AMAMENTAÇÃO: PODER FEMININO

A gestação, o parto e a amamentação são uma das fases mais significativas da vida de uma mulher. Nem sempre todos estes momentos são vividos em sua plenitude por uma série complexa de fatores. Apesar do conhecimento incontestável do valor do leite humano e dos benefícios do aleitamento não só para a lactente (ou nutriz), o desmame precoce é ainda bastante comum, mesmo em mulheres com acesso à informação. Uma das inúmeras causas, é que muita gente pensa que a amamentação é instintiva, inata. E quando surgem dificuldades supõe que seja uma incapacidade pessoal. Na verdade, o Aleitamento é uma habilidade que precisa ser resgatada e uma prática que precisa ser apoiada. Antigamente, o manejo da psico-fisiologia da lactação era passado de mãe para filha, pela amiga ou irmã. Com as pressões e o modo de vida urbano foi rompido este ciclo.


Amamentação: Direito e Prazer

Dar o peito é um ato produtivo e reprodutivo exclusivo da mulher que necessita ser devidamente valorizado e apoiado pela sociedade.

Quando a mulher está amamentando são mobilizados diversos recursos do seu próprio organismo que aceleram a recuperação pós-parto. O corpo volta mais rapidamente ao normal, principalmente o útero, fazendo que aja menor perda sangüínea e conseqüente anemia. A mãe que amamenta tem menos depressão pós-parto, menos câncer de mama e ovário, menos chances de ter osteoporose e outras doenças. Além do que, a lactação pode ser utilizada como método contraceptivo seguro até os 6 meses de vida pós-parto se você amamenta exclusivamente em livre demanda e continua em amenorréia.

O Aleitamento Materno aumenta a auto-estima e quando bem apoiado é uma fonte de prazer para você e seu bebê.


O Milagre do Leite Materno

O leite de mãe é o melhor alimento para o lactente em seu primeiro ano de vida, especialmente nos primeiros 6 meses, quando pode ser usado exclusivamente (sem água, chás, vitaminas, etc.) e possibilitar um crescimento e desenvolvimento ótimo. A amamentação protege o bebê de Diabetes, Doença Celíaca, de infecções respiratórias, inclusive otite, alergias, diarréia, infecções urinárias, obesidade, hipertensão, cáries, má oclusão dentária e uma série de outras enfermidades.

Amamentar não é tão somente uma forma de administrar nutrientes. Também promove um saudável desenvolvimento psíquico de seu bebê, pois, ao satisfazer sua necessidade de sucção, em contato pele a pele, íntimo, incrementa o vínculo e os laços afetivos entre vocês.


Como Tantos Benefícios são Alcançados?

Atualmente já foram descobertos mais de 300 componentes do Leite Materno: todos os nutrientes necessários, além de anticorpos (ou imunoglobulinas), hormônios, enzimas e células brancas de defesa...


O Colostro é o nome do "leite dos primeiros dias" pós-parto, que contém quase 3 vezes mais proteínas que o leite maduro. Grande parte destas proteínas são Imunoglobulina A - IgA, por isto o colostro também é chamado de 1a. vacina.

Por um mecanismo inteligente, mães transferem a seus bebês Ig A contra germes com os quais teve contato, protegendo o lactente amamentado, de microrganismos daquele ambiente em que vivem.


Melhor que o leite humano, só o leite materno. Já foi demonstrado que cada mãe produz um leite especial de acordo com as necessidades de seu bebê. As mães que tiveram um parto prematuro produzem durante as primeiras semanas, leite com uma composição maior de proteínas, lipídios e calorias e menor de lactose que o leite maduro.


Um dos motivos para o QI mais elevado nos amamentados é que o leite materno possui substâncias exclusivas; por exemplo, ácidos graxos de cadeia longa, entre eles o Omega 3 de grande importância para o desenvolvimento do sistema nervoso.


Estamos Deixando de Ser Mamíferos!

No Brasil apenas 4% dos bebês são amamentados exclusivamente até o 6º mês, época considerada ideal para o início da introdução de novos alimentos.

