O CHAMADO DA PARTEIRA

September 26, 2019

Ser parteira é um antigo chamado/profissão. Assim como os médicos, elas eram chamadas para ajudar as pessoas quando há um problema de saúde ou uma gravidez.  As parteiras são mencionadas na Bíblia várias vezes, e seja Sócrates que Platão tiveram mães parteiras. Cada comunidade tinha médicos e parteiras.


Já no século XI, em Praga, uma cidade da Bohemia no coração da Europa, havia um curso para formação de parteiras na Karls University. No século XV, quando as cidades se moltiplicaram, sabemos que a profissão foi regulamentada.


Ter parteiras e bem atender as mulheres é essencial para as cidades, pois estas querem ter cidadãos saudáveis. As parteiras eram também chamadas à corte como profissionais de saúde quando havia qualquer caso relativo a mulheres. Sabemos, por exemplo, de um caso na corte de Leiden, na Holanda, onde uma mulher disse ter sido chutada pelo marido durante a gravidez o que teria causado a morte do bebê. A parteira a visitou semanas depois do incidente e, naquela época, o bebê ainda estava vivo.


Durante o tempo em que Napoleão governava metade da Europa (1796-1814), ele declarou a importância das parteiras e do aleitamento materno que contribuiam para a saúde dos civis.


Em 1801, foi publicado o primeiro livro sobre saúde pública, onde a amamentação foi reconhecida como medicina preventiva (Van Geuns).


Os hospitais eram considerados locais para pessoas doentes ou moribundas. Pobres e pessoas sem família iam aos hospitais. Todos os outros recebiam os cuidados em casa. Com o desenvolvimento industrial muitas pessoas do campo foram para a cidade e a os cuidados de saúde acabaram por ser industrializados também.


A pequena estrutura da cidade se tornou uma fábrica de muitos prestadores de serviços que não tinham nenhuma relação pessoal com seus pacientes. Sabedoria e instintos se transformaram em "ciência" e tiveram que ser "provados". ("The scientification of love", M. Odent)


No século XX, o parto cirúrgico explodiu e, fora dos Países Baixos, a parturição virou um procedimento médico. Por que ainda precisaríamos de parteiras? Como DeLee, um professor e escritor de obstetrícia disse: nós não precisamos mais delas hoje em dia, elas constituem uma ameaça ao modelo obstétrico e o que sobrou do barbarismo do passado.


Este desenvolvimento aconteceu primeiro nos EUA e a penetração do estilo Anglo-Americano no resto do mundo então começou. Dos anos 50 em diante, as parteiras foram vistas como um médico de segunda qualidade e o parto hospitalar melhor do que aquele domiciliar. A educação profissional começou a aparecer no topo do programa de enfermagem. Assim, hoje em dia, quando eu digo que sou uma parteira, eles traduzem-no como uma enfermeira-parteira na melhor das hipóteses.


Quando, nos Países Baixos, os homens se tornaram "parteiras", em 1978, o nosso nome, "vroedvrouw", que significa "mulher sábia", não se transformou num nome relacionado à enfermagem mas num nome que pudesse ser usado também pelos médicos: "verloskundige". O presidente de uma faculdade, o médico de família e nós, parteiras, acabamos levando o mesmo nome (de gênero neutro). De modo que, enquanto os medicos permanecem medicos, nós, as profissionais da sáude que tratam da procriação, viramos assistêntes do médico.


Por que eu não gostei desta mudança? Porque o medico é o único visível hoje em dia e a parteira - sua par nos partos de baixo risco - foi reduzida à invisibilidade.


Vamos então repensar nossa identidade. Comece seu próprio imprendimento num hospital para pré-natal. Permita que as mulheres tenham escolha. Não tenha medo de ouvir o chamado. Vai receber muito de volta, como a satisfação pelo trabalho e resultados melhores. Coopere com assistenes sociais, educadores perinatais, doulas e etc. E, se a impedirem de exercer sua profissão, saia do ambiente hospitalar.



Mary Zwart, parteira

European Perinatal School


Tradução por Adriana Tanese Nogueira

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Featured Posts

ONDE ESTÁ?

July 6, 2017

1/1
Please reload

Recent Posts

April 20, 2020

December 2, 2019

Please reload

Archive
Please reload

Search By Tags