A seus filhos e a si mesmas Cantando canções em linguagens que o mundo já não conhece porque se cantam em silêncio Entre os espaços do invisível Vejo a alma destas mulheres

De todas estas mulheres Transpirando da sua pele em suor perfumado como a chuva transpira das nuvens plenas Vejo os seus corações Suas lágrimas escondidas por entre véus de maquilhagem Seus corações calados implorando voz Seus medos secretos espreitando por trás do corpo como sombras esquecidas porém omnipresentes Vejo estas mulheres sem idade Tentando não ter a idade que têm Esta idade que a torna sabias Tão únicas e belas como os caminhos que atravessam a terra Cheios de historia, experiência, riqueza únicas e não valorizadas Porque o amor que buscam no ouro, nos outros É o amor que não dão a si mesmas Vejo estas mulheres Todas estas mulheres Na mulher que sou Vejo os seus templos sagrados onde diamantes brilham cobertos Por véus que pesam toneladas Densas trevas de ilusão Com que tantas vezes se auto-flagelam, Que não lhes permitem reconhecer que são feitas de luz Como o mais belo dos astros Que todas são uma centelha divina Que são elas as Mães, as Amantes desta terra Que são elas os ventres fecundos, os corações férteis que geram a vida Que amam, cuidam, curam, constroem Que suas mãos tem tanto carinho como os oceanos tem água, Estas mulheres sem as as quais Nada seria possível E que tantas vezes se negam o direito de existir Sobrevivendo como maquinas por entre ocupações e papeis que não honram o seu talento, Envolvendo-se e permanecendo em relações onde são desamadas, onde não são tratadas como merecem e desejariam, porque, no seu intimo, acreditam não merecer mais ou melhor não se dando conta do quão mais merecem de facto! acreditando na critica destrutiva dos outros para si e de si para si mesmas, sabotando a sua força, a força do seu sonho, da sua vontade profunda, do seu desejo intimo, do seu ímpeto selvagem e intrínseco, autentico calando a voz interior por medo de não ter um lugar no mundo, de não ser o que esperam de si, de não ser amada ou compreendida, quando ousar viver a sua verdade lhe permitira ser querida por tudo aquilo que verdadeiramente é e representa no seu melhor Mulheres que não se dão conta que a solidão pode ser venerada e preciosa em vez de assustadora e que estar na companhia de quem nos faz mal é uma morte lenta e um desrespeito por nos mesma e pela vida e outras mulheres que tem o profundo medo de deixar alguém novo entrar no seu coração e que se fecham privando a vida do seu brilho profundo Todas elas sabotando O seu infinito manancial humano de criatividade e Amor Queridas Mulheres, Cada uma feita de mil mulheres diferentes, facetas de um imenso diamante brilhando, vivendo, respirando Brotando como flores selvagens Nos desertos e vales férteis da alma Mulheres que não ousam ser delicadas, ou não assumem a sua sensibilidade Por receio de que seja uma fraqueza Quando esta sensibilidade é a sua maior força Eu vejo os nossos corpos que dançam e cada momento Cada gesto me é de gratidão por terem cruzado o meu caminho Por serem balsamo preciosos de cura e descoberta da mulher que eu sou E vejo também aquelas que ousam a cada dia trilhar caminhos incertos e tortuosos porque sabem que há vida, que há sempre vida e que mesmo a morte faz parte do nascer E esta é a verdadeira dança, a de cada instante! Mulheres que pegaram na argila das suas vidas e destruíram para reconstruir inspirando com o exemplo da sua busca, transformando lutas, dificuldades e feridas na celebração de viver cada dia Mulheres que ousaram recusar Dizer NÃO! Mulheres que ousaram aceitar, receber Dizer SIM! Mulheres que gritam de dor quando choram, e que fazem ecoar o seu riso quando estão felizes aquelas que assumem a cólera como uma força transformadora e dão o bom grito no momento certo e aquelas que sabem esperar pacientemente pelo momento de recolher os frutos sem que a sua calma se altere Mulheres que têm a força, a resistência a tenacidade da àguia e da montanha, mas que também precisam de saber descansar Todas, das mais assustadas às mais destemidas trilham as mesmas estradas, em momentos diferentes Todas estas mulheres, são cada uma de nos e todas estas Mulheres me fazem também perceber que além de mulher sou também homem Sou humana Sou preciosa Não sou mais, não sou menos Sou única com humildade, com tanto amor mas consciente, por fim(porque demorou tanto tanto) Do meu valor, do que posso dar, e da minha vulnerabilidade comprometendo-me a viver no eu melhor, a não ser indulgente com comportamentos clara ou subtilmente auto-destrutivos a cuidar de mim para assim cuidar melhor de todos os que me envolvem Mulheres obrigada por serem Por existirem Por brilharem Mesmo que secretamente por abrirem os braços para receber as vossas diferenças deixando cair rivalidades e receios, recebendo a partilha de dançar juntas Que os espelhos onde nos olhamos possam mostrar-nos não o rosto Mas o coração Que os espelhos onde nos reflectimos não nos escravizem em ideias de corpos que não são os nossos Valorizando qualidades que não nos são essenciais nem orgânicas Que não honram a nossa natureza, nem a natureza como um todo A dança Oriental, é a dança do sol nascente Este Sol que nascemos e que tantas vezes não ousamos descobrir que somos Que possamos brilhar, irradiar a luz sagrada que faz brotar as flores, crescer as arvores, cantar os pássaros Que todas sejamos os sois luminosos que nascemos para ser Com muito Amor por nos mesmas e assim por todos os que nos rodeiam De coração aberto, transbordante de Amor, carinho e gratidão Sempre vossa”

Iris posted by Aiga


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