GRÁVIDAS QUE CORREM COM OS LOBOS

O resgate da “mulher selvagem” significa na prática e bem simplismente resgatar os instintos do corpo. Em primeiro lugar, o que o corpo manda. Se trata de entrar em contato com o que se sente a nível corporal e que se reflete no psicológico. Portanto, é também um caminho possível passar pelo psicológico para chegar a compreender o que o corpo quer.

 

O que faz feliz o corpo? Com certeza, movement-se. O movimento é uma maiores expressões de felicidade e de vida. Pessoas deprimidas, tendem a ficar paradas. Os mortos estão parados e duros. Os bebês se mexem a toda a hora e são “moles”, flexíveis.

 

Agora, no mundo feminine, quais são as reais repercussões disso? As mulheres são inibidas em seus movimentos por uma variedade grande de situações e contextos.

 

Suas roupas e seus sapatos podem bloquear a liberdade e amplidão de seus movimentos. O trabalho pode constrangi-la a ficar sentada demais, perturbando sua respiração, cortando sua circulação. É impossível ser feliz nessas condições - pelo menos na medida em que temos um corpo. O medo das ruas ou do que os outros vão pensar, ou a vontade do marido, do pai, do namorado podem proibir-lhe movimentos livres.

 

Quando a mulher engravida, junta-se mais uma autoridade para tolhir-lhe os movimentos, o médico/hospital e/ou os preconceitos. O parto é uma romaria de proibições todas ligadas aos movimentos.

 

O que significa então ser uma “grávida que corre com os lobos”? Não significa obter tantas informações quanto possível e assim ganhar confiança para “seguir os próprios instintos”. Esta atitude é justamente o oposto do que se pretende. Se é preciso de informação racional e “científica” para liberar os instintos: 1) estamos afirmando para nós mesmas que não acreditamos em nossos instintos; 2) perdemos desta forma ainda mais contato com eles.

 

Se a mulher fizer uma honesta auto avaliação de si mesma e perceber que não sabe reconhecer seus instintos, quer dizer que sua psicologia precisa de ajuda para dividir o joio do trigo, ou seja o que é instinto e o que tapa o instinto. “Instinto”, por definição, é algo que nos salva a pele sempre, é conhecimento já tão mastigado e digerido que acontecia sem que se precise saber como e por que. Só faça. Alguém perguntaria para Mozart como é que ele chegou a tal acorde ou melodia? Interromperia o trabalho dele para entender a “técnica”? Deixe-o tocar. É divino.


Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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