UMA GRÁVIDA EM "CRISE DE NERVOS"

"Boa tarde

 

Sou Heloísa, professora de dança oriental, pilates e yoga. Bailarina, tenho 29 anos e estou com 3 meses de gestação, normal.

 

Tenho convênio com a Unimed e vou ao mesmo médico desde os 18 anos. Sempre pensei que parto normal fosse normal, e descobri que não é. Gosto do meu médico, mas percebi que ele só faz cesárea. Estou muito emotiva hoje, porque resolvi pesquisar sobre o assunto e vi como é difícil ter liberdade para deixar a nossa inteligência corporal soberana, o próprio deus/deusa que há em nós, atuar. Choro muito ao ver como não temos direito nem a isso....

 

Faço parte de um grupo de seres humanos que está tentando despertar para as coisas, ao invés de fazer tudo no automático. E comecei a sentir um impulso de buscar algo para mim que não me deixe à mercê dos médicos, e vi que não tenho idéia de como fazer isso. Tenho uma colega do curso de Pilates que se ofereceu para dar todas as dicas ela e outra da nossa turma de formação tiveram parto normal, a outra inclusive pariu no carro...

 

Bom, gostaria de continuar com meu médico mas de buscar outra(o), e de fazer essas coisas novas (que na verdade são um resgate do que há de mais antigo e sagrado), como cursos de parto normal, na água, em casa, essas coisas.

 

Estou reformando minha casa e tenho a possibilidade de colocar uma banheira para parto na água. Não tenho a mínima ideía se é assim, banheira, ou o quê... quem pode me ajudar? Gostaria de uma mulher experiente para me orientar, sabe, como deveria ser com nossas ancestrais... É emocionante pensar o quão difícil é isso, é de chorar....PRECISO DE ORIENTAÇÃO.

 

OBRIGADA!! Que a deusa esteja sempre conosco, mulheres da terra."

 

 

Querida Heloísa,

 

Se acalme, respire fundo e centre-se.

 

Foi muito bom ter-nos escrito. Sim, o parto natural, espontâneo e feminino é antigo e pertence à tradição das mulheres desde que o mundo é mundo. Seu choque ao descobrir o quanto as coisas mudaram é compreensível. Mas, como é bom! Você só está no terceiro mês de gestação, tem tempo para encontrar um novo caminho.

 

Em primeiro lugar, veja como essa gravidez já lhe trouxe uma importante tomada de consciência. O médico no qual confia e vai há anos é cesarista. Ele certamente não combina com uma mulher “que quer despertar” e que se sente pertencer à corrente ancestral de mulheres autônomas e senhoras de si. É claro que não pode continuar com ele, a menos que queira sabotar seu processo de conscientização e empoderamento. Inclusive, a angústia que sente é em grande parte devida a essa relação.

 

É um momento essencial aquele quando olhamos à nossa volta tendo em mente as idéias e  os sentimentos mais queridos. Analise sua realidade em todos os seus aspectos e vá cortando o que não pertence ao que quer para si, e que não pode ser modificado. O que você pode melhorar, melhore, mas o que não pode ser mudado, tire-o de seu caminho. Como uma deusa faria, sem rodeios e sem virar a cabeça para trás. Se você gosta de seu médico obstetra cesarista e não quer perder o contato, coloque-o em sua lista de bilhetes de Natal, convide-o para tomar um sorvete... Mas não coloque-o na posição de seu obstetra. Isto só lhe fará mal.

 

Agora, vamos à sua preparação para a gestação, parto e maternidade. O primeiro passo, é que se centre e faça uma meditação. Se o mundo não está nos conformes que deseja, ainda possui a você mesma. Portanto, confie em você. Não vá atrás de soluções num clima de desespero.

 

Em seguida, antes de pensar no parto e em como vai ser, precisa que tenha alguns papos agradáveis com pessoas confiáveis. Já começou agora, vou lhe dar o contato de uma pessoa à qual pode ligar e conversar.

 

A partir daí, vamos encontrar um obstetra ou parteira e você vai começar a ler e a se informar. Não há pressa, não há ansiedade.

 

O parto de uma mulher tranquila será tranquilo.

 

Quando à banheira em casa, não se preocupe com esses detalhes. Qualquer bacia de água pode em teoria servir. Se quiser ter uma gostosa banheira para seus banhos só ou em companhia, faça-o. Mas não modifique sua casa em função disso. Uma banheira normal pode seri igualmente útil.

 

A questão não é a dimensão material, mas a psicológica e espiritual. Não é pela banheira que terá um parto bom. Você percebe que pensando e agindo assim você está trilhando o mesmo caminho da cultura que a faz sentir tão só e desesperada?

 

Volte às ancestrais: uma vez que você se posui como pessoa e mulher, já está metade do caminho andado.

 

Vamos manter contato.

 

Um abraço

 

 

Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

 

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