A ENROLAÇÃO DO CORDÃO ENROLADO

Minha filha está no oitavo mês de gravidez. Fiz uma ultra-sonografia e resultou que o bebê está com o cordão enrolado no pescoço. Nesse caso, o parto normal pode ser feito?” Esta pergunta é muito comum. “Cordão enrolado” é uma das justificativas usadas com mais frequência para agendar uma cesárea. Atitude correta? Não, atitude errada. Dentro do útero o feto se movimenta e é normal que se “enrole” no próprio cordão, que é macio como um espaguette mole, sem possibilidade alguma de “sufocar” o bebê e sem por isso deixar de oxigená-lo e alimentá-lo apropriadamente. Até o final da gestação o bebê pode dar várias voltas dentro do útero, mudando de posição e seu cordão também mudará de posição. Entretanto, já no oitavo mês assistimos aos preparativos para encaminhar uma gestante para a cesárea. Este é o resultado o abuso médico e da desinformação das mulheres. Como dizer: “Meu filho espirrou, será que isso vai levar a uma pneumonia?” O médico responde: “Minha senhora, melhor não arriscar. Já vamos internar e tratar com antibióticos.” É assim que pensamos, baseadas na falta de informação, medo do desconhecido e instigação intencional à desinformação por parte de muitos profissionias. Retificando, mesmo com cordão enrolado é possível e viável o parto vaginal. No caso em que seja necessário, o médico obstetra, a enfermeira obstétrica ou a parteira podem, com uma manovra simples, desenrolar o cordão após a saída da cabeça do bebê. Não há motivo para se enrolar antes da hora em medos infundados. Nunca é demais lembrar que é somente durante o trabalho de parto de gestações de baixo risco que se pode saber quando uma cesárea é realmente necessária. Fora os casos de comprovado risco materno-infantil, cesáreas que se agendam com tanta antecedência refletem o pre-conceito cultural-obstétrico baseado mais na falta de habilidade e de competência dos médicos e sobretudo em sua preferência para a cesárea (que é rápida, logo ganham mais porque tempo é dinheiro) do que em perigos reais. Aos oito meses de gestação, agendar ou preparar-se para uma cesárea porque o cordão está enrolado no pescoço do bebê é um típico caso de enrolação calculada.

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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