SER MÃE E SER PAI: AMAR EDUCANDO

 

      Ser mãe e ser pai é, em primeiro lugar, educar. Educar amando. A educação é uma das bonitas e importantes formas de amor. Educar é formar, ajudar a crescer, escorar, sustentar, apontar, dar liberdade e limites ao mesmo tempo, respeitar, colocar-se ao lado, dar a mão e  tirá-la quando não servir mais.


      Educar é um ato de coragem e um desafio. É oferecer aos filhos uma referência de sentido, de orientação, de crescimento. É desamparador não saber para onde ir, não ter limites e definições, não ter uma toca de segurança de onde lidar com o mundo, os outros, as necessidades psico-físicas e relacionais.

 

      A segurança física é tão importante como aquela psíquica. Sentir-se seguro é sentir-se compreendido, acolhido e aceito, não só estar protegido de perigos materiais. É também ser ajudado a se compreender, compreender a si mesmo. Quando o neném berra de fome, ele é a fome naquele momento. Atender as necessidades e com o tempo ajudar a lidar com elas, a controlá-las quando preciso, direcioná-las quiça.


      Durante um bom tempo, os pais são o norte para os filhos. Conscientizar-se disso significa refletir sobre a qualidade da relação que estamos tendo com eles. Que norte estamos sendo? Quais são os valores que norteiam nossas vidas? Sobretudo: que pessoas somos? Ser mãe e ser pai implica em fazer uma revisão das nossas vidas, refazendo as prioridades, redimensionando os ideais e os projetos, burilando as expectativas, retraçando nosso caminho. Na maternidade e paternidade é importante balancear os propósitos anteriores com as necessidades do presente.


      Ser mãe e ser pai significa também rever a relação de mulher e marido. Com a chegada de uma criança ao lar, a relação dual é substituída por uma relação a três. Muita coisa vai mudar. Nem sempre os casais superam o teste. Às vezes a prova da relação é a chegada de um filho.


      Ser mãe e ser pai é desenvolver paciência e generosidade sem limites. É conhecer o amor incondicional que incorpora com o tempo o amor condicional para poder ensinar relações respeitosas, direitos e deveres, desafios e empenho. Só um amor incondicional sabe lidar com a dificuldade que é estabelecer limites amorosamente mas firmemente, o que significa, em primeiro lugar, saber colocar a própria subjetividade num jogo transparente. O amor incondicional não corresponde a abdicar de si mesmo para sempre, dizer sim quando se gostaria poder dizer não, sacrificar-se e ser esmagado por filhos carentes e insatisfeitos. A mãe e o pai são as primeiras pessoas com as quais um filho vai aprender relações respeitosas, honestas e amorosas.


      Os primeiros anos de vida são crucias para o desenvolvimento de um ser humano. Mães e pais deveriam ser como a luz que se acende num quarto escuro. Esta luz é feita de exemplo de vida. A educação se faz com o sentimento, os gestos, a autenticidade – não com regras impostas, com discursos prontos e com palavras que não correspondem à vida.


      Vivemos em época de transição. Maternidade e paternidade não são mais modelos pré-estabelecidos. Ser mãe e ser pai é uma condição humana que está entrando numa nova fase de criação e descobertas. Resta que as crianças precisam de referências sólidas e confiáveis. Hoje elas são cada vez mais espertas e inteligentes: precisam de pais à altura!


Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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