QUE MULHERES SOMOS?

April 1, 2019

Esta é a imagem da mulher moderna, a nova emancipada. Parece que ela mistura um uniforme de operária, com um lenço de cozinheira e um bebê nos braços. A típica acumuladora de funções: trabalha fora, cuida da casa e das crianças, sempre de olho na próxima tarefa a ser realizada (inclusive o bebê, do jeito que está sendo carregado, parece também mais uma tarefa a ser cumprida no atribulado dia da mulher moderna). Ela conquistou a igualdade de direitos e agora pode sair às ruas pra matar um leão todo dia (inclusive dentro de casa), tem o perfil masculino e independente e, EM TESE, tem o direito de escolher e de ir e vir livremente.


A maioria das mulheres que eu conheço se encaixa na descrição dessa imagem. Emancipadas, independentes, acumuladoras de funções... Mas totalmente perdidas nesta confusão de papéis. Sem dúvida gozam das conquistas feministas do século passado o que, sob certo ângulo, é positivo. No entanto, parece que sofrem de um outro tipo de opressão e ela é ainda mais cruel, pois esta opressão vem de dentro, parte delas próprias. Cobram-se para serem as melhores em tudo, performance é o nome do jogo. Mas vivem com medo. Medo de não conseguirem criar os filhos, medo de não terem reconhecimento profissional, medo de não conseguirem acumular dinheiro suficiente para satisfazer todos os desejos de consumo, medo de serem abandonadas pelo parceiro, medo de ficarem velhas, medo de serem mulheres. Opressão é pouco!! 


Eu sei bem do que estou falando (e falo em terceira pessoa) porque fui criada desta forma e vivi assim quase toda a minha vida adulta, até bem pouco tempo atrás. Por trás de toda esta fortaleza, existem mulheres frágeis, inseguras, desconectadas da sua verdadeira essência e vivendo uma existência externa, de fora pra dentro. Isto é triste porque são, de fato, mulheres guerreiras, com enorme potencial e energia porém, canalizada para uma enormidade de tarefas improdutivas e sem foco. Vão passando pela vida sem se permitir entregar-se aos momentos e aos ciclos femininos, lidando constantemente com a confusão e com a doença. 


Uma das minhas melhores amigas vive claramente esta roda viva. É uma profissional bem sucedida em eterna crise. Acha que o trabalho consome demais o tempo que gostaria de dedicar aos dois filhos pequenos, mas se arrepia de pensar em passar mais do que algumas horas com as crianças, que demandam e estressam ainda mais que o chefe. Sente-se dependente do gordo salário porque, só assim, consegue satisfazer todos os seus  desejos de consumo e, assim, consegue sentir-se agradando a si mesma e tendo algum alívio da pressão que sofre diariamente. Investe no casamento mas não sabe bem por quê. Ora para criar os filhos em conjunto, ora para manter uma relação estável, já que está na faixa dos 40 anos. Acredita que o marido deva dar condições para que ela se dedique mais às crianças mas não suporta que ele tenha voz ativa nas decisões da família. Sua tão suada conquista de independência não a permite compartilhar e assumir com o marido um processo de co-criação da família (ainda que diga que é o que mais deseja). Enfim, uma sucessão de conflitos de ordem diária, que põe o caos na cabeça desta mulher, que vive estressada e desconectada de seu poder feminino (ainda que seja muito poderosa). 

Um outro perfil comum que posso ver em algumas mulheres que conheço é o das ingênuas. As que não assumiram por completo a emancipação feminina e ainda carregam aquela marca da mulher antiga, submissa, ainda que pareçam modernas. Estas parecem viver alienadas e, embora tenham um visual bem “feminino” e uma rotina “de mulher”, na verdade escondem-se a si próprias, delegando sua vida e suas responsabilidades a outros (marido, mãe, fihos, etc).



E existem as exceções, mulheres que não se encaixam nestes perfis típicos. Vejo neste grupo mulheres que estão buscando, experimentando, acertando e errando pois perceberam que o modelo não lhes ajuda em nada (pelo contrário) mas ainda não encontraram a fórmula (se é que existe) para construir uma nova realidade feminina. 


Monica Stange é publicitária e educadora perinatal. 

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