LACERAÇÃO NO PARTO NATURAL: UM CASO ESTREMO

 

“Olá queridas,

Gostaria de, resumidamente, explicar o que me ocorreu e expor uma dúvida que considero importante, já que pesquisei e nada encontrei a respeito.

Pois bem. Em 25 de maio dei à luz meu filho Alexander, através de parto normal, após um longo TP. Não se tratava da minha primeira gestação, já havia sido submetido anteriormente a uma cesariana, que hoje, sei ter sido completamente desnecessária.


Os primeiros dias foram de total alegria, pois sentia-me a mulher mais poderosa do mundo, já que, a despeito do que a maioria dos médicos nos fazem crer, fui capaz de parir meu filho normalmente.

No entanto,aproximadamente 7 dias depois do parto, sentia uma pressão horrível sobre a região anal, foi então que meu médico me explicou em seu consultório que, no momento do expulsivo, havia feito muita força, e que ele teria necessitado operar-me de uma hemorróida logo após o parto. Disse-me, também, que havia sofrido uma laceração muito séria, desde a parede interna da vagina até o ânus.

Com 10 dias após o parto comecei a notar que não mais conseguia esperar para ir ao banheiro quando precisava defecar, o que foi se tornando mais intenso até eu perceber que estava absolutamente incontinente.

Nunca havia ouvido qualquer coisa a esse respeito. Jamais imaginava que uma laceração pudesse ser tão grave.

Meu médico me dava pouquíssimas informações, então decidi procurar um proctologista que, após muitos exames, descobriu que eu sofri uma laceração tão séria, que havia ocorrido o rompimento dos esfincteres anais, tanto externo quanto interno.

Foi necessária uma cirurgia para reparar os esfíncteres e a laceração,bem como toda a estrutura muscular rompida, já que o GO somente suturou a parede interna da vagina após o parto, deixando o períneo aberto, formando praticamente um único canal com o ânus.

Segundo o proctologista, eu poderia ter ficado incontinente para sempre. Mas, graças a Deus, me recuperei.

Diante de tudo o que relatei, minha pergunta é: ainda posso parir naturalmente após ter sido submetida a perineoplastia e esfincteroplastia?

Meu proctologista e ginecologista disseram que se eu tenhar outra vez, posso ficar incontinente para sempre.

Mas, dadas as ameaças infundadas habitualmente utilizadas pelos médicos para nos convencer a uma cesárea, acabo por duvidar da veracidade da informação.

ME AJUDEM, POR FAVOR!!!!

Bjs e obrigada
Flávia”


Flávia, apesar de sua mensagem poder ser usada como um espantalho contra o parto natural, o espetacular é que ela acaba sendo uma propaganda do mesmo, por isso a apresentamos nesse espaço. Inclusive, a resposta que Roselane Gonçalves, nossa enfermeira obstetra, deu diz respeito a todas as lacerações, inclusive para a tão comum episiotomia.

“Todas as lesões perineais (sejam episiotomias ou lacerações) – diz Roselane –, após reparadas passam pelo proceso de cicatrização, o que geralmente, causa no tecido a formação de fibrose. Essa condição pode fazer com que a musculatura do períneo, numa outra ocasião em que seja solicitada a distender-se, apresente resistência. Isso, às vezes, pode indicar a realização de uma episiotomia (crieteriosa no que s refere a sua amplitude) num proximo parto. Porém, tudo isso deve ser avaliado na ocasião em que as fibras musculares do períneo sejam novamente "solicitada", ou seja, no momento do proximo parto.”

É bom lembrar que nem todo trabalho de parto longo acarreta tamanhas consequências. Não se aproveitem os detratores do parto natural! Ocorrências graves deste tipo são bastante raras. No geral, quando há lacerações, elas são pequenas e nem sempre é sequer   necessário costurá-las, podendo cicatrizar naturalmente. Comprovadamente é preferível uma laceração espontânea do que o corte da episiotomia que implica na lesão das camadas musculares do períneo. A laceração se compara ao corte como um esgarçamento de tecido se relaciona a um corte do mesmo. Qual o mais “radical”?

À pergunta “Como se faz para prever se a laceração será leve ou grave”, a resposta é: preparar o períneo durante a gravidez com massagens e exercícios (o de Kegel, por exemplo); acompanhar o trabalho de parto com um cuidado especial para esta área, fazendo compressas quando necessário; enfim, manter um olho atento que é próprio do profissional apurado.

Uma mulher com um corpo relaxado e uma mente consciente constituem metade do caminho. Um profissional bem treinado e seguro de si completam o quadro.


 

 

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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