ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA GESTAÇÃO

April 29, 2019

Inicio da gravidez


É fácil supor, em vista das grandes transformações provocadas pela gravidez, que todas as mudanças emocionais devem-se à existência de conflitos normalmente presentes neste período. Estudos feitos com animais e seres humanos mostram que os hormônios sexuais exercem efeitos definidos no comportamento, sugerido que as grandes mudanças dos níveis de estrogênio e progesterona podem influir enormemente na psicologia da gravidez. A percepção da gravidez pode ocorrer bem antes da confirmação pelo exame clínico e até mesmo antes da data em que deveria ocorrer a menstruação. Não é rara a mulher captar em nível inconsciente as transformações bioquímicas e corporais que assinalam a presença de gravidez e expressar esta percepção através de sonhos ou "intuições". Em contraposição, há mulheres que só descobrem a gravidez no quarto ou quinto mês ou porque têm pouca sintonia com o próprio corpo e negam a existência das transformações da gestação, ou porque na história ginecológica há episódios de amenorréia prolongada, ou porque sangramentos eventuais no primeiro trimestres são confundidos com menstruação.


A partir do momento de percepção, consciente ou inconsciente, a gravidez inicia uma formação da relação materno-filial. A partir deste momento se instala a vivência básica da gravidez, que é a ambivalência afetiva, onde este fenômeno significativo. Além dessa a gravidez implicam na perspectiva de grandes mudanças, interpessoais, intrapsíquicas, etc. O que evidentemente envolve perdas e ganhos, e isso justificaria a existência de sentimento oposta entre si.


No primeiro trimestre da gravidez os sintomas mais comuns são as náuseas e os vômitos, alguns estudos mostram que esses sintomas não são comuns em todas as mulheres e através de estudos em alguns lugares são eles bem desconhecidos.

 

Na gravidez é comum o aumento de apetite, que ás vezes atinge graus de extrema veracidade com o conseqüente aumento de peso, ocorre também oscilações de humor, tão freqüente desde o inicio da gravidez, estão intimamente relacionadas com alterações do metabolismo.


O aumento da sensibilidade está intimamente ligado a estas oscilações de humor, além de haver, em geral, maior sensibilidade nas áreas de olfato, paladar e audição, isto se expressa também na área emocional através do aumento da irritabilidade, a mulher fica mais irritada e vulnerável a certos estímulos externos que anteriormente não a afetavam tanto, chora e ri mais facilmente.


O segundo trimestre é considerado o mais estável do ponto de vista emocional. O impacto dos primeiros movimentos fetais é um fenômeno central neste trimestre é a primeira vez que a mulher sente o feto como uma realidade concreta dentro de si, com um ser separado dela e, no entanto tão dependente, mas já com características próprias.


No terceiro trimestre, o nível de ansiedade tende a elevar-se novamente com a proximidade do parto e da mudança de rotina da vida após a chegada do bebê.


O Parto: Como fenômeno psicossomático


Se a gravidez pode ser considerada como período de maior vulnerabilidade, o parto pode ser também encarado como um momento crítico que marca o início de uma série de mudanças significativas.


Um dos temores mais comuns que surgem é o de não saber reconhecer os sinais do parto e se pega de surpresa. O parto se constitui como momento crítico por varias razões: é sentido como situação de passagem de um estado a outro, cuja principal característica é a irreversibilidade, ou seja, é uma situação que precisa ver enfrentada de qualquer forma, e tudo isso contribui para o aumento da ansiedade e da insegurança com a proximidade da data prevista é a incapacidade de saber como vai ser o desenrolar no trabalho de parto.


Dessa forma, o parto é, vivido como um "salto no escuro", um momento imprevisível e desconhecido sobre o qual não se tem controle.


Toda esta tensão na hora do parto não é só vivenciado pela mulher, mas o homem também vivencia ansiedade em ralação ao parto, em todos esses componente de medo do desconhecido da imprevisibilidade do risco. Esta ansiedade freqüente é expressa pelo temor de entrar na sala de parto, surgem fantasias de ficar nervoso, no entanto, mesmo quando fica fora da sala, quase sempre sente angústia e inquietação, especialmente quando pelo contexto assistencial, fica a mercê de que alguém da equipe saia da sala para dar-lhe notícias. Estes temores costumam estar bastante presentes no final da gravidez. Mesmo sabendo que tudo isso poderá acontecer, é difícil prever como efetivamente a mulher e o homem não se sentir na hora do parto.


Aspectos psicológicos do puerpério


O puerpério, assim como a gravidez, é um período bastante vulnerável à ocorrência de crises. O primeiro dia após o parto é carregado de emoções intensas e variado.

A puérpera sente-se em geral debilitada e confusa. A sensação de desconforto físico devido a náuseas, dores e ao sangramento pós - parto é particularmente intensa, isso ocorre lado a lado com a excitação pelo nascimento do filho. A habilidade emocional é o padrão mais característico da primeira semana após o parto, onde surge o medo da responsabilidade de ser mãe, medo de não ter a capacidade de cuidar daquele ser que no momento é tão dependente da mãe, principalmente, ou totalmente.

A euforia e a depressão alternam-se rapidamente, esta última (depressão) podendo atingir grande intensidade. Todos esses fatores ocorrem também pela súbita queda dos níveis hormonais.


Às vezes é difícil determinar a linha divisória entre a normalidade e a patologia, no caso da depressão pós - parto. Porém, em todo caso, a intensificação ou a permanência dos sintomas depressivos após algumas semanas depois do parto merece ser vistas com maior cuidado. A depressão pós - parto tende a ser mais intensa quando há uma quebra muito grande da expectativa em relação ao bebê, a si própria como mãe, e ao tipo de relação que se estabelece com a presença do filho. Essa depressão que se prolonga pelos primeiros meses pós - parto é comum persistir a sensação de decepção consigo mesma, desilusão, fracasso.


Em suma, o bebê a nascer se constitui num enigma, representa esperança de auto - realização para os pais e ao mesmo tempo, ameaça de expor as dificuldades ou deficiência dos pais, implica, portanto, numa promessa de aumentar a auto - estima dos pais, e, ao mesmo tempo de "denunciá-los" como pais maus.


BIBLIOGRAFIA

Maldonado, Maria Tereza Pereira. Psicologia da gravidez: parto e puerpério Vozes, Petrópolis, 1985.

 


Texto retirado de: http://www.portaldeginecologia.com.br/ 

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