PARTO ATIVO, MULHER PASSIVA?

Pode uma mulher bem comportada ter um parto ativo? Minha resposta é: não.

Mulher "bem comportada" significa em nossa sociedade uma mulher que segue as regras sociais... peraí, não simplesmente aquelas materiais e externas! Se fosse só isso seria simples, pois hoje em dia muitas mulheres, movidas pelo despertar para com os absurdos cometidos nos partos tradicionais, se rebelam. Inquietas, buscam novos caminhos e ousam violar as regras da obstetrícia padrão e os mitos da sociedade de consumo.

Entretanto, como a experiência o demonstra, isso não basta. Fazer molequices de barrigão grande não garante de forma alguma um parto ativo, porque o que está ativo no parto não é o "ego despertado" da mulher, mas seu SER DESPERTADO! E isso não tem bíblia que ensine.

No que consiste essa condição? Refere-se à autonomia interior da mulher com relação ao modelos e guias externos (mentais e emocionais). No lugar disso, ela se volta para seu guia interior e seus parâmetros internos. Isso corresponde a encontrar-se e este lugar é o novo paradigma que se busca.

Violar regras sociais é o primeiro passo de uma caminhada longa. Este início está ainda vinculado ao paradigma antigo contra o qual luta. Uma mulher empoderada já não tem o paradigma antigo como referência, sabe dele porque vive nessa mesma sociedade que o produziu, mas ela já vive em outro. Este viver em outro paradigma não se identifica com um novo conjunto de regras, mas como um estado do ser. É como quando se está feliz: tem uma regra para isso? Mal dá para explicar em palavras o sentimento, mas estamos neles, o sentimos e isso nos é suficiente.

Uma mulher ativa é aquela que põe-se em movimento, pensa e sente de forma independente de tudo e todos, fazendo jus à unicidade que ela é. Nenhuma pessoa que segue um modelo pode ter um parto ativo porque pela graça poderosa da deusa da vida, parto é INCONTROLÁVEL. Só tem um parto ativo quem por ele se deixar levar, em confiança e conhecimento instintivo. A benção que o parto ativo traz é o desafio de ser si mesmas sem muletas e sem fachadas, sendo o parto uma da mais intensas experiências de auto-conhecimento.

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

#partoativo #mulherpassiva

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