VISÃO DA GRAVIDEZ NA MODERNIDADE

April 29, 2019

Uma mulher pode ter engravidado, mas não estar grávida.

Pode-se estar perto mas não estar junto.

Pode-se estar olhando e não vendo.

É preciso prestar atenção.

E atenção só acontece no agora.

 

Hoje, enquanto fazia um intervalo, meditei sobre a visão da gravidez. Existem várias visões, milhões, pois cada indivíduo pode ter a sua. Pensava em descrever a minha, e as que escuto e que testemunho. Pensei em descrever como estas visões existiram e se formaram, tentando percorrer com vocês os

tempos históricos e as visões de mundo que homens e mulheres tem e tiveram.


Distraído, peguei por acaso abro um livro de bolso no café em que estava e li:


...todo trabalho é vazio, a não ser que haja amor;
e quando trabalhais com amor, vos ligais a vos mesmos, e aos outros...
...o trabalho é tornar o amor visivel...


E na última página:


....Em pouco tempo, um momento de descanso ao vento, e uma outra mulher
me dará a luz. (O Profeta, Gibran,K LPM Editores, 2001)


A gravidez acontece durante o amar de um homem e de uma mulher. O nascimento é um acontecimento festejado todos os anos pela vida afora. A minha visão da gravidez está expressa nestes versos do poeta. É propiciar-nos a possibilidade de afeto, respeito e alegria.

 

Por quê nós “humanos” precisamos de cursos de humanização*?


Em cursos assim nós ensinamos que não há necessidade de nos comportarmos como numa guerra, onde há perigos escondidos e inimigos a espreita, onde são necessários generais com uma divisão de tanques, canhões, aviões e mísseis teleguiados. Temos que ensinar que não precisamos tirar nossa pilificação, colocar tubos para esvaziar os intestinos, colocar instrumentos perfurantes, ligados a tubos líquidos, quando podemos beber, evacuar e caminhar.


Caminhar durante o parto: proibido nos lugares eleitos como templos de cura há 30 anos. Mães deitadas: com calmantes injetados para relaxar e apressar a dilatação do colo uterino; e depois hormônio: a ocitocina gotejada na veia para apressar o nascimento. E ter cortada a vagina para dar melhor passagem e facilitar o nascimento: como se a gravidez e o parto tivessem que ser

modernizada como nossos meios de transporte. O parto deve estar igual há pelo menos 500.000 anos.


Um “batedor” (guia que conhece bem o caminho, quem levava os viajantes por lugares desconhecidos) que conheça o caminho, que goste de andar por ele, que tenha feito várias viagens, e aprendido com outro bom batedor, que sabe dizer o que as pegadas, as plantas, e o gritar do falcão são e qual o significado do vento Norte – alguém que saiba onde se abrigar do mau tempo: ele vai ajudar nesta viagem da vida muito melhor que um erudito de biblioteca. Ah, o erudito também pode ser um excelente batedor.


E o que dizer, que necessitamos de ao nascer de sermos separados de donde viemos? Para sermos examinados, aquecidos, até há pouco aspirados por um motor elétrico com sondas passadas pelo nosso nariz? Mostrados à mãe, e levados para pesar e ficar sendo observados numa prateleira de acrilico, com um aquecimento vindo de resistências elétricas de cima, e depois num bercinho, antes por 24 horas, atualmente “pelo menos 6 horas”, num lugar denominado berçário, para que tenham certeza que estamos bem?


Recomendações da Organização Mundial da Saúde dizem que estas medidas não são necessárias e que outras atitudes devem ser estimuladas, como::


- Voce pode andar durante o periodo de dilatação.

- Pode ficar da maneira que sentir mais confortável.

- Não precisa ficar em jejum. Não é o Ramadã, nem o Yom Kipur, e mesmo que fosse, não precisaria ficar em jejum.

- Ah, e pode fazer suas eliminações na hora que sentir vontade.

- Se tiver alguém querido que te ampare quando estiver sentindo as contrações, e que te massageia as costas, por que não?

- Se ajuda pode fazer. Ah, a OMS não tem certeza se a massagem, ajuda; a acupuntura, parece que não sabe. Mas se voce sabe que o do-in o shiatsu, o afeto ajudam...

- Na hora do nascimento se quiser gritar, ficar de quatro, de cócoras, sentada, numa bola, rebolando, se te fizer sentir melhor - fique.

