USO RESPONSÁVEL DA TECNOLOGIA E OBSTETRICIA

O avanço da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para a humanidade. As inovações tecnológicas,na maioria das vezes, foram implantadas muitas vezes sem cuidado com seus possíveis efeitos prejudiciais, o que, a partir do final do século XX, tornou-se motivo de reflexão e de busca por alternativas tecnológicas menos agressivas. Na obstetrícia observamos um crescente uso de regras e técnicas que visam facilitar o andamento do trabalho de parto e também prevenir e tratar doenças tanto na mãe quanto no feto. Atualmente o grande questionamento diz respeito ao uso inapropriado da tecnologia e à limitação que ela impõe. A ação dos profissionais se restringe desse modo a obedecer regras e conceitos pré-estabelecidos pela obstetrícia baseada na tecnologia chamada de “científica” e freqüentemente esquecem da soberania da vida e do bom senso.

A humanidade está adaptada à vida na terra há milhões de anos e conseguimos perpetuar nossa espécie sem a necessidade de sofisticados aparelhos tecnológicos, pois é preciso lembrar que a natureza é a favor da vida, e este é o conceito norteador mais importante que devemos ter a respeito da obstetrícia.

A mulher foi criada pela natureza para gerar, parir e depois amamentar sua cria, portanto devemos acreditar na potencialidade feminina de dar à luz limitando o uso da tecnologia para aquelas mulheres que apresentam algum desvio em seu estado de saúde.

Não devemos confundir o número de doenças catalogadas com sua incidência: apesar de existirem inúmeras doenças, pouquíssimas vezes se manifestam. Com isso quero dizer que a imensa maioria das mulheres têm a capacidade de parir seus filhos sem apresentar nenhum problema e, portanto, não deveriam ser tratadas como doentes durante o processo do parto.

Existe uma frase famosa que diz que “gravidez não é doença”, e eu gostaria de complementá-la dizendo que “PARTO também NÃO É DOENÇA”. Infelizmente os profissionais, assim como as mulheres, tendem a acreditar que o momento do parto é algo muito perigoso, que necessita de cuidados ultra especializados com muitos equipamentos sofisticados. Esta é uma visão de parto como doença, problema, anormalidade.

Na medida em que deixamos de acreditar no parto como evento espontâneo da natureza feminina, promovemos uma interferência negativa ao processo.

A parturiente que não confia nesta espontaneidade ao invés de se entregar ao processo do parto, se entrega às mãos do médico. Esta atitude passiva favorece as intervenções médicas inapropriadas e excessivas que podem culminar com uma má evolução do trabalho de parto.

Quando o profissional não vê o parto como evento natural, transmite à sua paciente esta descrença que é imediatamente assimilada por ela. Além disso, esta descrença faz com que o profissional se apegue as “crendices científicas” como acreditar que a evolução da dilatação deve corresponder a um determinado gráfico, ou que um bebê grande terá muitas dificuldades para nascer. Estas crendices fazem com que o médico sinta necessidade de intervir tecnicamente para que a evolução do trabalho de parto se encaixe nos parâmetros lineares de sua “ciência”.

Ao tentar enquadrar uma parturiente, que é um sistema biológico, dentro de parâmetros matemáticos e lineares corremos o risco de quebrar o equilíbrio perfeito e sutil da natureza.

Devemos ter em mente que o ato de parir é algo semelhante ao ato sexual e, para que possa acontecer de forma plena, não pode ser violado com intervenções. Qualquer ação é uma intervenção: desde uma palavra, um toque, um movimento até as mais agudas como as medicações, os soros, as anestesias, cortes e etc.

Para que a parturiente possa se entregar ao seu trabalho de parto é necessário que suas funções intelectuais não sejam estimuladas com tais intervenções, a fim de permitir que as funções de seu sistema límbico estejam liberadas como acontece no ato sexual.

As intervenções podem ser positivas ou negativas, por isso precisamos estar muito atentos e conscientes de todos os nossos atos e palavras para que não colocarmos em risco o desenrolar do trabalho de parto.

O profissional deveria ser apenas um parâmetro de segurança para a parturiente, não alguém que dita regras porque é o “dono” de um suposto saber científico. A medicina obstétrica precisa aprimorar-se nas sutilezas, aprender a observar com o coração e não com o intelecto, enfim, precisa se afastar do pensamento cartesiano ficando mais próxima do fluxo da vida.

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