O QUE FAZER QUANDO A CESARIANA É REALMENTE NECESSÁRIA?

October 1, 2017

 Existem algumas raras situações onde a indicação da cesariana é obrigatória, por isso gostaríamos de dar algumas dicas para tornar este momento menos traumático para mãe e o seu bebê.

 

Aspectos importantes do parto natural e o que podemos fazer numa cesariana para tentar nos aproximar daquilo que é o fisiológico.

 

1. O bebê sente as contrações uterinas como uma massagem que prepara  seu corpo para a transição da vida aquática para a vida terrestre. A  saída brusca do ventre materno, sem aviso prévio, pode provocar uma sensação de desolação e abandono como acontece na cesariana eletiva.  Para abrandar esta transição, logo após o nascimento, podemos fazer uma massagem suave no bebê, a massagem butterfly, que estimula a pele do recém nascido de forma semelhante às contrações.

 

2. Durante o trabalho de parto são liberados uma série de hormônios que inundam mãe e bebê. Estes hormônios servem como um aviso para ambos que a transição está acontecendo e, portanto, os prepara física e emocionalmente para o momento do nascimento. Logo após o parto, embebidos por estes hormônios, a mãe e seu filho encontram-se num estado de alerta, psicologicamente significativo para a criação de um bom vínculo afetivo. Por isso, sempre que possível quando a cesariana é necessária, devem-se aguardar os sinais do trabalho de parto, para que a dupla mãe-bebê receba os sinais hormonais e físicos de que o momento certo chegou para o nascimento acontecer. Por este motivo as mulheres não devem temer passar pelo trabalho de parto mesmo que este acabe em cesariana.

3. Num parto natural a mulher é a protagonista do nascimento e conduz seu filho para o mundo de forma consciente. Quem “faz” o parto é a própria gestante, ela se basta. A vivência do trabalho de parto traz à mulher uma integridade emocional para que possa zelar de sua cria. Quando a cesariana é necessária, a ajuda da equipe médica é imprescindível, mas não por isso, a gestante deverá entrar no centro cirúrgico com uma postura completamente passiva e derrotada. Deverá entrar consciente de sua situação, com a dignidade de aceitar um limite que a natureza lhe impôs. Mesmo submetendo-se à cesariana, a gestante deve fazer o seu plano de parto, desta forma conseguirá retomar sua integridade emocional, pois, terá uma posição mais ativa no nascimento de seu filho.

 

Algumas sugestões para um plano de parto de uma cesariana:

 

1. Se plausível tecnicamente, aguardar início do trabalho de parto e, se possível, permanecer algumas horas em trabalho de parto antes de realizar a cesariana.

2. Pedir para que fiquem na sala cirúrgica o menor número de pessoas e que estas façam silêncio, evitando assuntos impertinentes ao momento.

3. Se desejar, pode ser colocada uma música suave e em volume baixo, ou simplesmente os pais podem cantar para seu bebê na sua chegada.

4. Durante a instalação da anestesia o parceiro pode participar dando apoio físico e emocional para a gestante. O pai fica de frente para a mãe apoiando seus ombros para que o anestesista possa pressionar a coluna da gestante sem que ela perca o equilíbrio. Neste momento o casal pode se olhar nos olhos numa atitude de cumplicidade. O pai pode pedir à gestante que relaxe e respire calmamente, como também deve se sentir à vontade para expressar seus  sentimentos em relação a sua mulher.

5. Depois da anestesia o parceiro pode permanecer de mãos dadas com sua mulher ou simplesmente ficar próximo a ela.

6. Pedir ao anestesista que não prenda os braços da gestante durante a cesariana, mas é claro que a mulher terá que restringir seus movimentos, pois, muitos locais não devem ser tocados durante a cirurgia para evitar infecções.

7. No momento do nascimento o foco de luz deve ser retirado do ventre materno e todas as luzes devem ser reduzidas para não ofuscar o bebê que sairá de um ambiente escuro.

8. Imediatamente após o nascimento a criança deve ser colocada sobre o ventre materno para sentir a pele de sua mãe e ali permanecer até o cordão parar de pulsar. Em alguns casos o sangramento materno pode   impedir esta etapa.

9. Se o parceiro se sentir à vontade poderá cortar o cordão umbilical, tomando as devidas precauções que o médico lhe ensinará.

