A CESÁREA É SEGURA?

August 20, 2019

A cesárea surgiu para salvar vidas, a da mãe e/ou a do bebê, sobretudo a do bebê. Com o tempo ela foi se aperfeiçoando, ou seja, foi ficando sempre mais segura para os dois, sobretudo para a mãe. Hoje podemos dizer que, com certeza, a cesárea é um procedimento cirúrgico bastante seguro.

 

 

Tudo certo? Não. Ainda assim, a cesárea é menos segura do que o parto vaginal. Convenientemente nos esquecemos que a cesárea é um procedimento cirúrgico, é uma operação. Ninguém tira as amídalas ao primeiro sinal de dor de garganta, pelo motivo óbvio de que não se fazem cirurgias à toa.

Quando se diz que a cesárea é segura, está-se querendo dizer que

como cirurgia é relativamente segura, há baixas probabilidades de morte materno-infantil, mas é uma cirurgia. Entretanto estas probabilidades são bem maiores do que as do parto vaginal.

 

 

Segundo a Agência Nacional de Saúde, “Estudos empreendidos apontam que a alta prevalência de bebês prematuros parece estar relacionada, em grande parte, às cesarianas e às induções do trabalho de parto realizadas antes da completa maturidade fetal. Estes fatores têm sido apontados como umas das principais causas de morbi-mortalidade perinatal destacando-se, entre elas, a síndrome de angústia respiratória do recém-nascido. Fetos de 37 a 38 semanas de gestação possuem 120 vezes mais chances de apresentarem essa complicação quando comparados aos fetos com mais de 39 semanas (BARROS et al, 2005; LEAL et al, 2004; MARTINS-COSTA et al, 2002). Em relação à mortalidade materna, outros estudos mostram que o risco para este evento é 2,8 vezes maior nas cesarianas eletivas sem emergência do que no parto vaginal (WAGNER, 2000; RCOG, 2001).

As cesarianas são intervenções cirúrgicas com a intenção de aliviar as condições maternas ou fetais quando há riscos para mãe e/ou feto, durante a gestação ou no trabalho de parto. Estes procedimentos, entretanto, não são isentos de risco, pois estão associados a maiores taxas de morbi-mortalidade materna e infantil (RATTNER, 1996; MARTINS-COSTA et al, 2002). 

No Brasil, as taxas de parto cesáreo do setor de saúde suplementar estão entre as mais elevadas do mundo."*

Quando uma parturiente vai para a sala cirurgia está transformando um fenômeno natural num evento médico. De mulher que está dando à luz se transforma em paciente que está sendo submetida a uma operação cirúrgica; ao invés de ela fazer seu parto, fazer nascer seu filho, será o médico que retirará o filho de seu ventre.

A mulher terá de ser deitada, sedada, anestesiada, amarrada – na cruz! -, sua barriga será “separada” da parte de cima de seu corpo por uns panos verdes (o “campo cirúrgico”) que teria a função de aumentar a assepsia e não permitir a visão da operação; sua barriga será cortada, tirado o bebê, que lhe será mostrado rapidamente para ser logo levado embora pelo neonatologista que o examinará.

Em cerca de uma hora o processo inteiro terá terminado. Então vai começar o outro processo, o da cicatrização do corte e da recuperação lenta do ventre. Uma série de cuidados deverão ser tomados, movimentos lentos, não pegar peso, curativos, etc. A amamentação será prejudicada. Dificuldade de se levantar, de pegar o bebê no colo...

 

 

Será este é o melhor modo de começar a maternidade?



Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org


* Fonte: http://www.ans.gov.br/portal/site/home2/destaque_22585_2.asp

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