O QUE FAZER NA HORA DO PARTO?

 

 

 

Esta foi a pergunta de uma grávida numa lista de discussão. Em seguida, a moça elenca uma série de atividades, desde caminhar a chuveiro e bambolé… Pede orientações para saber se é por aí.

 

Esta mensagem reforçou em mim a sensação que a leitura de váriaos outros emails da lista me deu: como é fácil racionalizar.

Como é fácil permanecer no mesmo horizonte psicológico que engendra a justificação da cesárea, só que desta vez com outra vertente, a do parto natural. Tudo está na agenda e tudo é “exterior”.

 

Longe de mim desvalorizar a racionalidade necessária da organização, o ter claro um projeto, o visualizar uma idéia do que se quer e se pode fazer. Esta abordagem é muito importante para alcançar qualquer objetivo. Minha dúvida surge quando não vejo o outro lado da moeda que leva a de fato realizar o propósito de um parto natural, que é o espaço   da interiorização.


É preciso tomar cuidado para não planejar o parto (havia uma gestante, nessa mesma lista, que estava preparando seu plano de parto com apenas 11 semanas de gravidez!) da mesma forma como se monta o quarto do bebê. Os aspectos exteriores do parto não são mais importantes do que a forma interior com a qual a a mulher enfrenta essa experiência.


Nunca vejo mensagens diferentes daquelas relacionadas a perguntas técnicas sobre fundo do útero, ultrassom morfológico e etc. Tem-se a impressão que a gestação transcorra nesse alegre e ansioso movimento racional de ir preparando e arrumando as coisas, se precavendo e se informando para o parto. E quando ocorre a parte do preparo emocional?   Do amadurecimento? Quando é que acontece o processo interior que leva a viver o parto como o rito de passagem que é?


Se, como se diz, a mulher sabe parir porque SEU CORPO sabe o que fazer, será que é preciso fazer uma listagem das atividades a serem realizadas durante o trabalho de parto? Será que não teríamos ao invés que fomentar a conexão feminina com seu corpo e intuições? Será que não se trata de ser boas alunas de parto humanizado e sim mulheres-lobas alinhadas com seus instintos e prontas para parir?



Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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