- Um banho morno, que delícia, como relaxa!

- Parir na água com o teu amor, pai, marido, quem seja, te amparando, na posição que facilite.


E eu que nasço, ufa, que bom. Não tenho pressa, não sei que existe relógio ainda. Levo o tempo que levo, ninguém me puxa, me estapeia, ordenha o cordão que me traz alimento, ou corta-o assim que nasço [A OMS recomenda, eu não]. Deixa eu começar a respirar tranquilo, dar uns espirros se precisar, para jogar as águas para fora, e que bom! O calor me pega e me sinto todo aquecido, movimentando, junto acariciado. Minha língua passa e eu sugo no quentinho, e assim vou ficando, alerta, olhando no olhando...


Em Curitiba, “capital ecológica” do Brasil


Aqui na cidade de onde escrevo, Curitiba, com 3 milhões de habitantes, cidade modêlo no Brasil com muitos parques verdes, os nascimentos se dão em 90% de cesareana nos hospitais que atendem convênios. Na rede que atende SUS, 45% são cesareanas. A porção dos 10% ou 50% que tem parto via vaginal, são deitados. Hoje se estimula o andar, mas ainda existem as salas de pré parto. Em muitos lugares ainda o neném fica “6 horas em observação” no berçário.


Em maternidades “Amigas da Criança” que visitei no Brasil, pese toda a boa intenção, os berços aquecidos estão ao lado das camas de parto que permitem pouca movimentação. A presença do pediatra, o primeiro a receber a criança, é considerado sinal de qualidade. E é defato - quando se faz necessário. No Brasil, o ministério da saúde vem estimulando, prêmios para os hospitais “Amigos da Criança”, e a formação de casas de parto onde o nascimento é atendido por uma equipe multidisciplinar e visto como um acontecimento familiar.


Há uma mudança de paradigma, uma nova visão vem sendo semeada. A visão da humanização na saúde. Este trabalho já dá frutos, e está aumentando. Volto à pergunta, por que nós humanos temos que nos humanizar? Vou pelo zig-zag da história, tateando a idéia dos ancestrais para tentar entender. Vou citando alguns humanos que nos antecederam e que foram reconhecidos por suas idéias.


Sentimos “calor humano”, quando amparados, queridos, aconchegados, considerados e respeitados. É o calor da fogueira, lembrança profunda do grupo protegido das intempéries e de perigos. O humano pode ser benevolente, amoroso, assim como podemos viver o seu contrário, a ira, a inveja, a raiva, o ódio, todas as emoções.


“Eles não saberiam o certo, se o oposto não existisse..." (Heráclito - após 480 a.C.; unidade dos opostos – o logos como a força organizadora – tudo é mudança.)


O oposto e o certo decorrem da cosmovisão que a sociedade tem como crença principal. A gravidez, o nascimento e a criação, estão associados com as crenças e a cosmovisão do grupo ou sociedade em que estão inseridos. Nas sociedades nas quais tivemos oportunidade de viver, retratar e estudar,

os seus integrantes são parte do cosmos. São irmãos dos seus irmãos, e também dos outros seres, animados ou não. O universo todo é vivo, povoado de deuses, suas plantas têm consciencia e são remédios.


A natureza é encarada como detentora de direitos e nós como tendo deveres e fazendo parte dela. Este ponto de vista ético não se encontra na tradição ocidental, nem na tradição teológica-escolástica da Idade Média. Ao contrário, o ocidente teve a formação de que os animais não tem alma, apesar de serem denominados de animados. Assim como as coisas são inanimadas. Até séculos atrás também os escravos e os índios eram “des- almados” pela igreja e pelos interesses dos poderes coloniais. Por isso não tem direitos, e nós não temos deveres para com eles.


Podemos tratar os animais como coisas, e as coisas [“inanimados”] como coisas. Isto nos permitiu e nos permite explorá-las sem constrangimento. Como consequência desta crença, ao tratarmos o planeta como coisa, já destruimos o planeta em que vivemos e este por sua vez... A idéia do homem estar apartado da natureza é na verdade bastante recente. Anteriormenente, o homem jamais teve essa idéia. Ele sempre se considerou parte da natureza, íntima e fundalmentalmente ligado a ela e

inserido nela. Os processos sexuais humanos são idênticos aos da natureza, e há uma conexão profundamente enraizada entre ambos. Esse era o padrão do mundo, e remanescentes dele continuaram por séculos depois da aceitação do cristianismo, nos chamados cultos de feitiçaria da Europa Ocidental, que eram essenciamente antigos cultos de fertilidade que haviam sobrevivido desde tempos muito antigos.


