PAGAR O MÉDICO POR FORA (DO PLANO)

“Bom dia! Estou grávida de 18 semanas e hoje pela manhã tive uma consulta com o meu médico de onde sair muito chateada. Quero muito ter um parto normal e meu médico disse que só faria se eu pagasse 1.000,00 pra que ele pudesse ficar a minha disposição, pois quando a mulher entra em trabalho de parto não podemos saber a hora exata que o neném vai nascer. Achei absurdo!

Estou totalmente perdida, sem saber o que fazer. Gostaria de alguma orientação... não sei se troco de médico, se paro de pagar o plano de saúde, se vou ter minha filha na rede pública... não sei. Estou sem saber o que fazer. Vocês poderiam me ajudar com alguma indicação? Obrigada, Paula” Cara Paula, Sinto muito pela sua situação. Infelizmente, você não é uma exceção. Recebo muitas mensagens como a sua. Sua situação levanta um dilema importante para a humanização. Os tempos que um parto natural requer são longos e parece que o que os planos pagam não é valor que os médicos consideram suficiente. De modo que a maioria dos obstetra sequer pensa em algo diferente de uma rápida e prática cesárea. Apesar de pouco ético, é o comportamento padrão. Certamente para nós que pagamos um plano de saúde e depois não temos o atendimento que, não só desejamos, mas que corresponde ao que seria qualidade em saúde, é uma situação dramática. Se os planos parecem oferecer saúde “industrializada”, a humanização promove a atenção individualizada e centrada nas necessidades da mulher e de sua família. Temos ainda um longo caminho para chegar a realizar a humanização em nível nacional e como atendimento acessível a todas as mulheres. Na espera, cabe aprender a dizer não e ir atrás de um profissional que melhor nos assista. Minha sugestão para quem tem plano é checar todos os médicos disponíveis da lista. Já que o cenário é esse, precisamos mudar nossa postura e agir como se fôssemos uma empregadora em busca de um funcionário apropriado para o trabalho. Já que as consultas pelo plano são “de graça”, se trata de dar-nos o trabalho de ir marcando com tantos obstetras quanto precisar até encontrar alguém que nos agrade. A consulta deve ser conduzida como se fosse uma entrevista a um possível candidato.

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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