RISCOS PARA MÃE E BEBÊ NO PARTO POR CESARIANA

October 6, 2017

 

 “Como já tinha uma cesariana anterior.... marcaram-me uma nova cesariana... à medidda que fui levada... senti-me como se fosse um animal prestes a ser chacinada, sem pensar pela minha cabeça e a fazer o que me mandavam. Não foi dada qualquer consideração aquilo que sentia. Esatava deitada enquanto me era inserido o cateter da epidural, a gritar por dentro: porquê, porquê, eu não quero isto.”


Em Portugal, cerca de 1 em cada 3 mulheres dá à luz através de cesariana. Estes números fazem com que a cesariana seja a operação cirurgica mais realizada em Portugal. A OMS (Organização Mundial de Saúde) refere que a percentagem de cesarianas não deve ser superior a 15%.

 

Com este artigo, pretendo informar acerca dos riscos para as mulheres e bebés das cesarinas sem indicação médica (cesariana electivas), porque esses riscos podem ser evitados. Vamos ver artigos dos Estados Unidos e outros países e comparar com a situação presente em Portugal.

 

Gostaria de agradecer a Nicette Jukelevics pelo seu livro acerca deste assunto. Compreendendo os perigos do parto por cesariana: Tomar decisões informadas, ISBN 978-0-275-99906-3 – há vários recursos e material para profissionais de saúde e para mães disponivel para download em www.dangersofcesareanbirth.com

 

Os médicos que efectuam cesarianas a pedido, acreditam que este tipo de parto promove a saúde e bem-estar tanto da mulher como do seu feto, mais do que num parto vaginal. Por isso eles dizem ser ético este tipo de procedimento. No entanto, esta crença não é suportada pelas evidências científicas.

As mulheres acreditam que a cirurgia irá prevenir problemas futuros no suporte pélvico e problemas de disfunção sexual, mas não há provas de qualidade que substanciem qualquer uma destas crenças. Em Março de 2006, na Conferência promovida pelo US National Institutes od Health State , em Bethesda, Maryland, sob o tema “Cesarianas electivas a pedido da mãe”, não foi apresentado um único estudo que suportasse o facto de as mulheres norte-americanas fazerem cesarianas a pedido, sem indicação médica.

 

O inquérito conduzido pela organização “Childbirth Connection” em Nova Iorque, decobriu que apenas menos de 1% das mulheres que responderam ao questionário queria uma cesariana elecctiva sem indicação médica para tal. Mas por todo o país e nos media estava a começar uma discussão acerca da cesariana electiva ser uma opção que as grávidas deveriam discutir com os seus médicos.

Isto apesar de o Colégio Americano de Enfermeiros-Obstetras e a Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá, a Associação Canadiana de Parteiras, O Colégio Real de Ginecologistas da Grã-Bretanha, o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido e a Federação Internacional de Obstetras e Ginecologistas não suportarem a cesariana elecctiva a pedido da mulher, por não haver evidências de que seja mais benéfico do que um parto normal.

 

Num ensaio publicado nos  Anais de Medicina Familiar os médicos Lawrence M. Leeman e Lauren A. Plante escreveram: “Nos tempos mais recentes temos observado o declínio da escolha da mulher por um parto vaginal, enquanto que o parto vaginal após cesariana anterior se torna cada vez menos disponível e o parto pélvico vaginal raramente é exeutado. A questão que se coloca acerca da escolha pela cesariana electiva apenas incide sobre o direito de uma mulher em escolher a cesariana sem indicação médica. O direito da mulher de optar por um parto vaginal não é sequer abordado... Para quê defender a escolha da mulher, se a única opção disponível é a cesariana?

 

Hoje em dia, graças à pesquisa e investigação disponível, sabe-se que até em bebés de termo a mortalidade neonatal é quase o dobro em crianças nascidas de cesariana electiva sem indicação médica, quando comparada com o parto vaginal.

 

Em França, investigadores concluíram que o risco de morte pós-parto para as mães era 3,6 vezes superior depois de uma cesariana planeada para bebés pélvicos, do que que num parto pélvico vaginal. Por esta razão, os prestadores de cuidados maternos (médicos , enfermeiras, parteiras) devem discutir a versão externa por volta das 36/37 semanas de gestação, como opção de forma a evitar uma cesariana marcada por posicionamento pélvico fetal.


