SER DOULA, SER MULHER, SER FEMINISTA


“Muchas gracias Adriana!!!! Verdaderamente me siento muy comprometida con la humanizacion del parto y nacimiento en su totalidad. Estos meses de curso me potenciaron como MUJER, en el sentido mas profundo. Con cada paso que doy en este camino me voy sintiendo mas segura y fuerte, no hay duda que es el camino a recorrer! Ojala encuentre la manera de transmitirlo correctamente a otras personas.”


Recebi esta mensagem de Sandra, uma mulher de cerca de 30 anos que mora na Argentina, na fronteira com a Foz de Iguaçu. Sandra realizou o semestre passado nosso curso online de Capacitação e Certificação de Doulas Parto com ótimos resultados. Digo ótimos porque ela atingiu o que não só eu como as outras formadoras do curso compreendem ser a essência do papel da doula, indagar-se e potencializar-se como mulher.


Se ela não for uma mulher inteira, consciente e sensata, como poderá ajudar outras mulheres?


Há vários tipos de mulheres. Há aquelas que precisam ser pegas pela mão e levadas, há as difíceis de abordar, há as perdidas, as orgulhosas, as ignorantes, as sabidonas… Há de tudo. Mas o que uma doula deve fazer? Mudar com cada uma delas? Ou manter sua presença de espírito e com a bússola na mão não perder-se ela mesma em meio à variedade de personalidades e emocionalidades?


Acho que o que está em jogo aqui é a mulher que a doula é. Não se pode deixar de considerar que a humanização do parto exige, leva e propicia uma maior independência feminina. A idéia do protagonismo da mulher nasce da visão de uma mulher autônoma, dona de si.


Esse, desde sua origem, é o ideal do feminismo, gostemos ou não desta palavra (sei que ela é objeto de horror de muitas). Os métodos para obter esse resultado são diversos e variam de época em época histórica e conforme o nível cultural e de consciência da mulher.


Assim como nos idos do feminismo, há doulas prepotentes que se acham donas da verdade - e cá pra nós, elas têm razão em acreditar no parto natural, na não cesárea e etc. Mas, em nome de um ideal impõem à gestante condutas, crenças e escolhas. Com quais resultados? Só pode gostar de dono quem é servo…


Ser doula não é evangelizar o povo pagão que não conhece a palavra das Evidências Científicas. Aprendemos com a história. Queremos mulheres empoderadas e não mulheres convertidas. Queremos mulheres protagonistas e não submissa a uma nova líder.


O que falta é psicologia, isto é auto-consciência e compreensão da psique humana (portanto dos outros). Não se percebem os muitos aspectos que compõem a personalidade de cada pessoa, muito menos se observa a importância dos rítmos individuais. São desconsiderados o contexto, a cultura, as relações e tudo o que está em jogo na vida de uma mulher gestante.


Enfim, cada uma enxerga e interpreta conforme o próprio olho. Cada uma age conforme o que é. A escrava escraviza, a prepotente vitimiza e a mulher empoderada empodera porque somente a pessoa livre pode criar pessoas livres.



Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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