QUANDO O AMOR E A CIÊNCIA SE DÃO AS MÃOS

August 21, 2019

Algumas décadas atrás surgiu um movimento naturalista em vários países do Ocidente e que no Brasil é hoje definido com menosprezo de  “natureba”. Entre suas pregações, a do parto natural sem intervenções (desnecessárias), era um dos tópicos mais difundidos. Alegavam-se vários fatores para defendê-lo: era mais saudável, melhor para a mulher e para o bebê, mais satisfatório, mas “verdadeiro”. Esse pessoal também não tomava vacinas, não comia carne vermelhas (e, freqüentemente, nenhuma carne), rejeitava uma série de hábitos presentes no dia-a-dia de muitos outros brasileiros.

 

Passaram-se vários anos, voltou-se a falar em parto natural. Desta vez quem começou foram as pesquisas científicas. Suas pregações vão na mesma direção daquelas dos naturalistas. A intuição de ontem foi suplantada pela confirmação racional hoje. Ao mesmo tempo, as mulheres começaram a reclamar por um atendimento mais digno no qual elas pudessem respeitar e seguir as necessidades de seus corpos. Em Londres, as mulheres do Movimento pelo Parto Ativo, em meados dos anos 80, fizeram uma manifestação no saguão de um hospital permanecendo de cócoras e reivindicando a liberdade de movimento durante o trabalho de parto e parto.


Vinte anos depois, indícios de um despertar feminino estão ocorrendo no Brasil. O sucesso obtido pelas Amigas do Parto mostra que há um vazio grande de informação, suporte e orientação sobre o assunto entre as mulheres. Seus relatos contam de sua insatisfação com os partos tidos. São mulheres de todo o Brasil.


Felizmente elas não estão sozinhas. A ciência de qualidade vem para reforçar suas reivindicações. Quem não acredita na intuição feminina – pode pelo menos prestar atenção às pesquisas. Quem não sabe ou não pode ler pesquisas científicas - que ouça as intuições próprias e/ou da grávida que está atendendo. Ambas dizem a mesma coisa: que está na hora de dar liberdade e crédito às necessidades das mulheres em trabalho de parto.



Adriana Tanese Nogueira, Psicanalista, filósofa, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto. www.adrianatanesenogueira.org

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