SER MULHER E GRÁVIDA HOJE

Transcrevo na íntegra a mensagem que recebi de uma usuária amiga minha. Ela diz tanta coisa que dispensa comentários. É um retrato fiel da situação pela qual muitas mulheres passam, reforçada pela atual psicologia feminina. O que dá suporte à forma de fazer obstetrícia tradicional é a insegurança das mulheres. Como diz o ditado, junta-se a fome com a vontade de comer. O encaixe é perfeito. Aparentemente.

Entretanto, alguém sofre e perde com isso tudo. São as mulheres. É a elas que cabe, portanto, libertar-se da auto-sabotagem e cuidar de si mesmas. Por em ordem sua casa interna, iluminar os pontos escuros, encarar as fraquezas, trabalhar seus conteúdos interiores para que não sejam mais presas fáceis dos interesses e da ignorância alheios.



"Amiga,

tenho uma conhecida que tem uma filha da idade do Davi, 3 anos, e que está grávida de 7 meses.

Eu fico triste cada vez que ela me conta algo sobre a gravidez. Ela já trocou de médico 3 vezes. O primeiro médico, indicado pela mãe dela, era um médico antigo. Depois que ela disse que queria fazer parto normal, ele inventou uma desculpa, e disse que não ia poder mais acompanhá-la. Ela foi para a segunda médica, esta disse que ela provavelmente não poderia tentar PN, pois a primeira filha dela nasceu de uma cesárea, e ela correria o risco do útero estourar. Então ela foi para uma terceira médica, que disse que se desse ela podia ganhar normal. Ela fez uns exames que esta médica pediu. Ela me contou que na última ultrasonografia o médico disse que estava tudo ótimo com a bebê, mas que ela estava com uma curvatura na artéria. Minha amiga perguntou o que era isso, e ele respondeu que ela não poderia tentar parto normal porque corria o risco de ter pré eclampsia. E, além disso, que a neném estava sentada.

Com sete meses de gravidez a médica logo quer marcar uma cesárea. Minha amiga recusou. A médica lhe perguntou se ela queria consultar a numerologia para decidir o dia em que a filha iria nascer, e ainda deu uma sugestão, disse que sexta-feira era um ótimo dia. E alegou que a menina estava sentada. Minha amiga disse que ainda havia 2 meses para a bebê virar, e que ela ia esperar a filha dela decidir o dia em que ela queria nascer.

Eu a conheço desde antes dela engravidar da primeira filha. Fico triste e indignada por como as coisas por aqui têm acontecido. Imagina só essa situação terrível. É uma violência com a pobre bebê, só porque uma médica ignorante e desumana quer organizar a própria agenda.

Minha amiga é daquelas que fala que quer ter parto natural, mas se na hora a médica disser que não vai dar, e é o que vai naturalmente acontecer, eu tenho certeza que ela vai ficar desesperada mas vai acabar se submetendo. Isso vai lhe fazer um mal enorme. É muito triste a gente assistir a essa situação e se sentir impotente!

Eu converso com ela, mas ela tem muitos medos, pouca fé, muita insegurança, pouca intimidade com o corpo. Fica complicado. Às vezes parece que não consigo ter acesso à ela diretamente, ela fica muito no superficial das palavras.

Até que ela está mais esperta com os médicos do que imaginava. Estou torcendo para ela se iluminar, para que esta violência diminua cada vez mais até acabar! Fico só pensando no sofrimento dos bebês também, me sinto super mal!

Amiga, um grande beijo...

Letícia"




Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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