OS MECANISMOS DO PARTO - F. LEBOYER

April 10, 2019

É todo o movimento ativo e passivo feito pelo feto, impulsionado pelas contrações, através do canal de parto.


O trabalho uterino ao comprimir o bebê, obriga-o a se moldar, fletir, movimentar e girar passivamente, para apresentar-se em condições de mais facilmente atravessar o túnel vaginal. Para o parto normal, o grande eixo do feto deve coincidir com o grande eixo da mão. O feto deve posicionar-se de comprido, apresentando-se pela cabeça ou pelas nádegas, se não for assim o parto espontâneo não se dará (Paciornik, 1981).

 

A cabeça fetal tem diâmetros variáveis e para passar com mais facilidade pelo canal do parto ela deve apresentar-se pelo seu menor diâmetro. Para tanto, a cabeça deve fletir-se (flexionar-se) até que o mento (o queixo) se encoste no tórax. Nessa atitude, o diâmetro que vai do occípto (nuca) à fronte (testa) se reduz a um diâmetro compatível com a bacia da mãe.

 

 

Frédérick Leboyer 

 


Os seis tempos do mecanismo do parto normal

 

1. Insinuação ou encaixamento da cabeça


Para que o nosso herói consiga obrigar o colo a ceder, ainda é preciso que sua cabeça entre em contato com ele. Mas durante esse trabalho ele encontrará rochas pela frente. São os terríveis ossos da pelve, pelve onde a cabeça da criança vai ter de penetrar, afundar, onde é preciso "encaixar-se" custe o que custar, pois é no seu fundo que se encontra o colo, onde se esconde o inimigo que é preciso render.

Essa fortaleza como tomar? Pela força? Impossível. Aqui cabe inteligência, sagacidade, versatilidade, contornar o obstáculo em vez de atacá-lo de frente ... é preciso penetrar nessa pelve. A cabeça da criança deve encontrar sua entrada, porque é preciso que nosso herói "passe por lá...".


2. Descida

3. Rotação interna da cabeça


" ... como a cabeça consegue descer pela pelve, encaixar-se e avançar?

Pela maneira como se move. Pois em vez de "ir fundo em frente, abaixada", qual touro furioso, ela, com infinita sutileza, contornando o obstáculo ... só consegue continuar descendo graças ao movimento giratório, descida, giro sobre si mesma descrevendo uma espiral, que é o "movimento perfeito".

A criança, pois, guiada por sua cabeça, desce, girando sobre si mesma, tendo como eixo sua própria coluna vertebral; "afunda" na pelve mais ou menos como se fosse um saca-rolha, ou melhor, uma hélice...."


4. Desprendimento da cabeça


"... é acentuando mais a flexão que a cabeça vai conseguir passar, deslizar... e apoiando-se na sínfise, alojando sob ela a "fosseta da nuca", a cabeça, no último momento, fará uma deflexão, e com isso o herói recobrará o brio, e a cabeça terá vencido o último obstáculo, o períneo..."


5. Rotação externa da cabeça acompanhada da rotação interna dos ombros e membros
6. Desprendimento final


"... saída a cabeça, a partida está ganha, o resto do corpo seguirá facilmente... a menos que os ombros criem problema.

E como aqui nos é dado um parto perfeito, vejam os ombros, um após outro sair, graças ao admirável movimento de rotação.

Tudo vai tão depressa que mal se percebe, por que o corpo do bebê é maleável, escorregadio como... um enguia (o mar outra vez!); pode até "escorregar entre os dedos ..."



O texto foi extraído da obra de Frédérick Leboyer: Se me contassem o parto..., Ed. Ground, 1998.

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