O conceito de unidade com a natureza foi abandonado no mundo civilizado durante um periodo que começou pelo século VIII ou VII antes de Cristo. Toda a concepção então mudou para a idéia de que de alguma forma, o homem está separado da natureza. Esso processo é percebido na India com o surgimento do jainismo e o budismo. É visto no Oriente Próximo com o surgimento dos profetas hebreus. É visto na Grécia com o surgimento de Pitágoras [570 a.C.]  (A Situação Humana, Huxley,A. Círculo do Livro, 1977). Com o Renascimento europeu, busca-se a volta ao clássico. Como reação à fé dogmatica da Idade Média busca-se a separação entre a razão e a fé.


René Descartes, fundador da filosofia moderna, (filósofo e matemático, 1596-1650, “Discurso sobre o Método”) dá supremacia à Razão e declara como evidênte: “Penso, logo existo”. Descartes nos deu o dualismo cartesiano - mente e matéria. A importância da certeza alcançada por meio da dúvida, como base do conhecimento. Meritório ao tentar desfazer as teias de aranha do conhecimento  obscurecido pela Idade Média, mas com o erro básico de ter invertido o sentido do pensamento:

“Existo logo sinto e penso”. Ou noutra ordem, mas com o penso depois do existo.


No Moderno surgiu a crença que tudo poderia ser desvendado por meio da razão e da ciência. ... na visão iluminista que se desenvolveu no interior da modernidade ocidental, partia-se do pressuposto de que as estruturas do mundo natural e social podiam ser desvendadas por meio da razão e da ciência. Estas últimas tecnológicamente lhes permitiria domar a natureza, mas também levaria a uma tecnologia social paralela, destinada a aperfeiçoar a vida social e a introduzir “a boa sociedade” (O Desmanche da Cultura – globalização, Pós Modernismo e Identidade, Featherstone, M. Livros Studio Nobel, 1997).


Da mistura entre a supremacia da fé e a razão da Razão nasceram os dogmas de fé ancorados na razão, tão comuns na prática médica, onde opiniões baseadas no poder de alguns, se travestem de “Saber” tão supersticiosos, manipuladores e comprometidos com falsidades, muitas vezes muito mais do que se quis evitar, desconsiderando os conhecimentos empiricamente comprovados.


Para contrapor estes “saberes”, e corrigir esta mistura, iniciam-se os trabalhos de medicina baseada em e-vidências. Evidens do latim, clarear. E-vidente, que é claro, que não precisa de provas.  E-vidências, provas. Presumia-se que as nações ocidentais, as primeiras a desenvolver e aplicar tal

conhecimento, estavam muito adiante no processo de desenvolvimento social e poderiam manter confiantemente sua liderança na medida em que os povos de outras partes do mundo procuravam, com muito empenho, seguir e colher os benefícios da modernização.


O comprometimento com esse ideal fundamental significava a rejeição de todos os corpos anteriores do conhecimento, considerados dogmáticos e irracionais. Julgava-se que a modernidade acarretaria um implacável destradicionalismo.


...as orientações coletivas dariam lugar ao individualismo, a crença religiosa seria substituída pela secularização e o sedimento acumulado de usos e costumes, bem como as práticas cotidianas, se renderiam à progressiva racionalização e à busco do “novo”.


A “tradição do novo” [modernismo] resulta em questionamento de todos os modos relativos aos valores fundamentais. Com os trabalhos de Darwin, “A Origem da Espécies”, “A Expressão das

Emoções no Homem e nos Animais”, dá-se uma volta da espiral, vindo do estágio descrito anteriormente ao estágio autoconsciente transformado nas idéias da Ecologia, Etologia (ciencia do comportamento animal), na Física com Albert Einstein e a relatividade, no estudo das partículas, na incerteza de Heisenberg, onde em lugar de materia sólidas e certezas, temos grandes espaços, campos de força e só probabilidades. Renova-se a idéia do tecido das relações, da rede onde tudo é o centro, de organismos dentro de um organismo maior.