Vários são os motivos que podem ser apontados como causadores desta situação: a carreira profissional da mulher ou o trabalho como autônoma; a falta de vivência e troca com outras mães sobre questões da maternidade; a ausência de suporte familiar; licença gestante insuficiente e descumprimento das leis de proteção à mulher; despreparo de profissionais de saúde e conseqüente práticas hospitalares inadequadas (veja os 10 passos); publicidade não ética de alimentos infantis, mamadeiras e bicos; falta de implementação de programas de incentivo à amamentação; tabus culturais ...


Ser Mãe ou Seguir uma Carreira Profissional?

Com tantos empecilhos a mulher que trabalha fora de casa é levada a acreditar que o desmame é a melhor solução para conjugar a maternidade com o emprego. Ledo engano! Cedo aparecem os problemas conseqüentes ao desmame total. O leite de vaca, mesmo com o rótulo de fórmulas especiais, não protege seu filho de infecções, não é bem digerido, causa alergias e implica em mais tempo e dinheiro gasto com consultas, em medicações, preocupações e culpa... Ao contrário, o Leite Materno confere proteção e tranqüilidade, mesmo quando ordenhado e oferecido por outra pessoa, no caso da mulher que sai para trabalhar. Retirar seu próprio leite e conservá-lo é muito mais fácil do que se imagina. Para a mãe e também para o bebê, a amamentação, este encontro singular, pode ser a compensação por tantas horas de separação.


Felizmente não existe "leite fraco" ou "produção insuficiente de leite". E se as mamadas são dolorosas, os bicos dos seios racham e se o seu bebê não estiver ganhando peso como deveria, alguma coisa está errada. Você precisa de apoio. Coisas simples, mas fundamentais! Todo bebê está capacitado a mamar e toda mãe é capaz de amamentar, desde que receba orientações no pré-natal, parto e no pós-parto. Coisas como: a maneira de segurar o bebê e o modo como abocanha a aréola; o uso do próprio Leite Materno para tratar fissuras, etc...


Atualmente, há um conjunto de políticas de fomento e defesa do aleitamento materno. A Iniciativa da OMS/UNICEF, que denomina de Hospital Amigo da Criança a maternidade que cumpre os 10 passos, é um exemplo. Estes 10 procedimentos mínimos, mundialmente e cientificamente reconhecidos, são os que você deve exigir dos profissionais de saúde e da maternidade que você escolherá para ter seu filho.


10 passos para o sucesso

Todos os estabelecimentos que oferecem serviços obstétricos e cuidados a recém-nascidos deveriam cumprir os 10 passos para o sucesso do Aleitamento Materno ("Proteção, Promoção e Apoio ao Aleitamento Materno - o papel especial dos serviços materno-infantis". Uma declaração conjunta OMS/UNICEF de 1989):


1. Ter uma norma escrita sobre aleitamento, que deveria ser rotineiramente transmitida a toda a equipe de cuidados de saúde.

2. Treinar toda a equipe de cuidados de saúde, capacitando-a para implementar esta norma.

3. Informar todas as gestantes sobre as vantagens e o manejo do aleitamento.

4. Ajudar as mães a iniciar o aleitamento na primeira meia hora após o nascimento.

5. Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos.

6. Não dar a recém-nascidos nenhum outro alimento ou bebida além do Leite Materno, a não ser que tal procedimento seja indicado pelo médico.

7. Praticar o alojamento conjunto permitindo que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia.

8. Encorajar o aleitamento sob livre demanda.

9. Não dar bicos artificiais ou chupetas a lactentes amamentados ao seio.

10. Encorajar o estabelecimento de grupos de apoio ao aleitamento, para onde as mães deverão ser encaminhadas, por ocasião da alta do hospital ou ambulatório.


Marcus Renato de Carvalho é pediatra, prof. de Puericultura da Faculdade de Medicina da UFRJ, especialista em Amamentação pelo International Board Certified Lactation Consultant, diretor do site www.aleitamento.com, pai da Clara e da Sophie.

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