GINECOLOGIA ANTIGA

July 25, 2017

 

O corpo das mulheres na Antiguidade

Na antiga sociedade grega, a dominação masculina se extendia também ao parto. A medicina grega tinha o homem como o portador da sanidade e da saúde para a mulher subserviente e biologicamente defeituosa, pelo uso do intercurso sexual, que acreditáva-se aliviasse o fluxo do sangue menstrual em volta do coração. Os homens também tinham o crédito completo pela concepção, já que o ventre era visto principalmente como o receptáculo do esperma. O aborto, se não perdoado pelo Juramento de Hipócrates, era permitido pela lei grega, e o infanticídio, particularmente de meninas recém-nascidas, era largamente praticado.


O controle da natalidade

As mulheres no mundo antigo praticavam o controle da natalidade com pequena interferência das autoridades religiosas ou políticas. O conhecimento preciso de plantas que podiam seja bloquear a concepção como causar o aborto era parte da cultura oral feminina de herbalistas e parteiras. 


Um dos mais comuns agentes contraceptivos usados no mundo antigo do Mediterrâneo era o silphium, que crescia exclusivamente no país de Cyrene na África do Norte. Já q ue Cyrene era a única exportadora da planta, tornou-se o símbolo oficial da cidade posto em suas moedas e permaneceu um recurso primário da cidade até o primeiro século antes de Cristo. 

Outras plantas usadas na época clássica como contraceptivo ou abortífero eram a menta romana, a artemísia, a mirra, e a ruta. Na comédia de Aristófanes “Peace”, que estreiou em 421 antes de Cristo, Hérmes dá a Trigaius uma companheira. Trigaius se pergunta se a mulher poderia ficar grávida. “Não, se você acrescentar uma dose de menta romana” aconselhou-o Hérmes. A menta romana cresce no campo aberto e seria facilmente encontrada pelas mulheres do tempo. Estudos recentes mostram que a menta romana contém uma substância chamada pulegone que interrompe a gravidez humana e animal.


Cesárea

A operação cesariana não deriva seu nome do fato de Júlio César ter supostamente nascido desta forma. Foi assim chamada porque a lei romana, ou cesariana, exigia que quando uma mulher grávida morria, seu corpo não podia ser enterrado até que o feto fosse retirado. A lei também estabelecia que a cesárea não devia ser realizada numa mulher grávida viva até o décimo mês de gestação. Os medicos antigos eram incapazes de salvar a vida da mulher nesses casos, de modo que o procedimento era raramente efetuado. Sabemos de fontes antigas que Júlio César não pode ter nascido de uma cesariana, porque sua mãe, Aurélia, viveu e foi uma conselheira de seu filho adulto.


Histeria e ventre errante

A palavra “histeria” deriva do grego hystera, “ventre.” Escritores grego-romanos acreditavam que a histeria fosse causada por movimentos violentos do ventre e que isso era peculiar das mulheres. Já no sexto século antes de Cristo, escritores medicos acreditavam que o ventre não era um objetivo estático, mas algo que se movia pelo corpo, frequentemente em detrimento da saúde da mulher. Aretaeus de Capodócia, um contemporâneo de Galeno, incluia em seus tratados médicos uma seção que descrevia o ventre errante.

Nas mulheres, no fundo do corpo abaixo do tórax, está o ventre. Ele é muito parecido a um animal independente dentro do corpo, pois se move por ele conforme seu próprio desejo, sendo bastante errático. Além disso, ele gosta de fragâncias perfumadas e se move na direção deles, mas não gosta de cheiros ruins, fugindo deles… Quando ele de repente se move para cima [i.e., na direção de um cheiro agradável] e permanence lá por um longo tempo pressionando o intestino, a mulher sufoca, como fazem os epiléticos, mas sem nenhum espasmo. Isto porque o fígado, o diafragma, os pulmões e o coração são repentinamente confinados num espaço restrito. E também a mulher parece incapaz de falar ou respirar. Além disso, as artérias da carótide, atuando em sintonia com o coração, são comprimidas, provocando cabeça pesada, perda dos sentidos, e um sono profundo… As desordens causadas pelo útero são solucionadas fazendo uso de cheiros desagradáveis, e também por fragâncias agradáveis aplicadas à vagina…


–Medical Writings 2.11.1-3
Fonte: University of Virginia - Acesso em Junho de 2006
Tradução por Adriana Tanese Nogueira

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Featured Posts

ONDE ESTÁ?

July 6, 2017

1/1
Please reload

Recent Posts

April 20, 2020

December 2, 2019

Please reload

Archive
Please reload

Search By Tags