No século XX, contrastando com o valor atribuído à vida ordenada, à produtividade e à frugalidade, encaradas como elementos essencias da ética protestante que estabecleceu as bases da modernidade capitalistahouve uma mudança em direção ao consumo, ao lúdico e ao hedonismo. Com isso vai se descorporificando o cotidiano, tornando-se virtual. Temos nosso curso que propicia nos conhecermos. Uma “Avatar” (mulher virtual) do programa “Second Life” é considerada uma das mulheres mais

sensuais do planeta. Fazemos sexo via internet. Com certeza boas amizades também. Uma publicidade está sendo veiculada atualmente na televisão: um ser barbado se agita e é questionado, como que êle não está baixando filmes, mandando mensagens, escutando música, falando com o mundo? Como é que êle está perdendo tempo? As coisas estão acontecendo! Êle necessita da banda

larga, sem ela ele está fora do mundo! No mundo sentado numa cadeira, acelerando em direção ao mesmo lugar. Muitas novas possibilidades, de antigas ações.


Tecnologia


Mito de Sisifo - Sisifo rolava uma pedra até o cume de uma montanha, com muito esforço, e ao alcançá-lo, tinha como sina a pedra rolar de volta ao lugar de partida. Sisifo recomeçava, e esta era sua sina.


Albert Einstein: “A tecnologia isolada é como dar um machado a um louco furioso.”

Lao Tsé século VI a.C.: “Perseguir, caçar e montar, tornaram o homem selvagem...”


Olhando o decorrer da História, vemos que as alterações que ocorreram na nossa consciência estão associadas à mudanças tecnológicas. Assim quando a oposição entre o polegar e o indicador ocorreu, a habilidade em fabricar instrumentos explodiu. Quando se conseguiu manejar o fogo se pôde descer

das árvores e dormir em volta das fogueiras com segurança. Ao caçar em grupo e desenvolver utensílios, ao montar outros animais, ao inventar a roda especializou-se o homem e especializou-se a mulher. Dominaram a natureza. Especializaram-se em dominar, e acabaram dominados. Por um período a mulher pelo homem.


Os chineses tinham o “I Ching” há 5000 anos, inventaram a bússola, a pólvora, o canhão e o macarrão, mas, não sei por que, diz-se que a ciência foi inventada na Grécia. Esta era parte de um corpo de conhecimento junto à ética, à filosofia, à mitologia e à astrologia. O panteão grego, com seus Deuses e Deusas, cheios de emoções e humores, eram cultuados por Hipócrates, o pai da medicina.

Este ia ver as águas, os ares e os lugares em que a pessoa a quem ia atender morava. Fazia antes do exame físico a carta astrológica do paciente.


Aristóteles inventou a lógica. Filósofo, pioneiro em várias ciencias valorizava o conhecimento obtido pela observação de fenomenos naturais. Foi o filósofo aceito pela Igreja Católica absorvido via São Tomás de Aquino. Na idade média suas idéias e teorias tornaram-se imutáveis. A Terra era o centro do universo, e os que discordaram foram queimados, como Giordano Bruno, ou obrigados a se desdizerem como Galileu. “...mas que gira em torno do Sol, gira.” Herdeiro e resultado da mistura da fé religiosa e de sua inquisição, com a reação de Descartes e Newton, o humano “civilizado”, com sua visão antropocêntrica, passou a crer no progresso indefinido. A fé dogmatica religiosa, converteu-se na fé científica.


Até a metade do século XX, o homem acreditou-se capaz de tudo resolver. Havia descoberto os antibióticos, a anestesia, a energia elétrica, dominado a energia atômica, viajado ao espaço - tudo era possível. Construiu grandes cidades, grandes usinas, inventou o avião e o automóvel. Com suas invenções tecnológicas ficou escravo delas. A paisagem mudou. As cidades passaram a ter grandes trevos e avenidas, tudo que fosse necessário para que os automóveis pudessem melhor circular. Consumiu e sujou o ar que respira, e acabou por produzir uma estufa.


A terra, uma bola de ferro incandescente, girando solta pelo universo, e nós senhores na sua crosta a nos servirmos num banquete farto e cego. A tecnologia é fruto da ciência, mas isolada não é ciência. É perversão; fica insana.


