PARTO NATURAL: O QUE É?

July 30, 2017

 

O parto natural acontece quando as forças do organismo bastam a si mesma para a ocorrência do nascimento da criança. Não há nenhuma intercorrência com a mãe ou com o bebê. As contrações são adequadas e se intensificam gradativamente para que a dilatação do colo uterino vá aumentando e o feto vá se encaixando na pelve materna. A mãe encontra-se emocionalmente equilibrada e consciente de todo o processo. A equipe que a acompanha servirá de apoio caso haja necessidade e estará observando e certificando-se de que tudo está realmente correndo adequadamente sem riscos para mãe ou bebê. 

 

A indicação

O parto natural é indicado para toda gestante que não tiver uma recomendação precisa e absoluta para um parto cesáreo.


A técnica

Os nove meses da gestação devem ser utilizados para que a gestante e seu parceiro se preparem psíquica, física e emocionalmente para o momento do parto, para a maternidade e paternidade. Este preparo pode nascer espontaneamente no casal, em virtude do próprio processo da gravidez, mas em muitos casos a ajuda de uma equipe multidisciplinar pode favorecer grandemente o despertar desta consciência.


O trabalho de parto natural deve iniciar espontaneamente entre a 38º e a 42º semana de gestação e os primeiros sinais são:

· Contrações: inicialmente aparecem sem ritmo definido e sua duração, freqüência e intensidade são variáveis, o que configura a fase latente do trabalho de parto. À medida que vão ficando ritmadas, com duração mínima de 40 segundos cada uma e com freqüência de 3 contrações a cada 10 minutos está iniciado o trabalho de parto.

· Perda do tampão mucoso: secreção gelatinosa transparente às vezes acompanhada de estrias de sangue que pode ser eliminada via vaginal já na fase latente.

· Perda de líquido amniótico: em geral acontece em grande quantidade, não gerando dúvidas sobre a ruptura da bolsa das águas. Algumas vezes essa ruptura pode ser pequena e estar localizada em uma região mais alta da bolsa, com isso haverá discreta eliminação de líquido o que trará dúvidas para a gestante. Neste caso o profissional responsável fará os exames necessários para elucidar a questão.

· Sangramento vaginal: pode ocorrer durante a dilatação do colo do útero ou na fase latente.

· Movimentos fetais podem diminuir durante o trabalho de parto, mas sempre que acontecer deve ser comunicado ao profissional responsável.


Iniciado o trabalho de parto a gestante escolherá o ambiente que lhe seja mais agradável e tranqüilo. Pode ser sua própria casa, a clínica ou casa de parto, mas se preferir pode ir ao hospital. A gestante não será restringida em sua alimentação ou movimentação, suas emoções poderão ser expressas na intensidade e no momento que bem desejar, nenhuma droga será utilizada, seja para aumentar as contrações ou para diminuir a dor. Apenas serão utilizadas massagens, banhos, acupuntura, técnicas de respiração, aromoterapia, cromoterapia, etc.

Uma boa companhia é bem vinda, sendo o pai do bebê o mais indicado.


Durante o trabalho de parto e o parto, a mulher necessita de tranqüilidade para que possa concentrar-se em si mesma para então permitir que sua natureza possa se manifestar em toda sua complexidade. Neste momento cabe ao pai protegê-la das interferências externas que podem ser maléficas e apoiá-la em suas necessidades.


O momento do parto acontecerá no local e na posição nos quais a mulher estiver se sentindo melhor. Grande parte das mulheres adota uma posição vertical para dar à luz, pois a força da gravidade se soma à sua própria força e torna menos desgastante o momento de parir.


Num parto natural é possível que o pai ou a própria mãe peguem a criança no momento da expulsão. Imediatamente a criança vai para os braços da mãe onde iniciará seus primeiros vínculos afetivos que se realizam através do toque e do olhar dos pais, não passando pelos procedimentos rotineiros de exames físicos, medicações e banho.