Riscos para os bebés

 

Numa cesariana programada, sem entrar em trabalho de parto, é mais propício a que os bebés nasçam pré-termo.

 

Muitas das cesarianas efctuadas em Portugal são planeadas pelos bebés serem demasiado pequenos, ou demasiado grandes para a idade gestacional. Quase nenhum desses bebés pesa menos de 2500gramas (dismaturaidade para bebés de termo) ou superior a 4200gramas (macrossomia para bebés de termo).

 

Com uma cesariana programada, os bebés  estão mais propícios a nascer pré-termo. As complicações respiratórias podem ser sérias o suficiente para internamento numa unidade de cuidados intensivos para recém-nascidos.

 

A massa cerebral de bebés pré-termo tardio (34-36 semanas de gestação) é cerca de 70% da que apresenta um bebé de termo. Os bebés que nascem entre as 34 e 36 semanas são mais propícios a ter problemas de aprendizagem e comportamento em idade escolar, do que aqueles nascidos entre as 40 e 41 semanas.

 

Comparando um parto vaginal com uma cesariana, é mais difícil às mães e aos bebés de beneficiarem das vantagens em termos de saúde de:

  • Contacto pele com pele.

  • Não separação da mãe e bebé.

  • Amamentação na primeira hora de vida

  • Corte tardio do cordão umbilical


Riscos para as mães

 

O parto por cesariana pode ter impacto nas seguintes áreas:

  • Auto-estima

  • Apego da mãe ao bebé

  • Relacionamento matrimonial

  • Capacidade da recente mãe para responder às necessidades do recém-nascido

  • Fertilidade/ nº de filhos

  • Problemas futuros com a placenta

  • Natos-mortos e morte neonatal inexplicavéis, numa gravidez subsequente

  • Repetição de cesariana

  • Dor prolongada

  • Coágulos Sanguíneos

  • Embolia pulmunar

  • Trombose

  • Risco de enfarte

Alguns destes factores de risco são 7 vezes superiores do que num parto vaginal.

 

A cesariana tem indicações médicas em cerca de 15% de todos os partos. Uma das razões pelas quais são realizadas cesarianas tem a ver com a duração do trabalho de parto. Mas quando é que uma mulhere está em franco trabalho de parto? Para responder a esta pergunta temos que diferenciar a fase latente do trabalho de parto da fase activa. Com menos de 4 cm de dilatação a mulher não está em trabalho de parto activo e os bebés quase nunca têm problemas. Com mais de 4 cm de dilatação, as mulheres devem poder comer, beber e ter total liberdade de movimentos. A água pode ajudar no alívio da dor e as mulheres também podem beneficiar do alívio natural da dor, pelas endorfinas produzidas normalmente pelo organismo.

 

Com um trabalho de parto normal, as mulheres não deviam nunca estar deitadas de costas ou monitorizadas de forma contínua com o CTG. Ambas as práticas aumentam o risco de cesariana.

As cesarianas também são realizadas por distócia entre a pelvis da mãe e o tamanho da criança após o começo activo do trabalho de parto.

 

As cesarianas são muitas vezes realizadas por induções que falharam. A indução do trabalho de parto aumenta também o risco de cesariana. O Cytotec/Mysoprostol, uma droga usada para dar início ao trabalho de parto, não está aprovada pela FDA americana para esse propósito.

 

Como evitar o risco de uma cesariana:

  • Preparação para o parto

  • Reconhecer as diferenças entre trabalho de parto latente e fase activa de trabalho de parto

  • Hidroterapia

  • Música, relaxamento

  • Suporte contínuo durante o trabalho de parto (doulas)

  • Fazer o trabalho de parto fora do ambiente hospitalar

  • Avaliação de risco feita por um profissional de saúde menos intervencionista, como uma parteira ou médico de família

 

PROCEDIMENTOS A EVITAR DURANTE A GRAVIDEZ

 

Pesquisas recentes demonstraram que as páticas a seguir descritas aumentam o risco de cesariana, sem aumentar os benefícios de saúde tantos para mães como bebés:

  • Ecografias de rotina depois das 24 semanas

  • Ecografia para determinar macrossomia

  • Cesariana electiva por indicação de macrossomia

  • Cesariana electiva em gémeos

  • Cesariana electiva para bebés pequenos de acordo com a idade gestacional

  • Cesariana electiva para evitar disfunção do soalho pélvico

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