Uma frase na década de 1970 quando se discutia a importância das crenças médicas da época:

“Se querem tanta assepsia, por quê não esterilizam o bebê na autoclave!” A medicina, seguiu a visão de mundo de sua época. Confundiu-se ciência com tecnologia, longe da ética e da filosofia. Associada ao sistema atual em que só tem valor o que se traduz em monetário, e que este valor deve se transformar e produzir mais valor, ficou vinculada aos resultados da bolsa de valores.


Há o uso e abuso da tecnologia. Seus instrumentos têm que dar lucro. Assim os instrumentos, aparelhos, remédios e materiais são submetidos à lei de mercado e da bolsa de valores, tendo que equacionar e prestar contas, ver os benefícios que trazem à saúde do planeta e de seus integrantes por um lado, e ao sucesso economico do emprendimento por outro.


Trabalhos já mostraram que a generalização da cardiotocografia, desde 1979, não é efetiva. Funciona como placebo. O mesmo se escreveu sobre a ultrassonografia, que nas gestações de baixo risco não melhora os nascimentos. É efetiva nas gestações que têm alterações e risco elevado, e aí sim, guiada pelas evidências passa a ser um instrumento salvador.


Já está havendo uma mudança radical neste sistema, obrigado a contragosto pela Terra que está provocando febres, degelos, inundações e futuras glaciações. Já é parte do conhecimento humano há pelo menos 100 anos o que está acontecendo, e houve relutância em mudar.


A visão de seres isolados, lutando pela vida, vencendo o mais forte, está caduca. A visão - é a visão dos que sempre souberam que fazemos parte de um Todo, e que o Todo está em suas partes. É onde a intuição tem lugar.


O fator de presença


Uma mulher pode ter engravidado, mas não estar grávida.

Pode-se estar perto mas não estar junto.

Pode-se estar olhando e não vendo.

É preciso prestar atenção.

E atenção só acontece no agora.


Um estudo prospectivo realizado na Guatemala pelo Prof. Sosa, mostrou que quando uma gestante foi acompanhada por uma pessoa que dava amparo e afeto, aconteceram muito menos intervenções, sejam complicações ou cesareanas.


Este trabalho foi continuado por Kenneth Klaus, nos EUA, que emprestou do grego o nome “Doula”, para designar esta acompanhante interessada, que não precisa de conhecimentos técnicos, mas sim da disposição afetiva de servir.


“Doula” em grego significa serva. Basta estar presentemente presente. Qualquer um pode ser Doula, inclusive o médico obstetra. A ação acontece no agora. Toda as informações que já recebemos e trazemos são atualizadas. Existe um fator de presença, que pode e deve ser ampliado. Nossas funções melhoram quando prestamos atenção. Nossas soluções são melhores no presente. A presença de espírito é a presença de nossa presença. É nesta atenção plena que vivemos o Nascimento. E o Nascer é o Presente, para a mulher que se torna mãe, para a criança que já estava e chega, para o

homem que se torna pai, para quem está presente. É no Presente que se encontra o Humano.

 

Concluindo


Cito uma palavra em sânscrito, que descreve a condição humana: Avydia é o contrário de ver. Avydia significa ignorância. Nas “tankas” tibetanas, ela é representada como a mãe vendada, caminhando em direção a poucos passos de um abismo. Vydia em sânscrito é visão, ver. E-vidências, que claream, e nos alimentam a consciência, que a ciência, a arte e a intuição, tem como misssão deixar o amor visível.


Maio de 2007

* Texto escrito em ocasião do primeiro curso sobre Humanização do Parto da ONG Amigas do Parto no qual o Dr. Paciornik foi um dos formadores.

 

Cláudio Paciornik atua na cidade de Curitiba, nas especialidades de Ginecologia, Obstetrícia, Mastologia e Homeopatia. Faz parto na posição de cócoras, desde 1975 tendo implantando a liberdade de posição, com estimulo para a posição de cócoras, aleitamento ao nascer, abolição dos berçários para recém-nascidos com implantação do alojamento conjunto na maternidade da Casa de Saúde Paciornik. Desenvolveu módulos para parto vertical, tendo sua patente de invenção reconhecida e publicada pelo INPI em 1979. Seu curriculum está no www.cnpq.com.br - setor lattes, curriculum mestre, claudio paciornik.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Featured Posts

ONDE ESTÁ?

July 6, 2017

1/1
Please reload

Recent Posts

April 20, 2020

December 2, 2019

Please reload

Archive
Please reload

Search By Tags