Maternidade e Leis de Newton

No Dia das Mães circula todo tipo de mensagem amorosa com relação àquelas heroínas chamadas mães. Elas aguentam de tudo, passam por todos os problemas, cuidam e se preocupam até o último respiro. Mas quem ajuda as mães enquanto elas são jovens e ativas, cuidando de casa, crianças e comida? Quem socorre as mães no dia-a-dia? Ninguém. Ser mãe é maravilhoso mas também cansativo. E elas estão sozinhas.

A verdade é que existe ainda uma quantidade enorme de casais que vivem relações de gênero injustas. Casais de todas as gerações e condição econômica são unânemes ao apresentar o mesmo padrão. Há as exceções, mas a regra geral persiste e ela diz mais ou menos o seguinte: o homem é pai quando há de brincar com as crianças (ou dar-lhes bronca), se puder e quiser. A mulher é mãe em todos os outros momentos e situações.

A despeito dos avanços sociais e culturais, parece ainda faltar aos homens a noção do que significa cuidar de casa, comida e crianças. Muitas mulheres, apesar de fazer isso tudo o melhor possível, ainda por cima buscam ser educadoras conscientes. Mas estão sozinhas. Enquanto sua vida rodopia em torno das emergências que casa e crianças demandam, seus companheiros mantêm o rítmo estável de seu mundo distante, pouco susceptiveis a aceitar mudanças. Parece haver uma certa letargia avassaladora que toma conta do homem. Até os bem intencionados mostram-se como que embrigados pelo seu tradicional papel de passividade doméstica, e se deixam levar. Arrastam-se em casa, entre a porta da rua e o sofá na frente da televisão, fazendo o mínimo possível e somente quando estritamente necessário. Por que? Vício, hábito, comodismo, infantilismo. Um pouco de tudo isso. Há uma coisa porém que é preciso compreender e que geralmente independe da boa vontade quando falta consciência. É do corpo e do ego acomodar-se. Ninguém, a menos que seja um espírito esclarecido, deixa um lugar de conforto para um de trabalho e esforço. Todo movimento implica em energia. Para entrar em movimento, um objeto requer uma quantidade maior de energia do que aquele que já está em movimento. Isso é física. O mesmo vale em psicologia. A longa tradição masculina que assegura ao homem a passividade uma vez dentro de casa constitui o primeiro empecilho a ser vencido. O homem pode não estar consciente disso, mas com certeza sua consciência encontrará uma dura resistência para enxergar porque há muita história e muita cultura em volta para dar suporte e justificativas à sua passividade. Mudar esse comportamento, portanto, depende menos do homem do que da mulher. É quem mais sofre que precisa jogar no chão a carga e exigir ajuda. Pode-se começar com um “por favor”, não custa tentar. Mas por quanto tempo? Logo a mulher percebe que o “por favor” passa a ser rapidamente ignorado, desviado e obliterado. O pedido de ajuda precisa superar vários obstáculos antes de ser atendido. A mulher se cansa. Sonha com dias melhores. A atávica paciência feminina se junta ao amor que sente pelo companheiro, e ela pensa: “um dia ele muda”. Pode ser, pode ser que não. Enquanto isso, as mães precisam se cuidar, prestar atenção em seus olhos cansados, sua cabeça pesada, seu corpo desejando repouso. E, não último, seu coração que se sente só. A relação parece se sustentar nessa paciência da mulher que acaba se tornando uma mãe para seu companheiro, aquela maravilhosa mãe que tudo suporta e tudo aguenta. Os maus tratos, a desconsideração, a falta de compreensão, e valorização para com elas e seu trabalho é tolerada em nome de um indefinido futuro diferente. É da mulher mãe ter os pés no chão. A maternidade implica nisso: responsabilidade, realismo e coragem. Portanto, vamos repassar as Leis de Newton porque são delas que as mulheres precisam. Lei 1 ou Princípio de Inércia: "Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento retilíneo e uniforme, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças a ele impressas." Isso significa que quem está parado tende a permanencer parado e quem está em movimento constante tende a mantê-lo. Disto segue que as mulheres tendem a continuar a se mexerem e os homens a permanecerem passivos. Daí, as primeiras vão com toda probabilidade evoluir nos próximos vinte anos e seus homens estarão ainda a perguntar-se o “está acontecendo”, como todos podem conferir na própria vida ou naquelas de conhecidos, vizinhos e parentes. Lei 2 ou Quantidade do Movimento: “A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção de linha reta na qual aquela força é imprimida.” Ou seja, para modificar um estado inercial é preciso de uma força igual ou superior à massa do objeto que se quer tirar do estado inercial. Isso se reflete na psicologia humana da seguinte maneira: quem está parado só vai modificar seu estado (pondo-se em movimento) se uma força externa agir sobre ele e for forte o suficiente para vencer a massa inercial (quanto maior a massa mais difícil será mover o objeto, e incluimos na “massa” convicções, ego, história, amigos, etc.). Por outro lado, quem está em movimento contínuo vai parar somente quando receber um golpe forte o suficiente para fazer a pessoa brecar. Geralmente isso diz respeito às mulheres e se manifesta como exaustão ou doença grave de cunho psicosomático. É quando as mulheres param. No que diz respeito ao homem, a única força que ele pode receber de fora é aquela da única pessoa interessada em ver sua mudar de postura: sua companheira. Lei 3 ou de Ação e Reação: “A toda ação corresponde sempre uma reação oposta e de igual intensidade, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.” Isso significa que nenhum dos dois muda se os dois não mudarem. A mudança de estado de uma corresponde à mudança de estado do outro. Seres conscientes e livres não teriam necessidade de sofrer na pele as Leis de Dinâmica Newtoniana. Mas a história demonstra que a consciência, na enorme maioria dos casos, só nasce após muito derramamento de sangue e sofrimento. Movemos-nos portanto naquela direção luminosa sem medo de ser realistas e práticas. Porque o tempo da mudança é agora.

#Maternidadetransformadora

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