BEBÊS QUE NÃO DORMEM


Bebês, como todas as criaturas vivas, em particular os mamíferos, sossegam calmos quando se sentem seguros. Nenhum animal consegue dormir se estiver em perigo. A diferença entre os mamíferos e nós é que nossos perigos são mais amplos e mais vagos, transbordando os limites do físico e material.

O ser humano vive na confluência de diferentes ventanias: suas emoções, seus pensamentos e preocupações, a realidade externa, suas relações e seus próprios desejos. Nem todas as tormentas são conscientes. Logo, pode haver calmaria do lado de fora sem que haja correspondência com as verdades de dentro. Prova de que há algo que não combina com as aparência são as situações que ocorrem "inesperadamente" e que trazem desequilíbrio no dia-a-dia.

Imaginemos, portanto, um casal com sua vida normal. Entre em cena um bebê, filho que eles amam, e eis que a criança mostra sinais de agitação. Será chamada de nervosa ou hiperativa, e seus pais chegarão ao desespero por falta de sono. O que está acontecendo?

A criança parece carregada de eletrecidade, demais da conta, tensão esta que ela precisa descarregar para poder relaxar e descansar. Se ao final do dia, essa "energia" não tiver sido eliminada, naturalmente a criança não conseguirá dormir.

De onde vem essa tensão? Será que a criança nasceu assim? Ou será que ela absorveu algo do ambiente? Antes de etiquetar o pequeno com uma fórmula psicológica que o coloca no lugar do "problemático", seria melhor dar uma olhada ao ambiente no qual ele está. Mas para isso, é preciso ter lentes de visão apropriadas.

Quem se mantiver no olhar bidimensional da superfície, a menos que não haja condições imediatamente reconhecíveis como ruins, não encontrará motivos para o bebê não dormir. Isso porque tem-se visão curta e limitada: quem disse que os bebês vivem a realidade como nós? Quem disse que eles enxerguem somente aquela pequena fatia do real na qual queremos acreditamos?

Se considerarmos bebês como seres humanos sem ego, sem aquela partícula do ser que recorta um pedaço de mundo como verdadeiro e esquece do resto, então bebês percebem mais dimensões do que o adulto "normal" e, portanto, podem detectar presenças que o ego de seus pais nega. Como um radar, o bebê capta todas as ondas da casa: sente a raiva da mãe pelo pai sem ver o sorriso fictício que ela lhe oferece; sente o estresse do pai, sente a tensão dos que passam, o medo e o desconforto que pairam no ar.

Bebês que não dormem são, exatamente como adultos, pessoas que não estão bem, que sentem ansiedade e medo. Apesar de não haver leões por perto, a tensão da casa pode lhe parecer tão ameaçadora quanto um manada de rinocerontes correndo em disparada em sua direção. O adulto precisa parar tudo e focar sua atenção sobre o bebê para compreendê-lo. Isso é ser pai e mãe. Atenção é uma atitude mágica, mas para que ela seja real precisa que ocorra após ter parado tudo mesmo, ter deixado de lado o relógio, os compromissos, os incômodos e desejos para se estar literalmente à serviço do bebê, indo ao seu encontro.

Distúrbios do sono em bebê testemunham, em primeiro lugar, os distúrbios emocionais do ambiente no qual ele vive. Somente após uma análise apurada da situação, é possível dirigir então o olhar para possíveis problemas que tem origem nele mesmo.

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

#Sonodobebê

Featured Posts
Recent Posts
Archive
Search By Tags
Nenhum tag.
Follow Us
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

© 2018 Amigas do Parto

  • Facebook Basic Black
  • Instagram Basic Black
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now