10. Após cortar o cordão a criança pode ser colocada sobre o peito de sua mãe para que a mãe sinta a pele de seu bebê e o vínculo afetivo seja estabelecido. A criança pode permanecer aí até o final da cirurgia.

11. Se possível realizar a massagem suave no bebê no colo da mãe.

12. Não aspirar nem pingar colírio rotineiramente no recém nascido.

13. Se a mãe estiver desconfortável com o bebê no seu peito, o parceiro deverá segurá-lo e massageá-lo, poderá realizar a massagem dentro de uma banheira com água morna.

14. Pedir ao anestesista para que não administre nenhum sedativo na parturiente, assim ela ficará ativa e interagindo com seu bebê.


Indicações para uma cesariana eletiva

 

Existem poucas indicações absolutas para a cesariana; a maioria é relativa, dependendo da habilidade e do julgamento de cada obstetra. Por isso, aconselho as gestantes procurarem uma segunda ou terceira opinião quando uma cesariana eletiva for indicada.

1. Prolapso de cordão: situação rara em que o cordão umbilical sai antes da saída do feto. Nesta situação o cordão umbilical é comprimido entre a cabeça do bebê e o colo do útero e o fluxo de sangue é interrompido ocasionando falta de oxigenação para o bebê que pode vir a óbito. Faz-se necessário a interrupção imediata da gestação via cesariana para salvar a vida da criança.

 

2. Descolamento prematuro da placenta: em gestante hipertensa ou que  sofreu algum tipo de traumatismo a placenta pode descolar da parede uterina interrompendo o fluxo de sangue para o bebê, a extração imediata do feto é necessária para salvar-lhe a vida.

 

3. Placenta prévia: é quando a placenta fica aderida à abertura interna do colo do útero (centro-total) e assim obstrui completamente a passagem do feto. Pode sangrar muito durante o trabalho de parto, pois, enquanto o colo do útero dilata, ela vai descolando. A placenta pode também estar aderida parcialmente ao colo do útero, neste caso poderá tentar-se o parto via vaginal, desde que não ocorra hemorragia grave.


4. Sofrimento fetal: significa que o feto não está em condições adequadas para sua sobrevivência dentro do útero. Esta situação pode ser detectada durante o trabalho de parto através da monitorização da freqüência cardíaca fetal (bradicardia intensa e prolongada ou desacelerações tardias repetidas e severas) ou durante o pré-natal através dos parâmetros clínicos e de exames complementares.


5. Doenças maternas:

Eclâmpsia ou síndrome HELLP: nos casos em que o feto está vivo e o colo do útero é desfavorável para uma indução de parto normal


Herpes genital: indica-se cesárea na presença de lesão ativa por ocasião do trabalho de parto, pois poderá haver contaminação fetal com seqüelas para o bebê.


HIV: a transmissão para o feto fica diminuída quando se faz parto cesáreo.


6. Cirurgias ginecológicas prévias: extração de miomas uterinos ou qualquer tipo de cirurgia que tenha cortado a parede do útero no sentido longitudinal em grande extensão.


7. Cesárea anterior: Não há respaldo científico para indicação de cesárea após uma única cesárea, se o feto estiver bem posicionado pode-se tentar o parto por via vaginal sem medo. A única situação em que após uma cesárea deve-se repetir outra cesárea é na gestação gemelar, pois, como o útero fica muito distendido, pode ocorrer ruptura da cicatriz por ocasião da expulsão fetal. Após duas ou mais cesáreas é aconselhável repetir a via cirúrgica para a resolução da gestação, porém cada caso pode ser avaliado individualmente.


8. Apresentações anômalas:

Feto córmico: quando o feto está em situação transversa (deitado) não há possibilidade de nascimento nesta posição, porém, antes da cesárea é possível, em algumas situações, tentar-se fazer a rotação externa do feto para posição cefálica.


Feto pélvico: partos de bebês pélvicos acontecem na maioria das vezes sem complicações, mas quando estas ocorrem são mais graves do que nos casos do bebês cefálicos, portanto cada caso deve ser analisado individualmente como profissional que acompanha a gestante. Existe uma técnica para a rotação do feto para a posição cefálica que atualmente pode ser feita sob visão do ultra-som com bastante segurança, mas nem sempre se tem sucesso. Sua realização deve ser discutida com o médico.

 

9. Malformações fetais: cada caso deve ser avaliado particularmente com a equipe que acompanha a gestante. A melhor forma de parto é aquele que aumenta e melhora a sobrevida do feto.

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