O cordão umbilical será cortado somente quando parar de pulsar e esta tarefa pode ser do pai. Ainda nesta hora, o bebê poderá ser estimulado a mamar o que aumenta as chances de uma continuidade no aleitamento materno exclusivo e também facilita a saída da placenta.


Quanto á episiotomia, num parto natural ela não é realizada rotineiramente e raramente temos algum tipo de laceração do canal de parto, que quando acontecem podem ser suturadas. Após o nascimento e a dequitação da placenta resta apreciar e amamentar o bebê, comer, descansar e tomar um bom banho.


O profissional que acompanha este tipo de parto deve ter um preparo técnico e emocional, pois seu papel não é de protagonista do parto, mas simplesmente de parâmetro para a trajetória individual daquela mulher, encorajando-a constantemente, norteando seu caminho quando este lhe parecer obscuro, permanecendo continuamente disponível como apoio e segurança se algo não der certo. A função deste profissional é como a da mãe que acompanha os primeiros passos de seu filho encaminhando-o para a independência e amparando-o quando necessário. 


A recuperação

Depois que se alimentou e descansou, a mulher pode levantar-se e está apta para realizar suas tarefas com o bebê. É preferível que durante os primeiros 40 dias pós-parto a puérpera não se desgaste excessivamente, porém não há nenhuma restrição absoluta para este período.



Os riscos

Praticamente não existem riscos em um parto natural. Podem ocorrer lacerações do canal de parto, mas que podem ser suturadas reconstruindo adequadamente o canal vaginal, sendo este tipo de ocorrência raro. No final do trabalho de parto pode haver uma parada da descida da cabeça do bebê o que indicaria uma cesariana.



Considerações psico-emocionais sobre o parto natural

Esta é a maneira mais simples e menos traumática de nascer. Com tranqüilidade e consciência o casal aguarda que o organismo materno manifeste os primeiros sinais do trabalho de parto. Isso acontecerá no momento mais oportuno, ou seja, na hora em que a mãe e o bebê estiverem física e emocionalmente preparados para este período de transição. A tarefa da equipe é ajudar a mãe a se afirmar.

A equipe que a acompanha deve ser discreta para não estimular demasiadamente seu intelecto, para que a mesma possa concentrar-se em si, no sentido de entender, aceitar e facilitar o processo que está ocorrendo em seu corpo e no de seu filho. No momento do nascimento, hormônios como as catecolaminas propiciam que a criança crie bons ou maus vínculos com a nova realidade. Para que tenha protegida sua energia vital e faça vínculos positivos a criança precisa de um contato visual amoroso e do toque de seus pais, do contrário poderá perder-se em sentimentos de susto ou medo e por falta de cuidados afetivos poderão surgir traumas. A massagem suave é aconselhada neste momento, já que a pele da criança é um grande órgão sensitivo através do qual ela pode “entender” com maior facilidade o amor e a receptividade dos pais. Portanto, cuidados como aspirar (raramente necessário), pesar, medir, checar reflexos, medicar, banhar ou vestir o bebê assim que nasce, são absolutamente desnecessários, diria que mais do que isso eles são prejudiciais para a saúde espiritual da família. A criança deve ser mantida com os pais e por eles será vestida quando for o momento certo. O trabalho da equipe é manter a mãe aquecida, alimentada e bem acomodada para que possa deleitar-se com seu tão esperado filho.


A vivência plena e consciente do trabalho de parto e parto proporcionará um crescimento psico-emocional tanto para a mãe quanto para o seu filho e também proporcionará um aprofundamento da relação afetiva do casal tornando ambos cúmplices num momento único e continuo que vai da concepção até o nascimento.


Betina Abs da Cruz Bittar é médica ginecologista e obstetra, homeopata e acupunturista, residente em Botucatu (SP). Atua em São Paulo e Botucatu(SP).

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